Acho que percebi bastante cedo que alguns jogos que pareciam empolgantes e cheios de energia nas máquinas de arcadas não se traduziam tão bem para os ecrãs mais pequenos e para o hardware mais limitado das consolas caseiras. Avançando algumas décadas para a frente, a história repete-se com Fast & Furious: Arcade Edition — um jogo de corridas que parece pertencer muito mais à azáfama dos salões de arcada do que ao conforto das consolas domésticas, onde as suas limitações se tornam dolorosamente evidentes.
Desenvolvido pela Raw Thrills, Fast & Furious: Arcade Edition faz exatamente aquilo que promete, para o bem e para o mal. Sendo uma adaptação quase direta da versão arcada com o mesmo nome, o jogo não causa a melhor das primeiras impressões: logo ao iniciar, é apresentado um vídeo com compressão péssima, exibido no ecrã inicial num estilo de “attract mode” típico das máquinas de arcade — mas que, infelizmente, acaba por ter o efeito oposto ao pretendido.
Depois de alguns toques nos botões e de ouvir umas quantas falas altas e embaraçosas vindas do narrador super irritante do jogo, rapidamente escolhemos o nosso carro e entramos na verdadeira ação de Fast & Furious: Arcade Edition.
Com seis níveis diferentes — cada um situado numa parte distinta do mundo, incluindo locais tão marcantes como Hong Kong ou Havana – o jogo atira-te diretamente para a corrida. Aqui, não só competes contra outros fanáticos por velocidade pela supremacia nas pistas, como também tens de cumprir objetivos específicos, como impedir o lançamento de um míssil ou evitar a explosão de uma bomba.
Embora esses objetivos soem entusiasmantes no papel, na prática não há muito mais a fazer além de ficar em primeiro lugar, já que o sucesso ou fracasso depende apenas de o nosso carro conseguir saltar para dentro do míssil ou da bomba que tens de impedir. Como resultado, estes “objetivos” acabam por parecer apenas um adorno estético, uma espécie de camuflagem visual para a mecânica tradicional de corrida até à meta, o que é, no mínimo, um pouco decepcionante.
Fast & Furious: Arcade Edition não quer saber de ray tracing, iluminação global ou qualquer dessas tecnologias modernas — “afinal”, trata-se de um jogo de arcada da era de 2022 que mais parece um título dos primeiros anos da geração PS3, trazido à força para as consolas atuais com pouquíssimas melhorias significativas.

Na verdade, o jogo mal demonstra qualquer respeito pela licença Fast & Furious de que partilha o nome — até porque Dominic Toretto e companhia nunca embarcaram em aventuras motorizadas tão absurdas como estas (e isso já é dizer muito). Fora o uso pontual da fonte oficial da saga e a presença de alguns veículos dos filmes, há muito pouco aqui que lembre realmente o universo de Velocidade Furiosa.
Se conseguires ignorar esses pormenores, o núcleo da jogabilidade de Fast & Furious: Arcade Edition até é bastante divertido (pelo menos durante uns bons 30 minutos). As corridas decorrem a uma velocidade vertiginosa, e em cada pista vais disparado pela estrada fora, realizando saltos em câmara lenta através de janelas, desfiladeiros, edifícios e outras acrobacias insanas, tudo a mais de 300 km/h, num verdadeiro espetáculo de exagero e adrenalina digno das arcadas clássicas.
Há aqui uma forte aposta na destruição cinematográfica — algo que raramente se vê nos jogos de corridas modernos. Para os jogadores mais nostálgicos, a comparação mais próxima seria provavelmente Split/Second, lançado em 2010, já que Fast & Furious: Arcade Edition coloca-nos a disparar por complexos industriais gigantes, acelerar por desfiladeiros em colapso e atravessar estradas que explodem à tua volta, num caos espetacular digno dos velhos tempos das arcadas puras e intensas.

Mesmo assim ainda é preciso um mínimo de habilidade para alcançar o tão cobiçado primeiro lugar em cada corrida — e grande parte disso depende de saber quando ativar o nitro, elemento essencial para ultrapassar os adversários no momento certo. Além disso, é possível usar power-ups ao estilo EMP de forma tática, desativando temporariamente os rivais.
Também podes eliminar outros veículos ao empurrá-los violentamente para fora da estrada, mas, como o jogo não possui um sistema de física realista — nada comparável, por exemplo, a algo como Burnout Paradise —, os carros simplesmente voam e rodam pelo ar como se não tivessem peso, o que faz com que estas colisões percam impacto e credibilidade.
Fast & Furious: Arcade Edition também tenta dar mais dinamismo à jogabilidade, oferecendo rotas alternativas fora do percurso principal, que podem reduzir o tempo das corridas — desde que te lembres de as seguir. Embora o núcleo da jogabilidade seja divertido, tanto no modo a solo como no multijogador em ecrã dividido, o jogo sofre de um problema evidente: a falta de conteúdo. Em termos simples, Fast & Furious: Arcade Edition precisa de mais de tudo um pouco — mais pistas (há apenas seis), mais veículos, mais power-ups, mais modos e, acima de tudo, mais motivos para continuar a jogar.

Consigo imaginar que, quando se está num carro em miniatura hidráulico ligado a uma máquina de arcade que vibra e “explode” com a apresentação audiovisual de Fast & Furious: Arcade Edition no máximo, é algo bastante envolvente, se não ligeiramente intoxicante, oferecendo uma rápida dose de diversão de corridas arcade. Em casa, no entanto, e sem esses truques performativos, o jogo deixa de impressionar e realmente precisa de muito mais conteúdo em torno da sua base para justificar a sua existência fora do barulho do ambiente arcade que lhe deu origem.

Jogo de tudo um pouco, desde a minha primeira consola de jogos, a Master System II. Desde aí muita coisa mudou, mas a paixão e dedicação aos videojogos permaneceu intacta.
Apesar de jogar de tudo um pouco, desde FPS a RPG´s, sou grande adepto de Fighting games, como o Mortal Kombat e ainda de jogos de desporto automóvel, como o Forza Motorsport. Também não dispenso boas séries e bons filmes. Sou grande fã de animes desde muito cedo, onde tenho DragonBall e Naruto como séries de eleição.
