Bloodthief é daqueles jogos que parecem criados a pensar em quem não consegue estar quieto no sofá. Se és fã de parkour digital, saltos, corridas pelas paredes e combate frenético, tudo em modo speedrun, então este é o teu campo de batalha.
Aqui vestes a pele de um vampiro ladrão de sangue (literalmente). Cada golpe que acertas nos inimigos enche a tua barra de vida, aumenta a velocidade e desbloqueia novas possibilidades de movimento. O resultado é um jogo que mistura combate corpo a corpo com parkour, saltos acrobáticos e corridas contra o tempo.
O ambiente é um cenário medieval, onde encontras templários, masmorras e arenas cheias de caminhos alternativos, atalhos e segredos para descobrir. O jogo recompensa a criatividade: não é só matar inimigos, é fazê-lo da forma mais rápida e estilosa possível.
Desenvolvido pela Blargis, Bloodthief aposta forte num sistema de “momentum”: quanto mais te mexes, mais rápido e letal te tornas. É uma fórmula que tenta agradar tanto a speedrunners como a jogadores que gostam de ação visceral.
Sou fã de jogos que misturam combate com fluidez de movimento. Quando vi o trailer, pensei: “Isto é basicamente Mirror’s Edge com dentes de vampiro e uma pitada de Castlevania”. E não estava muito enganado. O ritmo (muito, muito) rápido e a liberdade de movimento foram o que mais me chamaram a atenção.
Não esperes uma narrativa épica aqui — o jogo é mais focado na ação pura. Há uma campanha principal com níveis que podes explorar de formas diferentes, mas o objetivo é simples: cortar, sugar sangue, sobreviver e repetir até seres o mestre do parkour vampírico.

O Movimento é a estrela do jogo. Corrida, saltos, deslizes, corridas em paredes, esquivas no ar — é viciante experimentar todas as formas de atravessar os níveis, tentando melhorar o nosso tempo anterior. A alta velocidade é viciante, mas também inimiga — um erro no timing e já estás a recomeçar a partir do último checkpoint.
O Combate é simples, mas satisfatório. A ligação entre cada golpe e a tua sobrevivência mantém o ritmo intenso. Cada inimigo morto, aumenta o teu nível de sangue, que é simultaneamente a tua barra de vida e a energia para ativar as tuas habilidades vampíricas. Entre golpes normais com a espada, homing attacks ou ground pounds, o teu arsenal de habilidades, permite-te lidar com os inimigos de formas muito variadas.
A Exploração é simultaneamente uma forma de encontrares atalhos (para melhorar o teu tempo), como encontrares áreas secretas, com loot que te permite adquirir novas armas. É isto que te vai incentivar a voltar aos níveis anteriores para melhorar os tempos ou encontrar tudo.
Em termos gráficos, este jogo tem um estilo 3D bem old school, com personagens com poucos polígonos e cenários com texturas muito limitadas. Penso que a estética a que se tenta atingir torna-se rapidamente tão repetitiva, como são aquelas secções em que estamos constantemente a perder. Há jogos em que este aspecto à moda antiga resulta bem, mas neste caso, penso que não encaixa como uma luva. Visualmente, pode tornar-se confuso nos momentos mais caóticos, mas encaixa bem no espírito frenético.
O design sonoro é razoável, com efeitos de impacto fortes e música a puxar para o caos organizado que o jogo pede, apesar de ser bastante repetitiva.
Consigo reconhecer méritos a este jogo, sendo bastante divertido aprender a dominar o movimento e combate. No entanto, pessoalmente, foi uma experiência agridoce. O jogo acaba por ser bastante exigente em termos de coordenação e rapidez de reação, o que para mim não é um grande problema, mas neste caso, achei bastante frustrante ter de repetir vezes sem conta algumas partes do nível.

Também há que dizer que em sessões longas de jogo, o jogo tornou-se fisicamente doloroso para os meus pulsos, devido ao facto da constante tensão e pressão exercida no rato e teclado, devido à intensidade do jogo. Tive de diminuir o tempo de jogo em cada dia, para levar avante as dezenas de níveis deste jogo.
Bloodthief é um jogo rápido, exigente e pensado para quem gosta de adrenalina digital. É viciante quando entras no ritmo, mas pode ser frustrante e repetitivo para quem não gosta de morrer dezenas de vezes só para aprender o percurso ideal ou simplesmente conseguir fazer aquele salto mais difícil, seguido de uma secção de combate com alguns inimigos que te conseguem matar rapidamente.

É um indie ousado e cheio de estilo que vai conquistar os fãs de velocidade e combate ágil, mas que pode afastar quem procura uma experiência mais calma ou variada.

Nascido em 1980, cresci a soprar cartuchos e a acreditar que gráficos de 16 bits eram o auge da tecnologia. Coleciono memórias e achievements em todas as consolas, e jogo de tudo… ou quase tudo (não quero jogar online). Para mim, cada jogo é uma viagem no tempo — às vezes para o futuro, às vezes de volta à infância.
