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Call of Duty: Black Ops 7 – Aponta, dispara e falha por pouco o alvo | Análise

O trailerCall of Duty: Black Ops 7 | Story So Far” termina com a frase: “No mundo de Black Ops, o passado nunca morre.” Em retrospectiva, soa como uma piada — e um pouco como uma ameaça. Call of Duty: Black Ops 7 é aquilo que acontece quando, em vez de deixares uma linha narrativa morrer, obrigas o seu “cadáver em avançado estado de decomposição” a relembrar o passado contigo. Claro que é uma forma interessante de revisitar um velho amigo, mas, entre momentos de diversão nostálgica, é difícil de ignorar que já é tempo mais que suficiente para seguir em frente.

Sejamos honestos: a maioria das pessoas compra Call of Duty pelo modo multijogador ou pelo modo Zombies, e embora ambos estejam tão sólidos em Call of Duty: Black Ops 7 como estavam em Call of Duty: Black Ops 6, não são assim tão diferentes. A experiência é suficientemente semelhante para te deixar com aquela sensação cínica de que pagaste o preço completo apenas para reiniciar a tua grind das camuflagens e desbloquear uma versão quase idêntica, mas com uma nova camada estética de “futuro próximo”.

Isto deve-se, em parte, ao modelo de produção bienal de Call of Duty, em que um estúdio trata de lançamentos anuais consecutivos. Os jogos parecem semelhantes porque, na verdade, são. Fazer um jogo é caro, e espera-se que Call of Duty seja tão regular quanto o EA Sports FC por exemplo.

Tendo tudo em conta, esta é uma atualização mais substancial do que a mudança entre os dois últimos remakes de Modern Warfare. O multijogador mantém as mesmas mecânicas do jogo do ano passado, mas passou por uma revisão no ritmo que traz a série de volta à ação rápida e arcade de Call of Duty: Black Ops 2 lançado em 2012.

call of duty black ops 7 - screen 1

Também introduz um novo e forte modo 20 vs 20, Skirmish, onde dois exércitos lutam pelo controlo de objetivos em dois mapas grandes. Existe ainda o novo modo Overload, onde as equipas tentam entregar um dispositivo EMP na zona segura do inimigo. De todas as novidades, Overload foi o que proporcionou as partidas mais intensas durante esta análise, e é fácil imaginar que se torne um favorito dos fãs, tal como aconteceu com o Kill Confirmed no Modern Warfare 3 de 2011 (e ainda hoje, um dos meus modos preferidos).

O modo Zombies parece ter recebido a maior fatia de atenção desta vez. Esta é a maior campanha de Zombies até agora e é, provavelmente, o grande destaque de Call of Duty: Black Ops 7, em vez de ser apenas um extra divertido. O novo mapa inclui seis locais e é tão grande que a tua equipa vai precisar de uma carrinha assombrada para se deslocar (felizmente, há uma mesmo à mão). Os jogadores têm oito personagens por onde escolher, incluindo a equipa original composta por Richtofen, Dempsey, Nikolai e Takeo.

Onde as coisas começam a ficar mais delicadas é na campanha a solo e cooperativa, bem como no modo Endgame que a acompanha. Esta é a primeira campanha cooperativa em anos, e é a mais solitária que alguma vez me senti a jogar uma campanha de Call of Duty.

call of duty black ops 7 - zombies mode

No geral, enquanto jogo de ação para um só jogador, tudo funciona bem. Mas, como título Call of Duty, vai certamente dividir opiniões. O jogo aposta fortemente na ficção científica e no terror, afastando-se quase por completo das suas raízes de shooter militar. Enquanto as entradas mais antigas se inspiravam em thrillers de ação e conflitos reais, Call of Duty: Black Ops 7 é totalmente autorreferencial, chegando mesmo a esbater as linhas narrativas e mecânicas entre si e o modo Zombies.

Tentar resumir a história deste jogo numa análise curta é algo complicado, mas irei tentar o meu melhor. A história leva os jogadores de volta ao futuro próximo de 2035 para uma nova aventura com David “Section” Mason, o protagonista de Call of Duty: Black Ops 2. David e a sua equipa de forças especiais são enviados para o Mediterrâneo para caçar uma CEO tecnológica chamada Emma Kagan, responsável pela criação de uma nova arma biológica chamada Cradle. Este gás transforma o medo numa arma e desencadeia alucinações violentas em massa — ou talvez sejam reais. As coisas ficam muito estranhas rapidamente.

