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Midnight Murder Club – Um tiro no escuro | Análise

Já alguma vez foste a uma festa onde cortaram a luz, todos estavam armados e ninguém se deu ao trabalho de te explicar as regras? Pois bem, Midnight Murder Club é exatamente isso: um shooter  onde a escuridão é a pista de dança e os tiros são o ritmo.

Aqui entras numa mansão vitoriana completamente às escuras, armado apenas com um revólver e uma lanterna. É um shooter multijogador em primeira pessoa que mistura tensão e gargalhadas, com o chat de proximidade a garantir que ouves os passos, os sussurros… e o riso malévolo de quem está prestes a dar-te um tiro. O ritmo é rápido, mas a escuridão obriga-te a abrandar um pouco e pensar antes de ligar a tua fiel lanterna ou carregar no gatilho.

Midnight Murder Club é desenvolvido por Velan Studios, que também já trabalhou em títulos como Mario Kart Live Circuit e Knockout City. Chegou primeiro em Early Access em março de 2025 e a versão completa aterrou agora, no PC e Playstation 5, com direito a crossplay e cross-progression. Os grandes trunfos? O modo Wildcards, que muda as regras de cada partida, e o Guest Pass, para convidares até cinco amigos para jogarem contigo, sem pagarem nada.

Adoro shooters frenéticos ao estilo de Doom ou Wolfenstein, mas confesso que raramente toco no multiplayer desses jogos. Prefiro campanhas single player que me desafiem ou que me prendam com uma boa história. Este chamou-me a atenção pela promessa de uma experiência social para arrancar sustos e gargalhadas — queria perceber se funcionava como um “party game” com pistolas.

A história é mínima: estás na Wormwood Manor e tens de sobreviver… ou ser o caçador. Tens alguns modos online típicos como Free-for-All ou Team Deathmatch,  mas a estes modos, junta-se o modo Wildcards.

O modo Wildcards, permite que cada um dos 6 jogadores, escolha uma carta que muda as regras do jogo para toda a gente, como por exemplo, todos os jogadores têm cabeças grandes, deixam um rasto de luz à sua passagem  ou explodem em chamas quando morrem.

Uma pequena nota para quem é muito competitivo nestes jogos… O cross-play é ótimo para juntar ainda mais jogadores à diversão, mas quando eu jogo com um comando na PS5, enquanto os outros estão a usar o rato num PC, desiquilibra um pouco a balança.

Se não és fã de competição direta, podes optar pelo Graveyard Shift, onde jogas sozinho ou com um amigo em modo cooperativo, ultrapassando vários desafios, contra inimigos controlados pela IA.

Em contraponto a praticamente todos os shooters multijogador, não esperes progressão ou personalização dos personagens e armas, uma vez que toda a gente está equipada com o mesmo revólver de seis balas e apenas existe um único mapa para explorar.

A ideia original deste jogo: jogar na escuridão total, podendo acender uma lanterna para te orientares, vendo apenas o pequeno foco à tua frente ou as   zonas iluminadas pelas lanternas dos outros jogadores. Mesmo no breu completo, não ficas totalmente desorientado: há pequenas partículas de pó no ar que te ajudam a teres uma percepção de movimento. Na escuridão, não tens qualquer interface, que apenas surge com a lanterna acesa, na qual tens um útil mapa que te ajuda a teres uma noção do layout da mansão e da localização das portas e escadas.

Pitch black

A mansão está bem detalhada e a iluminação dinâmica cria momentos realmente tensos. É pena que a falta de variedade visual e de mapas alternativos acabe por reduzir o impacto a longo prazo.

O som 3D está bem executado — com uns bons auscultadores consegues ouvir o ranger do chão, perceber de onde vêm os passos, onde alguém abriu uma porta ou um tiro… provavelmente nas tuas costas. A isto junta-se o chat de proximidade, em que podes ouvir as vozes dos outros jogadores ou os pequenos sons que eles emitem para tentar fazer alguns mind games.

Se fores jogar sozinho, não esperes nada de especial. Mas com um conjuntos de amigos, pode ser uma boa desculpa para passarem umas horas a rir e a pregar sustos. O problema é que essa diversão dificilmente se prolonga: sem novas armas, progressão ou mapas, o jogo gasta-se depressa. Para sessões ocasionais, cumpre o que promete — mas não vai ficar na tua lista de favoritos por muito tempo.

Conclusão

Prós

  • Atmosfera única e mecânica da escuridão bem pensada.
  • Chat de proximidade para aumentar tensão e diversão.
  • Modo Wildcards que mudam o jogo a cada partida.
  • Guest Pass para chamares amigos sem custo extra.

Contras

  • Sem progressão ou personalização de armas ou personagens.
  • Apenas um mapa.
  • Pouca longevidade.
  • Pouco apelativo para quem prefere single player.

Midnight Murder Club é perfeito para uma noite de jogo com amigos. É meio caótico, meio assustador, e todo o charme vem dessa mistura. Só que, com o passar do tempo ou sem companhia, a mansão perde muito da sua vida (e das tuas gargalhadas).