2nd EVE: um sci-fi promissor ainda à procura de impacto | Análise

Há jogos que nos conquistam antes sequer de pegarmos no comando. 2nd EVE é um desses casos. A estética, o tom, a mistura de ficção científica com simbolismo religioso, tudo aqui aponta para algo diferente. Uma nave-colónia perdida, uma protagonista com aura de culto e um mundo que parece sempre à beira de colapsar. Há identidade. Há intenção. Há, acima de tudo, curiosidade.

E durante os primeiros minutos, isso chega… Assumimos o papel de Sister Superior Zola, a bordo da ARGOS, numa viagem que rapidamente se transforma num pesadelo cósmico. O jogo faz um bom trabalho a estabelecer o ambiente. A direcção artística é consistente, o mundo tem presença e há uma base narrativa interessante o suficiente para nos puxar para a frente. Não é genérico. E isso, hoje em dia, já diz muito.

O problema é que 2nd EVE não vive só do ambiente. Sendo um action RPG com foco em combate corpo a corpo, tudo acaba por girar em torno da forma como jogamos. E é precisamente aí que o jogo perde força. O combate é funcional, mas pouco mais do que isso. Falta impacto, falta peso e falta aquela sensação de risco que este tipo de experiência pede. Os golpes não convencem, as animações raramente ajudam e os confrontos acabam por se arrastar sem grande intensidade.

Funciona, mas fica nitidamente aquém. E num jogo que depende tanto disso, não chega.

É verdade que estamos perante um título em Early Access, com margem para crescer e evoluir. Isso explica algumas arestas, claro. Mas também levanta uma dúvida difícil de ignorar: quando o núcleo da experiência já está definido, até que ponto é que ele vai realmente mudar? Porque, neste momento, o combate não parece inacabado. Parece simplesmente mal executado.

O mais frustrante é que há aqui uma base com valor. O mundo é interessante, a identidade visual resulta e há ideias que mereciam um jogo mais sólido à sua volta. 2nd EVE não é mais um indie perdido no catálogo. Tem personalidade. Tem ambição. Só ainda não tem execução à altura. E isso sente-se, muito. Com o tempo, a sensação torna-se clara: é mais interessante olhar para 2nd EVE do que jogá-lo. Há ali um universo que pede para ser explorado, mas falta-lhe um sistema que nos faça querer ficar. Falta-lhe o tal “clique” que transforma curiosidade em envolvimento.

Veredito: 4.5

2nd EVE tem uma identidade forte e um mundo com potencial, mas falha onde mais precisava de se afirmar. O combate, que deveria ser o centro da experiência, nunca ganha o peso nem o impacto necessários para sustentar o jogo. O Early Access dá-lhe espaço para evoluir, mas nesta fase a execução continua longe de acompanhar a ambição. Há aqui matéria para algo melhor. Mas, para já, fica a sensação de uma boa ideia ainda à procura do jogo certo.