Lies of P: Complete Edition – Nintendo Switch 2 | Análise

Lies of P: Complete Edition chegou finalmente à Nintendo Switch 2. Não vou fingir que descobri Lies of P em 2026, o jogo já tem três anos, já recebeu uma expansão de grande qualidade e, segundo percebi, já ganhou o seu lugar entre os melhores Soulslikes que não saíram da FromSoftware. Mas há uma coisa que torna esta versão particularmente interessante para mim: esta foi a primeira vez que entrei em Krat. Nunca joguei Lies of P e, por isso, a minha experiência com a aventura da Round8 Studio começou directamente na Nintendo Switch 2. E, muito sinceramente, a primeira coisa que pensei foi “isto tem muito bom aspecto”.

É importante fazer esta ressalva porque não tenho como comparar directamente a qualidade de imagem ou o desempenho desta versão com as consolas de actual geração. Sei perfeitamente que a Switch 2 tem limitações de hardware quando comparada com uma PS5 ou Xbox Series X, e Lies of P não esconde que foi necessário fazer alguns compromissos para colocar Krat numa consola portátil. Ainda assim, olhando para aquilo que tenho à frente, custa-me encontrar razões para me queixar. O mundo é detalhado, a direção artística é excelente e a atmosfera gótica da cidade funciona muito bem no pequeno ecrã da Switch 2. Durante o tempo que passei com o jogo não encontrei problemas técnicos que me tenham incomodado, e isso acaba por ser talvez o melhor elogio que posso fazer a esta adaptação.

Aliás, o maior problema que encontrei em Lies of P não teve absolutamente nada a ver com a Switch 2. Foi o próprio jogo. Mais concretamente, a capacidade impressionante que tem para me lembrar, vezes sem conta, que sou eu que estou a fazer alguma coisa mal. Levei porrada, muita… Mas isso faz parte da experiência e, à medida que vamos percebendo o sistema de combate, começamos a perceber que Lies of P não está simplesmente interessado em dificultar-nos a vida, quer que aprendamos.

O combate é claramente o coração da experiência e a defesa perfeita tem aqui uma importância enorme. É um sistema exigente, mas existe uma sensação muito satisfatória quando finalmente percebemos o ritmo de um adversário e começamos a responder aos seus ataques quase por instinto. E quando isso acontece depois de termos sido eliminados várias vezes, a vitória sabe ainda melhor.

A isto junta-se um dos sistemas que mais gostei de descobrir, a possibilidade de combinar diferentes lâminas e cabos para criar armas com características e movimentos distintos. Não é apenas uma questão de encontrar uma arma melhor e substituir a anterior. Experimentar combinações, perceber o tipo de ataque que cada cabo oferece e adaptar o equipamento ao nosso estilo acrescenta uma camada de personalização que funciona particularmente bem num jogo onde aprender a combater é tão importante.

A cidade de Krat é provavelmente aquilo que mais me convenceu a continuar a explorar mesmo depois de levar mais uma tareia monumental. A inspiração em Pinóquio poderia facilmente ter resultado numa curiosidade estética, mas Lies of P leva a ideia muito mais longe. A cidade em ruínas, os autómatos, os personagens que encontramos e a história de P criam um universo suficientemente próprio para deixar de ser apenas uma versão negra do conto de Carlo Collodi. Há Dark Souls no sei ADN, mas Lies of P tem identidade suficiente para não viver apenas à sombra dessas referências.

Esta Complete Edition também tem a vantagem óbvia de reunir tudo no mesmo pacote. Para quem chega agora ao jogo, como eu, significa ter a aventura original, a expansão Overture e os conteúdos adicionais já lançados. Overture acrescenta uma prequela substancial, novas áreas, armas e bosses, prolongando uma experiência que já conquistou muitos jogadores. Para quem nunca entrou em Krat, esta é uma forma particularmente completa de o fazer.

Quanto à Switch 2, existem três modos gráficos, e a escolha depende do que cada um valoriza mais. O Performance privilegia a fluidez, o Quality aposta na qualidade de imagem, e o Balanced tenta equilibrar os dois lados. Na minha experiência, não senti necessidade de sacrificar a qualidade visual para conseguir uma experiência agradável, embora a escolha acabe por depender das preferências de cada jogador.

Curiosamente, como não tenho outra versão como referência, a minha percepção acaba por ser bastante diferente. Não estou a olhar para Lies of P e a pensar que “perdeu isto ou aquilo” durante a conversão. Estou simplesmente a jogar um jogo que, apesar de ter 3 anos, me parece visualmente muito competente nesta consola portátil. E isso diz bastante sobre o trabalho feito para trazer o jogo para a Switch 2.

Também ajuda o facto de Lies of P funcionar muito bem em sessões portáteis. Podemos entrar em Krat durante meia hora, morrer estupidamente contra o mesmo inimigo e desligar a consola com a promessa de voltar mais tarde para tentar novamente. Ou podemos ficar mais algum tempo a explorar, experimentar armas e tentar perceber onde o jogo quer que avancemos. A Switch 2 acrescenta essa flexibilidade sem retirar aquilo que torna a experiência especial.

Não há, portanto, uma grande reviravolta nesta análise. Lies of P continua a ser um excelente Soulslike em 2026 e a Switch 2 recebe uma versão que, apesar das cedências técnicas inevitáveis face a hardware mais poderoso, consegue manter aquilo que realmente interessa. O combate é desafiante e recompensador, Krat é um cenário fantástico e a combinação entre a estética, a narrativa e os sistemas de progressão promete uma aventura que quero continuar a explorar.

E talvez esse seja o melhor indicador da qualidade desta versão. Depois das horas que já passei em Krat, a única coisa que me apetece fazer é voltar lá. Para levar mais porrada, naturalmente. Mas pode ser que desta vez talvez consiga dar alguma de volta…

Veredito: 8.5

Lies of P: Complete Edition prova que um bom Soulslike não perde a sua identidade só porque muda de plataforma. Mesmo sem ponto de comparação direto com as versões PS5, Xbox ou PC, a experiência na Switch 2 convence pela sua própria força: Krat é fascinante, o combate exige disciplina e recompensa quem a tem, e a Complete Edition garante que quem chega agora ao jogo o faz da forma mais completa possível. É uma conversão sólida daquele que é considerado um dos melhores Soulslikes fora da FromSoftware, e reforça que a Switch 2 é uma plataforma séria para este género.