Deadhaus Sonata chega através de Early Access com uma promessa enorme às costas. Não só porque o conceito de um ARPG onde encarnamos criaturas das trevas tem potencial, mas porque um dos nomes por detrás do projeto, Denis Dyack, esteve também na génese de Blood Omen: Legacy of Kain, um clássico que marcou toda uma geração. A expectativa era alta. O problema é que o estado atual do jogo não acompanha essa herança, e isso torna-se ainda mais evidente quando lembramos que este Early Access é pago, apesar de o jogo estar planeado para ser free‑to‑play no lançamento final.
A primeira coisa que se sente é a falta de optimização. Deadhaus Sonata corre mal em máquinas que lidam com jogos AAA sem esforço, obrigando a baixar a resolução e a reduzir definições ao mínimo para atingir framerates aceitáveis. Mesmo assim, há quedas constantes, stuttering e momentos em que o jogo parece simplesmente não aguentar o próprio peso. Para um título que ainda está a tentar construir a sua base de jogadores, isto é um obstáculo enorme.
Os problemas técnicos estendem-se às animações. As personagens movem-se de forma rígida e mecânica. Ataques sem impacto, transições bruscas e um combate que nunca chega a ganhar fluidez tornam difícil sentir qualquer ligação ao que está no ecrã. A sensação é a de um protótipo funcional, não de um Early Access que pretende evoluir para um ARPG completo.
A variedade de inimigos também deixa a desejar. A maioria parece uma repetição do mesmo modelo com pequenas alterações, o que rapidamente retira tensão e interesse aos combates. A falta de diversidade visual e comportamental reforça a ideia de que o jogo ainda está demasiado cru, com conteúdo insuficiente para justificar o estado atual.
Mesmo a nível estrutural, o Early Access oferece pouco. Apenas uma classe jogável, um mapa principal e um dungeon que proporcionam uma experiência curta e repetitiva. A interface é pouco polida, há problemas de som, feedback visual inconsistente e mecânicas mal explicadas. Tudo isto contribui para uma sensação de inacabado que vai além do que normalmente se aceita num projeto em desenvolvimento.
Deadhaus Sonata tem ideias interessantes e um ADN que podia dar origem a algo especial, mas o estado atual está longe do que seria razoável esperar, especialmente considerando o peso do nome associado ao projeto. A optimização deficiente, as animações rígidas, a repetição de inimigos e a falta de conteúdo tornam difícil de o recomendar neste momento.
Se a equipa conseguir transformar o feedback em melhorias reais, o jogo ainda pode encontrar o seu caminho. Mas, por agora, Deadhaus Sonata parece ter chegado demasiado cedo, sem a estrutura necessária para sustentar a ambição que carrega.
Deadhaus Sonata apresenta potencial, mas o Early Access está demasiado verde para justificar a compra, sobretudo quando o jogo será gratuito no futuro. A optimização é fraca, o conteúdo é escasso e a execução está longe do nível que se esperaria de um projeto com esta herança.

Começou a jogar num spectrum 48k e desde então tem uma paixão por videojogos, não imagina a sua vida sem jogar. Fã de RPGs, First Person Shooters e jogos Third Person.

