1666: Amsterdam – O regresso de Patrice Désilets e da ideia que recusou deixar morrer

1666: Amsterdam é o novo projeto de Patrice Désilets, um dos nomes mais marcantes da história recente dos videojogos. Criador de Prince of Persia: The Sands of Time e responsável por redefinir o género com Assassin’s Creed, Désilets ajudou a moldar a forma como a indústria olha para ação histórica em mundo aberto. Saiu da Ubisoft em 2010, foi contratado pela THQ Montreal para liderar novos projetos e voltou a sair quando a Ubisoft comprou o estúdio, o despediu e cancelou 1666: Amsterdam. Seguiu-se um processo legal que, anos mais tarde, devolveu ao criador os direitos sobre o jogo. A partir desse momento, Amsterdam: 1666 deixou de ser um projeto perdido e passou a ser uma promessa adiada que Désilets nunca largou.

Com os direitos finalmente recuperados, Désilets fundou o estúdio Panache Digital Games em Montreal, ao lado de Jean‑François Boivin, em 2014. O estúdio não é estreante. Antes de Amsterdam: 1666, lançou Ancestors: The Humankind Odyssey, um jogo experimental que mostrou que Désilets continua interessado em ideias grandes, arriscadas e profundamente pessoais. Agora, com uma equipa mais madura e uma visão mais definida, Panache prepara-se para lançar aquele que sempre foi o projeto mais íntimo do seu fundador, desenvolvido ao longo de mais de 16 anos.

O que se sabe sobre o jogo confirma que não estamos perante uma simples aventura histórica. 1666: Amsterdam é um action‑adventure narrativo em terceira pessoa, com investigação e uma estrutura não linear que atravessa três linhas temporais: 1666, 1999 e o presente. A protagonista é Noa Brooklyn, criada para assumir o papel de Collector, alguém encarregada de cobrar uma dívida antiga a entidades chamadas Originals, seres que vivem entre humanos há séculos e que manipulam tempo e poder. Ao seu lado está Aaron, um rapaz arrancado de 1999 que agora vê o mundo através dos olhos de um gato. A dupla representa duas formas de abordar o jogo: Noa com bruxaria e manipulação sobrenatural, Aaron com mobilidade felina e perspetiva alternativa. A cidade de Amesterdão é apresentada como um organismo vivo, construído sobre contratos antigos, segredos enterrados e influências invisíveis que atravessam gerações.

O primeiro contacto com o jogo já está disponível. O prólogo gratuito pode ser jogado no Steam e na Epic Games Store e funciona como uma introdução ao mundo, às personagens e ao tom da narrativa. Mostra a Commencement de Noa, o momento em que ela assume o papel de Collector, e permite ao jogador escolher o companheiro que a acompanhará. É uma peça curta, com cerca de 30 minutos, focada em atmosfera, mistério e apresentação do universo. Não revela mecânicas centrais, não mostra combate e não explica sistemas. Serve apenas para aguçar o apetite e confirmar que 1666: Amsterdam existe, respira e tem uma direção clara.

O jogo é totalmente single-player e está a ser desenvolvido em Unreal Engine 5. Chega primeiro ao PC, através do Steam e da Epic Games Store, com versões para consola planeadas para mais tarde. O Early Access está previsto para este ano, com a equipa a reforçar que quer construir o jogo em conjunto com a comunidade, ajustando sistemas, ritmo e conteúdo com base no feedback dos jogadores.

Depois de mais de uma década de espera, 1666: Amsterdam está finalmente a caminho do público, desta vez sem interferências corporativas e com a visão original de Patrice Désilets intacta. O prólogo não mostra tudo, mas mostra o suficiente: há uma ideia forte, há um mundo com identidade e há um criador que nunca desistiu de o ver ganhar forma.