À medida que o jogo avança, as missões mais realistas e ligadas ao mundo real dissolvem-se em reinterpretações – ao bom estilo Salvador Dalí – de locais clássicos de Black Ops. A história começa com a tua equipa a enfrentar ondas de robots e soldados corporativos sem rosto, mas antes que dês por isso estás a disparar rockets para dentro da boca de um Michael Rooker com 300 metros de altura e a proteger memórias de pescarias com o teu pai de serem corrompidas por aranhas demoníacas. Sim, leste bem.

call of duty black ops 7 - Kagan

Também enfrentas exércitos de prisioneiros de guerra transformados em fantasmas e disparas contra pétalas corrompidas de uma flor gigantesca feita do próprio Frank Woods. Tudo “muito normal e muito sério”.

O problema não é tanto que o tom seja diferente do que os fãs de Call of Duty esperam, mas sim que se torna enfadonho de completar. À medida que os inimigos se tornam mais irreais, absorvem cada vez mais dano, transformando tudo a partir do meio do jogo numa sequência de arenas com “esponjas de balas”.

Sempre que a história dá outra reviravolta absurda, é apenas um sinal de que te espera mais tiroteio repetitivo. É também tão consistentemente ridículo que é difícil não desligar mentalmente. Se fosse feito para provocar risadas ou como uma diversão exagerada, seria uma coisa, mas o jogo apresenta tudo com a típica arrogância de Call of Duty: “os gajos fixes ficam de costas para as explosões”.

call of duty black ops 7 - characters

Tudo isto culmina no novo modo Endgame, que estende a campanha para um shooter PvE de extração multijogador num mapa de mundo aberto. Parece bastante interessante, mas não se sente que seja algo inovador. Neste modo os jogadores entram sozinhos ou em equipa, completam missões e tentam escapar antes que o tempo acabe. Agora há zombies, e não existe PvP nem qualquer saque. À medida que completas missões e derrotas inimigos, o teu operador ganha perks, melhora armas e aumenta a sua classificação de combate. Se conseguires escapar com sucesso, podes voltar a entrar no mapa com o teu personagem melhorado para enfrentar secções mais difíceis. Se morres, o progresso é reiniciado.

É uma abordagem interessante ao género de extração, contudo a falta de PvP e a mistura entre robots e monstros pelo mapa de Avalon deixaram-me desapontado. E, tal como o resto da campanha, o Endgame é muito mais arcade do que qualquer coisa que já vi em Call of Duty. Os inimigos têm barras de vida visíveis e mostram números de dano quando são atingidos, não largam armas para apanhar no campo de batalha, e a sua força escala consoante o local onde aparecem no mapa. É a Treyarch a tentar algo novo, o que é genuinamente interessante, mas ainda não é claro se vai resultar.

Call of Duty diria que é uma série em metamorfose, que precisa de se adaptar ou então ir para a gaveta de vez. Este Black Ops 7 é a fase de crisálida incómoda — as suas partes transformaram-se em gosma. As partes boas estão a começar a recompor-se, mas ainda não se tornaram em algo novo. Para se distinguir de rivais antigos como Battlefield e de novos concorrentes como Delta Force, aposta em si próprio, reforçando a sua base de fãs do modo Zombies e regressando às suas raízes de shooter arcade.

call of duty black ops 7 - zombies truck

Na sua maior parte, resulta, mas o jogo ainda se sente sobrecarregado por encaixar à força velhas histórias e personagens num conjunto que tenta ser novo. Diria que Call of Duty: Black Ops 7 é uma carta de amor aos fãs de Zombies, e é neste modo que se nota claramente o coração do jogo. A sua aventura Dark Aether é a mais ambiciosa até agora, e a sua influência espalha-se pela campanha principal. O multijogador mantém-se em grande parte igual ao seu irmão mais velho (Black Ops 6), com mapas mais rápidos e compactos que recompensam o movimento constante e violento em vez de uma posição cautelosa. Para mim, a campanha a solo e o Endgame falham completamente (mas dois em três não é mau certo?). De realçar ainda que para se jogar a campanha, temos de estar always online (e não podes pausar sequer), sendo mais um “prego no caixão” neste belo modo. Se estiveres idle por poucos minutos, o jogo manda-te de volta para o menu principal.

Veredito: 7

Call of Duty: Black Ops 7 oferece um multijogador previsível, mas divertido, adições interessantes ao modo Zombies, mas uma campanha a solo/cooperativa enfadonha e exageradamente absurda. As bases de um bom jogo estão aqui, mas, era preferível que a Treyarch tivesse seguido uma direção totalmente diferente, mantendo ainda assim ideias interessantes como a progressão no modo campanha cruzada com o modo multijogador.