Labyrinthine | Análise

Há muito tempo que não consigo adaptar-me aos dispositivos de realidade virtual das consolas. Tive o PSVR no lançamento e sofri bastante com a baixa resolução do ecrã, a sensação artificial e o consequente motion sickness. Com o PSVR2 a experiência melhorou um pouco, mas continua longe do ideal — algo que não acontece com outros dispositivos VR de topo que já testei e analisei. Ainda assim, nunca os compraria, pois são caros e teriam pouco uso em casa.

Dito isto, há vários jogos divertidos que acabam por me escapar, e quando surgem oportunidades como esta — analisar versões “light” para consolas — não posso deixá-las passar. Labyrinthine: Console Edition, é um jogo com uma temática de terror imersivo no qual o jogador precisa de encontrar o caminho dentro de diferentes labirintos para achar a saída enquanto resolve puzzles complicados e foge de criaturas assombradas.

À partida, o que torna este título mais interessante é a possibilidade de jogar em modo cooperativo até 8 jogadores, o que — com VR — deve proporcionar uma experiência bastante envolvente. Vi algumas transmissões de pessoas a jogar cooperativamente em VR e pareceu-me, de facto, divertido. O jogo inclui 20 mapas e mais de 30 inimigos no modo história, além de um gerador de mapas que permite definir o tamanho do labirinto, a dificuldade e o tipo de inimigos. No entanto, na versão de consola, a experiência deixa muito a desejar e o estúdio precisa urgentemente de lançar uma atualização.

Alguns puzzles simplesmente não funcionam, certas portas não abrem, e há inimigos que desaparecem do nada — aqueles clássicos problemas de jogos indie que pedem um patch com urgência. Faz lembrar o lançamento caótico de Cyberpunk 2077, que só se tornou o excelente jogo que é hoje depois de vários updates. É exatamente isso que Labyrinthine precisa: melhorias e ajustes em várias mecânicas. O jogo inclui chat de voz e é cross-platform, permitindo jogar com amigos que estejam no PC ou nas consolas. Não consegui confirmar se é possível jogar entre utilizadores com e sem VR, mas é provável que sim.

Entretanto como experiência é bastante imersivo (especialmente no VR e usando ascultadores de boa qualidade deve ser ainda mais), ao caminhar por labirintos sombrios, com sons aterrorizantes de fundo e aquele medo constante de não saber o que vai encontrar ali na frente, muito menos como resolver o puzzle actual no meio de lamúrias, gritos e ruídos do ambiente. Contudo essa tensão vai se evaporando aos poucos e logo o jogador sente uma frustração imensa com algum bug ou barreira intransponivel. Os labirintos mesmo e espaços interiores em casotes ou catacumbas são vazios… escutamos barulhos, gemidos, mas é possível caminhar vários minutos sem encontrar nada, nem um objecto ou inimigo, só paredes.

Como experiência, LABYRINTHINE consegue ser bastante imersivo — especialmente com um bom conjunto de auscultadores e em VR — ao explorar labirintos escuros, ouvir sons aterradores ao fundo e sentir o medo constante do desconhecido. No entanto, essa tensão inicial acaba por desaparecer com o tempo, substituída pela frustração causada por bugs e obstáculos inexplicáveis. Os cenários — sejam labirintos, cabanas ou catacumbas — estão frequentemente vazios. O jogador ouve gemidos e ruídos, mas pode passar minutos inteiros sem encontrar nada, nem objetos, nem inimigos — apenas paredes. Labyrinthine: Console Edition é, portanto, uma experiência que talvez valha a pena revisitar — especialmente em modo cooperativo com amigos e usando VR. Sozinho, contudo, a diversão desaparece rapidamente, e os numerosos bugs e falhas técnicas acabam por arruinar a imersão.

Veredito: 4

Se tiveres óculos VR e um grupo de amigos equipados da mesma forma, este jogo pode proporcionar bons sustos e gargalhadas. Caso contrário, não vale a pena o investimento.