Depois de uma boa receção no PC, Heroes of Mount Dragon chega finalmente às consolas, trazendo consigo a experiência que conquistou uma comunidade fiel. Nesta adaptação, a Runiq procurou garantir que a transição fosse o mais natural possível, respeitando o ritmo e a fluidez do jogo original, mas adaptando os controlos e menus à ergonomia dos comandos. O resultado é uma experiência que se sente confortável em consola, sem comprometer a experiência que os jogadores de PC têm vindo a relatar.
Para quem chega agora ao universo, Heroes of Mount Dragon não é apenas um jogo isolado. Este mundo já existe fora da esfera dos videojogos em forma de livros, jogos de tabuleiro e cartas, entre outras formas. Esse ecossistema narrativo ajudou a cimentar a identidade da série, repleta de dragões, clãs e intrigas políticas que agora encontra nas consolas uma nova plataforma. É interessante ver como se aproveita esse material para dar textura ao mundo, enchendo-o de pequenas referências que os fãs mais atentos vão reconhecer.
Em termos de jogabilidade, a versão de consola proporciona uma adaptação intuitiva ao comando, com atalhos simples e um ritmo de jogo relativamente suave. A curva de aprendizagem é suave e facilmente nos vamos adaptando aos combos ou estilo de cada personagem. Temos várias por onde escolher e as suas características variam entre rapidez, resistência ou um misto de ambos. É o tipo de jogo que nos faz pensar “só mais uma missão” e perceber que já passou uma hora…
Visualmente, Heroes of Mount Dragon brilha com uma direção artística que aposta num 3D com linguagem de cartoon, onde cada personagem parece saída de uma ilustração. As cores são vibrantes e há um cuidado especial nas pequenas animações de fundo, efeitos atmosféricos, inimigos que se movimentam e algumas vezes saem dos planos mais afastados para a zona de combate. Todo o fundo é muito dinâmico pois está construído em vários planos, que se deslocam em diferentes velocidades enquanto acompanham os movimentos do personagem. Esses detalhes não só dão alma ao cenário como reforçam a sensação de dinamismo do mundo em que nos encontramos.
O combate não é dos mais difíceis e as vezes em que vi o ecrã de Game Over foi mais por pressa e falta de paciência do que dificuldade em derrotar os inimigos. Sendo um side scroller a fómula não é nova, embora os personagens evoluam e vão ganhado upgrades. O elemento RPG é pequeno mas confere uma adição engraçada ao jogo. Passado algum tempo dei por mim a prescindir dos combos em prol de ataques básicos, aliados a uma procura em esquivar os golpes adversários, que rapidamente se tornam previsíveis, o que só veio reforçar o grau de dificuldade do jogo. A IA também não é das melhores e muitas vezes os inimigos ficavam parados no ecrã ou aleatoriamente às voltas, enquanto o meu personagem combatia outros. Não notei estratégia ou procura em flanquear ou coordenar ataques, era cada um por si.

A característica que poderia ser mais interessante acaba por ser a menos impactante. Enchendo uma barra de energia ficamos com capacidade de nos transformar em dragão e lançar um ataque de fogo, que rapidamente dizima inimigos mais fracos. Sinto que esta capacidade foi mal aproveitada. Um personagem que se transforma em dragão para apenas lançar um ataque de fogo é mais uma oportunidade perdida do que uma força.
Em suma, Heroes of Mount Dragon é uma experiência divertida mas dificilmente memorável, valendo muito pelo aspeto visual e pela banda sonora que o acompanha.

Mesmo com algumas questões a apontar, Heroes of Mount Dragon tem como um dos seus pontos fortes o aspeto visual, aliado a uma experiência coerente que certamente fará as delícias dos amantes do género, ainda mais tendo a possibilidade de ter 4 amigos a jogar em simultâneo. Com vários heróis para explorar acaba por convidar a percorrer novas campanhas, noutra pele e com outra abordagem. Não tendo jogado a versão PC diria que a adaptação às consolas foi um êxito, uma vez que toda a experiência é fluída e as questões a apontar aparentam ser transversais a todas as plataformas.

Começou a jogar num spectrum 48k e desde então tem uma paixão por videojogos, não imagina a sua vida sem jogar. Fã de RPGs, First Person Shooters e jogos Third Person.
