Está confirmado: a Electronic Arts (EA), uma das maiores editoras de videojogos do mundo, vai ser vendida por 55 mil milhões de dólares. O acordo foi anunciado esta tarde e coloca oficialmente fim a semanas de rumores noticiados por fontes como o Wall Street Journal e a CNBC. O consórcio de compradores inclui o Public Investment Fund (PIF) da Arábia Saudita, a gestora de investimentos Silver Lake, e a Affinity Partners, de Jared Kushner. Com este negócio, a EA deixa de ser cotada em bolsa e passa a ser uma empresa privada.
O valor pago representa um prémio de 25% sobre a avaliação de mercado da EA, traduzindo-se em 210 dólares por ação. O financiamento envolve cerca de 36 mil milhões em capital direto dos investidores e o restante através de empréstimos, configurando-se como o maior leveraged buyout (LBO) da história. Para comparação, este é o segundo maior negócio da indústria dos videojogos, ficando apenas atrás da aquisição da Activision Blizzard pela Microsoft em 2023, avaliada em 69 mil milhões de dólares.
O CEO Andrew Wilson continuará no cargo, tendo descrito o acordo como um “reconhecimento poderoso” do trabalho da empresa e prometendo “experiências transformadoras para as próximas gerações”. Ainda assim, especialistas alertam para riscos associados ao endividamento da operação, que poderá ultrapassar os 20 mil milhões de dólares. Isso pode pressionar a EA a garantir receitas robustas com franquias como EA Sports FC, Madden NFL e Battlefield, potencialmente à custa de investimento em novas propriedades intelectuais. Há também receios de possíveis cortes internos, caso os investidores exijam margens de lucro mais imediatas.
A compra representa um novo passo na estratégia da Arábia Saudita para ganhar peso na indústria global dos videojogos. O país já detém participações em gigantes como Nintendo e Take-Two, além de ter adquirido a divisão de gaming da Niantic, responsável por Pokémon Go, por 3,5 mil milhões de dólares. O PIF, fundo soberano controlado pelo príncipe Mohammed bin Salman, tem investido fortemente em eSports, organizando torneios internacionais e preparando a realização dos Jogos Olímpicos de eSports em 2027.
Resta agora perceber como será a nova fase da EA enquanto empresa privada e até que ponto o consórcio de investidores permitirá à editora manter o equilíbrio entre as suas grandes franquias e a inovação em novos projetos.
Num setor cada vez mais marcado por fusões e aquisições, o futuro da EA poderá tornar-se um dos casos mais acompanhados dos próximos anos.
Ainda nem sabia falar como deve ser e já passava horas em frente ao meu velhinho 386. Hoje, continuo o mesmo: um fervoroso apaixonado por videojogos e por tudo o que lhes diz respeito.
