Depois de um hiato de quase 30 anos a série Sonic Wings (também conhecida como Aero Fighters) regressa num lançamento surpresa para os fãs de shoot’em’ups. Nesta iteração do shooter vertical, podem contar com cerca de 8 personagens irreverentes desde ninjas a golfinhos para eliminar tudo o que se mexe ao longo de 8 níveis em várias cidades do planeta.

O que traz de novo este título com 28 anos de interregno? Na minha modesta opinião, nada. Contudo, não será por isso que não deixa de ser uma boa adição para a vossa biblioteca. Seria surpreendente uma fórmula como esta conseguir trazer uma nova experiência para cima da mesa: Movemo-nos verticalmente, de baixo para cima, temos um botão de disparo com 3 níveis de potência, e dois ataques especiais. Contudo é na fluidez com que tudo isto acontece, onde encontramos o gostinho bom que os bons shooters nos tendem a proporcionar. Ajudando a potenciar o bom funcionamento de tudo isto, teremos de nos desviar dos vários projéteis que variam de pequenos fragmentos (inofensivos em pequena escala, mas destrutivos após vários embates sucessivos) a raios e balas de maior dimensão, numa catadupa de tiros que vai ficando cada vez mais desafiante à medida que avançamos. Na versão testada para Switch, em alguns momentos mais caóticos nota-se que o jogo abranda levemente, não estragando a experiência por causa disso. Novamente, nada de novo, mas altamente satisfatório.


Mesmo a singeleza dos power-ups casa bem com a experiência que o jogo nos tenta proporcionar. Existem umas cápsulas que nos aumentam o poder de tiro, tal como, as que nos dão bombas extra para ativarmos o ataque especial. Talvez a maior extravagância neste departamento, seja a possibilidade de no início de cada partida nos ser permitido escolher uma segunda personagem que podemos invocar, num segundo tipo de ataque especial.
Falando em personagens, são estas que acabam por trazer o charme a Sonic Wings Reunion. O aspecto extravagante e os diálogos divertidamente escusados que estas fazem na transição entre níveis, são impossíveis de passar ao lado, e pelo menos deixar-nos com um sorriso na boca. Com a escolha do segundo piloto de apoio é interessante ver o tipo de discurso que estas vão tendo entre si nas diferentes interações. E visto que cada run é relativamente curta (durando um máximo de 20 minutos), é fácil voltar aos níveis por diversas vezes. Até porque é possível ir desbloqueando alguns itens ao longo das várias runs. Não é um jogo visualmente extraordinário, mas é visualmente apelativo na sua maioria do tempo, com uma banda sonora eficaz a manter o espírito da boa-disposição das personagens. Talvez em alguns momentos seja um pouco complicado manter o foco na nossa avioneta, devido à paleta de cores. E verdade seja dita, em nota negativa, o último nível é insípido e desinteressante à vista, destoando completamente com os níveis restantes. Uma decisão de mau gosto e talvez até, preguiçosa por parte da Hamster que o desenvolveu

Além da versão digital, é possível encontrarem a versão física do jogo distribuída pela Reartgames, em 3 edições diferentes, sendo a Aero Edition a versão premium, distribuída com a banda sonora numa caixa semelhante às de Super Nintendo, sistema que catapultou a série.

Em suma, Sonic Wings Reunion é um jogo divertido, excelente para se ir jogando nas pausas, ou até, para limpar o paladar entre jogos mais intensos e exigentes. Não é, nem pretende ser o jogo mais espampanante da vossa coleção, mas é um que facilmente lá voltarão (sozinhos ou acompanhados) por fazer bem, o que tem que fazer bem e descomprometido com a ambição de se destacar de outros títulos do género.

Jogos? Qué isso? Quero é vinho!
