Para o gênero First Person Shooter vamos inventar aqui e agora uma novas métricas. Tal como se discute, normalmente, os gráficos, a jogabilidade entre outros, vai passar-se a discutir “Quanto satisfatória é a shotgun?”. Se não tiver caçadeira, o jogo é automáticamente um 1 em 10. Se tiver shotgun e for satisfatória é no mínimo um 8 em 10. Depois é a quantidade e qualidade de one liners do personagem principal. Em demasia também estraga portanto tem de haver um equilíbrio. Boas one liners na quantidade certa também ganha logo pontos. Ah e o tipo de inimigo, se forem nazis, também acrescenta logo pontos ao total. Vamos ficar com isto em mente.
Este jogo está a ser feito por uma pessoa – Roger Creus, que nos trás Darkenstein 3D desde o seu estúdio em Barcelona. Citando o mesmo:
“Found a nine hour course on how to create a game similar to Wolfenstein 3-D, and I took it way far…”
Espetacular, em 9 horas aprendeu a fazer isto. Alguém contrate o homem para a NASA! Este boomer shooter como gostam de chamar a qualquer coisa na primeira pessoa que seja baseado em pixeis, é realmente muito inspirado em Wolfenstein 3D, Doom, Quake e provavelmente outros dessa era. Até quando vamos escolher a dificuldade a inspiração é evidente, em vez de selecionarmos uma opção no menu, percorremos um caminho logo no início do jogo. Exatamente como Quake.
Darkenstein 3D tem um aspecto super confuso. Os modelos dos personagens são poligonais, embora muito simplistas, assim como vários objectos pelo cenário e os próprios cenários em si. Mas depois há um aspecto forçado pixelizado que fica estranho mas que se entranha muito facilmente. E depois há os menus, caixas de texto e vários outras pormenores onde que se nota uma falta de consistência e falta de aprimoramento. Esta versão de antevisão tem muitas coisas ainda por acabar. A hit detection deixa muito a desejar com regularidade, é comum irmos a andar pelos cenários e encontrarmos paredes invisíveis nos sítios mais estranhos possíveis. Por vezes também tive a sensação de não saber muito bem o que está a acontecer com a arma e o seu recoil.
Os níveis são relativamente simples, mais ao estilo do primeiro Doom do que por exemplo de um Hexen. Também não é difícil… E isso é uma coisa que pessoalmente aprecio, os labirintos super complexos que alguns jogos trouxeram acabam por, em várias ocasiões, ser frustrantes e secantes. Aqui é mais directo, com um objectivo claro, e não são nem enormes, nem minúsculos. Temos algumas interacções com NPCs pelo meio que nos direccionam para um certo objectivo e que têm sempre algo humorístico a dizer. Aliás, todo o jogo tem um tom bastante bem humorado. Jogamos com um americano sem abrigo que, depois de uma grande bebedeira acaba preso na Alemanha em 1940. A única coisa que ele tem é um cão, o Gunther, que é um pastor alemão. Por ser dessa fabulosa raça, é raptado pelos Nazis, e o nosso mendigo, de nome Bon John Jankowiesz (Diz-vos alguma coisa? Devia!), vai matar tudo e todos para recuperar o seu companheiro.

Se isto fosse uma análise, que não é, tínhamos que dar uma nota, e não vamos. Mas vamos fazer uma simulação rápida, ou adivinhar se preferirem, a nota que este jogo pode vir a ter na sua versão final. Portanto temos aqui um developer inexperiente, com um produto com muitas arestas por limar, com problemas em quase todas as frentes. Mas o que ainda não vos disse:
- Os inimigos são Nazis.
- A shotgun é espetacular.
- O Dopefish está de volta! (Não percebeste? Devias!)
- E quando o Bon John apanhou a metralhadora disse “ahhh a portable meat grinder”.
- Existem esqueletos Nazis. Quer dizer, eles não estão fardados e têm só um escudo e uma espada, mas só podem ser Nazis, digo eu.
- Um dos boss era uma pirâmide que lançava raios.
Portanto, todas aquelas coisas negativas ficam assim anuladas. A única coisa que não consigo passar por cima é que tenho de, infelizmente, ver-me livre de demasiados cães. Não sou fã de matar qualquer tipo de animais em jogos. Ou seja, isto é um 9.5/10.
Agora a sério, este jogo é muito divertido. Faz-me voltar a tempos mais simples em que os jogos não precisavam de muita coisa para nos fazer passar horas sem conta à frente do ecrã. É mais um deste género, porque ultimamente têm surgido imensos (Prodeus, Dusk, Coven, Boltgun etc) e muitos deles são espetaculares, mas Darkenstein também o é e trás um grande trunfo na manga. Este jogo quando sair para PC mais para o fim de 2025 vai ser grátis. Sim, grátis. Por esse preço vale sem dúvida a pena! Se gostam de FPS antigos, pixel based ou não, vão sem dúvida gostar deste jogo. Passem na store do Steam e deixem o jogo da vossa wishlist, garanto que não se vão arrepender de jogar isto de borla. Ah e podem experimentar o demo, ainda dura umas duas horas e tal.

Ainda nem sabia falar como deve ser e já passava horas em frente ao meu velhinho 386. Hoje, continuo o mesmo: um fervoroso apaixonado por videojogos e por tudo o que lhes diz respeito.
