Provavelmente já perdi a conta dos jogos onde somos colocados no papel de criminosos ou gangsters. Já sei como é viver à margem da lei (nos videojogos claro). Em The Precinct voltamos uma vez mais a encontrar as forças da lei, mas desta vez, vestimos a pele do agente Nick Cordell Jr., um rookie acabado de sair da academia de polícia, que fará tudo para fazer cumprir a lei e que pelo “meio” procura encontrar respostas sobre a morte do seu pai.
Nick Cordell Jr. acabou de ser integrado na polícia da cidade fictícia de Averno. O seu pai, o antigo chefe da polícia, foi assassinado e o caso acerca da sua morte nunca foi resolvido.
Nick resolve então seguir os passos do falecido pai e trazer paz e justiça para a sua cidade. Fortemente inspirada em Nova York dos anos 80, Averno é uma cidade onde o crime parece não tirar férias, sendo necessário estar sempre em alerta, 24/7. Após sermos devidamente apresentados à equipa, conhecemos nosso o parceiro Kelly, um polícia veterano que está prestes a ir para a reforma. Mesmo contrariado em ser parceiro de um rookie, ele aceita a tarefa, deixando bem claro que odeia ter que treinar agentes novatos. É a partir daqui que damos início à nossa jornada de tornar a cidade de Averno mais segura.
A forma como a Fallen Tree Games decidiu estruturar The Precinct é a mesma do princípio até ao final. Selecionamos qual o tipo de patrulha de queremos cumprir, seja a pé, em veículos ou focados em operações organizadas como o combate às drogas ou criminosos perigosos que atuam durante a noite.

Cada crime exige uma abordagem diferente, mas não desesperem, pois temos à disposição um manual (muito bem-vindo por sinal) que contempla todas as ações permitidas durante uma ocorrência. Devemos solucionar casos simples como deitar lixo para o chão (em Portugal isto ia ser lindo de ver), multas de estacionamento, carros em excesso de velocidade e até mesmo ocorrências mais desafiantes como assassinatos e assaltos à mão armada.
Apesar de parecer complicado, após algumas horas é natural decorarmos as ações necessárias, já que existe uma repetição bastante exagerada (não há como negar) durante os turnos, o que acaba por deixar o gameplay um pouco monótono passado algum tempo. Porém, devo confessar que é muito recompensador fazer as patrulhas e prender os malfeitores, pois levo muito a sério o clássico slogan usado na polícia de Nova York “To protect and to serve!”
O nosso principal objetivo é erradicar os gangues na cidade. Para isso devemos recolher provas, falar com o nosso informador e capturar cada um dos principais membros. Após realizado o cerco, o suspeito passará por um breve interrogatório e para depois ser julgado e passar longos anos atrás das grades – ou então não, nunca se sabe se alguma coisa trágica acontece pelo meio.

Apesar de inspirada em Nova York, a cidade de Averno transmite mais a vibe de Brooklyn, já que conta com duas zonas principais divididas em alguns pequenos bairros (o mapa de jogo poderia ser maior diga-se). Este fator deixa a experiência ainda mais limitada, já que existe pouca variação estrutural da cidade. Além disso, ambientes internos para exploração não existem sequer, com apenas alguns locais acessíveis para dar continuidade à história, algo que me deixou um tanto desiludido.
A cidade não mostra que está viva, os cidadãos não têm interações reais com a cidade, as suas rotinas são inexistentes e mal reagem às situações que testemunham. Por vezes, trocava tiros com gangsters e um casal estava tranquilamente a conversar no meio de toda confusão. Também é normal estarmos em plena perseguição automóvel e pelo meio vermos um pedestre a mandar-se para a frente dos carros (you must have a death wish buddy). Este tipo de pequenas “falhas” conseguem com o passar do tempo estragar um pouco a imersão no jogo, pois acaba por ser ridículo isso acontecer com frequência.
Por vezes, o controlo dos veículos atrapalha o nosso desempenho nas perseguições. A viatura standard acaba por ser curiosamente a melhor escolha, pois a sua jogabilidade parece ser a mais equilibrada. Já os veículos maiores não tiveram o refinamento necessário para entregar uma experiência tão satisfatória.

O combate é exatamente como eu esperava, apontar e disparar (tal como no GTA original). Mas temos de ter bastante cuidado para não acertar num inocente, ou o ecrã de Game Over entra logo em cena. Caso estejamos a abordar um suspeito desarmado, temos de dar uso da stun gun, cassetete ou simplesmente imobilizá-lo para o algemar.
Temos acesso a novas armas conforme subimos na carreira, mas tive a sensação de que as melhores são desbloqueadas logo nos momentos iniciais do jogo. Isto é ideal para aquele tipo de jogador que tem pressa em progredir na história para ver o final o quanto antes (não é o meu caso confesso).
Como é de praxe em quase tudo que é jogo, em The Precinct também precisamos acumular XP para desbloquear novas habilidades para Nick. Melhorias de vida, combate corpo a corpo, condução de viaturas (e helicóptero) e desbloqueio de tipos de apoio policial são alcançados conforme finalizamos turnos e crimes com sucesso. É fácil e muito rápido alcançar os níveis superiores, o que acaba por deixar o jogo ainda mais fácil, já que contamos com uma I.A que deixa um pouco a desejar, seja do lado da polícia, seja do lado dos criminosos (só faz asneiras atrás de asneiras).
As recompensas por subir de nível na carreira de polícia limitam-se a novas viaturas, turnos e armas. Quanto mais jogava, senti que este é em um jogo linear, onde as minhas decisões pouco importam, no qual a narrativa sempre é imposta, quer eu queira ou não fazer as missões principais.

Quando adquiri o jogo, fiquei apreensivo quanto aos bugs que iria encontrar, mas fiquei surpreso ao perceber que o desempenho do jogo era sólido. Foram poucas as vezes notei quedas de FPS repentinas, ou objetos a atravessar paredes e NPC´s. Mas como nem tudo são rosas, o enredo previsível, repetição da gameplay e as fraquíssimas atividades secundárias fizeram com que ficasse com um sabor agridoce na boca.
Conclusão
Prós
- Atmosfera dos anos 80
- Gameplay simples e fácil de se aprender
- Grafismo bastante competente
- Trabalho sonoro bem conseguido que vai também de encontro com os anos 80
Contras
- I.A com diversos problemas
- Mapa de jogo reduzido
- Poderia não ser tão linear
- Pouca diversidade de missões

Jogo de tudo um pouco, desde a minha primeira consola de jogos, a Master System II. Desde aí muita coisa mudou, mas a paixão e dedicação aos videojogos permaneceu intacta.
Apesar de jogar de tudo um pouco, desde FPS a RPG´s, sou grande adepto de Fighting games, como o Mortal Kombat e ainda de jogos de desporto automóvel, como o Forza Motorsport. Também não dispenso boas séries e bons filmes. Sou grande fã de animes desde muito cedo, onde tenho DragonBall e Naruto como séries de eleição.
