A série Atelier sempre teve um lugar especial no universo dos RPG japoneses. Enquanto muitos jogos do género apostam em histórias épicas sobre salvar o mundo, Atelier segue um caminho diferente, focando-se na exploração, na criação de itens e no crescimento das suas personagens. Com Atelier Yumia: The Alchemist of Memories & the Envisioned Land, a produtora Koei Tecmo procura dar um passo em frente, apresentando uma aventura maior, mais ambiciosa e mais acessível para novos jogadores.
A protagonista desta vez é Yumia Liessfeldt, uma jovem alquimista que vive num mundo onde a alquimia deixou de ser vista como uma arte respeitada. Pelo contrário, tornou-se algo temido e associado a eventos do passado que levaram à queda de uma civilização inteira. É uma premissa mais séria do que aquilo que costuma ser habitual na série, criando desde cedo uma sensação de mistério que acompanha toda a aventura.
Ao longo da história vais explorar o vasto continente de Aladiss, uma terra marcada pelas ruínas de uma antiga civilização. A missão de Yumia passa por descobrir a verdade por trás do colapso desse império e perceber qual foi o papel da alquimia nesses acontecimentos. Embora a narrativa mantenha momentos leves e descontraídos entre as personagens, existe um tom mais maduro e misterioso que ajuda a tornar a história mais interessante do que em muitos capítulos anteriores da saga.
O grande destaque está na exploração. Pela primeira vez, a série oferece áreas enormes que incentivam a descoberta constante. Em vez de pequenos mapas separados, tens regiões vastas para percorrer, recheadas de recursos, segredos, ruínas e desafios opcionais. A sensação de aventura é muito superior ao que os fãs estavam habituados e aproxima Atelier de outros RPG´s modernos.

A exploração é também bastante fluida. Yumia pode correr, saltar, escalar determinadas estruturas e utilizar várias ferramentas para interagir com o ambiente. O resultado é um mundo que convida naturalmente à curiosidade. Quase sempre existe algo interessante para recolher ou investigar, tornando as viagens entre objetivos mais divertidas e menos repetitivas.
Como seria de esperar, a alquimia continua a ser o coração da experiência. Recolher materiais espalhados pelo mundo permite criar armas, armaduras, consumíveis e uma enorme variedade de objetos úteis. O sistema de síntese mantém uma boa profundidade sem se tornar demasiado complicado para quem entra na série pela primeira vez.
A criação de itens continua a ser incrivelmente viciante. Muitas vezes vais dar por ti a desviar-te da missão principal apenas para procurar ingredientes mais raros ou aperfeiçoar uma receita. Existe uma enorme satisfação em criar um objeto poderoso e depois ver os seus efeitos durante os combates.

O sistema de combate também recebeu várias alterações importantes. As batalhas acontecem em tempo real, mas continuam a incorporar elementos estratégicos. As personagens podem movimentar-se pelo campo de batalha, alternar posições e executar diferentes habilidades consoante a distância em relação aos inimigos.
Esta abordagem torna os confrontos mais dinâmicos e visualmente impressionantes. Há uma maior sensação de ação, mas sem abandonar completamente a componente táctica que caracteriza os RPG´s japoneses. Os jogadores mais experientes encontrarão espaço para criar estratégias eficazes, enquanto os novos jogadores conseguem compreender rapidamente as mecânicas principais.
Visualmente, Atelier Yumia: The Alchemist of Memories & the Envisioned Land apresenta um dos melhores aspetos gráficos da série. O estilo anime continua presente, mas os cenários são mais detalhados, as animações mais suaves e os efeitos visuais bastante mais elaborados. As paisagens de Aladiss conseguem transmitir uma sensação genuína de escala e ajudam a reforçar a componente de exploração.

Na versão da Nintendo Switch 2 (onde foi realizada esta análise), o jogo deveria ter uma apresentação mais estável do que seria possível na geração anterior. Os ambientes mais amplos, a maior distância de visão e a fluidez geral deveriam contribuir para uma experiência bastante agradável, mesmo durante as batalhas mais caóticas. O que é certo é que existem problemas de frame rate um pouco por todo o lado, e até surgir um patch para tentar melhorar a fluidez de jogo, tenho que jogar o jogo a menos de 30 fps. “Não mata, mas esfola”.
A banda sonora merece também ser destacada. As músicas alternam entre temas relaxantes durante a exploração e composições mais épicas durante os momentos importantes da narrativa. É uma banda sonora que complementa perfeitamente o ambiente do jogo e ajuda a criar uma identidade própria para esta aventura.
Um ponto a ter em conta e que poderá dividir opiniões é a própria estrutura da série. Quem procura um RPG focado exclusivamente em ação intensa ou em combates constantes poderá sentir que existe demasiado tempo dedicado à recolha de materiais e aos sistemas de criação. No entanto, para os fãs da série Atelier, isso continua a ser precisamente uma das maiores qualidades da experiência.

Atelier Yumia: The Alchemist of Memories & the Envisioned Land representa uma evolução significativa para a saga. A combinação entre uma história mais intrigante, um mundo muito mais aberto à exploração e um sistema de alquimia extremamente recompensador resulta numa aventura envolvente do princípio ao fim. Não reinventa completamente a fórmula, mas moderniza-a de forma inteligente e torna-a mais apelativa para um público mais vasto. Para os fãs da série, é um dos capítulos mais ambiciosos e completos dos últimos anos. Para quem nunca experimentou um jogo da série, pode muito bem ser a melhor porta de entrada para descobrir aquilo que torna esta franquia tão especial.

Jogo de tudo um pouco, desde a minha primeira consola de jogos, a Master System II. Desde aí muita coisa mudou, mas a paixão e dedicação aos videojogos permaneceu intacta.
Apesar de jogar de tudo um pouco, desde FPS a RPG´s, sou grande adepto de Fighting games, como o Mortal Kombat e ainda de jogos de desporto automóvel, como o Forza Motorsport. Também não dispenso boas séries e bons filmes. Sou grande fã de animes desde muito cedo, onde tenho DragonBall e Naruto como séries de eleição.
