A beta de Call of Duty: Black Ops 7 já está disponível em acesso antecipado. É a primeira oportunidade para experimentar o novo capítulo da série antes do lançamento oficial, marcado para 14 de novembro. Desenvolvido em conjunto pela Treyarch e pela Raven Software, este jogo assume-se como sequência direta de Black Ops 2.
Logo no arranque, há alguns detalhes a destacar. Quando o jogo completo chegar às lojas, contará com três mapas clássicos de Black Ops 2 — Hijacked, Express e Raid — devidamente remasterizados. Contudo, na fase atual de testes não estão disponíveis. Em vez disso, os jogadores podem experimentar quatro novos cenários: The Forge, Cortex, Exposure e Imprint. Estão ainda confirmados modos tradicionais como Team Deathmatch, Domination, Hardpoint e Kill Confirmed, a par de uma novidade chamada Overload, que é uma espécie de capture the flag.
Depois de passar cerca de oito horas no jogo, a primeira coisa que salta à vista é o ritmo frenético. A nova abordagem à movimentação — o chamado omnimovement system — abre espaço para corridas, saltos em paredes e deslocações mais livres do que nunca. Isto dá uma sensação de dinamismo que encaixa muito bem na ideia de tiroteios rápidos e intensos. Porém, ao mesmo tempo, há um lado menos positivo: esta liberdade cria um caos constante, que pode ser difícil de gerir, sobretudo em mapas mais fechados e para jogadores menos experientes. E aqui surge o dilema. Por mais divertida que seja a ação, não consigo evitar uma certa sensação de déjà vu. A estrutura base mantém-se praticamente igual ao que a série vem oferecendo há mais de uma década. Para quem acompanha o multiplayer anualmente e passa centenas de horas em cada edição, isso não será um problema. Mas quem chega agora ou procura algo que realmente inove poderá sentir que está apenas a jogar mais do mesmo.
Este ano tive a oportunidade pouco habitual de testar quase em simultâneo dois grandes rivais da cena multiplayer: Call of Duty: Black Ops 7 e Battlefield 6. Ambos apresentam experiências sólidas, polidas e bem executadas, mas ambos também me transmitiram a mesma familiaridade excessiva, que rapidamente pode descambar em monotonia. Ainda assim, diverti-me mais com Black Ops 7, precisamente por essa intensidade constante que se mantém viciante mesmo quando parece que nada de novo está a acontecer.
Se há algo que me deixou mais reticente, foi o design dos mapas disponíveis na beta. Apesar de funcionais, nenhum deles se destacou. São arenas competentes, mas sem identidade. Destaco pela positiva o mapa The Forge que foi de longe o que mais joguei, e que é uma arena muito compacta onde a jogabilidade é incrivelmente frenética. O mesmo se aplica ao novo modo Overload. A ideia de disputar um dispositivo e transportá-lo até pontos designados tem potencial, mas na prática pouco acrescenta. O segmento de Zombies presente no acesso antecipado sofre do mesmo problema do multiplayer. Funciona bem, mas não surpreende. As mecânicas de sempre estão lá: acumular pontos, investir em upgrades, resistir a vagas sucessivas de mortos-vivos. Não é mau, mas também não desperta grande entusiasmo para regressar vezes sem conta.
Para o lançamento estão prometidos 18 mapas multijogador no total, um modo Zombies expandido, campanha cooperativa para quatro jogadores na qual estou muito interessado, visto serem sempre excelentes experiências de acção militar e, claro, suporte contínuo com novos conteúdos ao longo dos meses. Call of Duty: Black Ops 7 não é um jogo mau, longe disso. Pelo contrário: é extremamente polido, tecnicamente irrepreensível, com armas responsivas, disparos precisos e uma movimentação que nunca foi tão fluida. É uma máquina bem oleada, talvez até demasiado. O grande problema é que, apesar das novidades pontuais, tudo parece demasiado familiar. Para os veteranos da série, isso pode ser exatamente o que procuram. Para quem quer algo fresco, parece que vai saber a pouco.
Ainda nem sabia falar como deve ser e já passava horas em frente ao meu velhinho 386. Hoje, continuo o mesmo: um fervoroso apaixonado por videojogos e por tudo o que lhes diz respeito.
