Nicktoons & The Dice of Destiny – Um ARPG simples que brilha com a melhor companhia | Análise

Nicktoons & The Dice of Destiny é um daqueles jogos que à primeira vista não prometem muito, mas acabam por te deixar surpreendido pela forma como conseguem ser leves, despretensiosos e divertidos dentro das suas próprias limitações. Lançado para várias plataformas, este título da GameMill coloca as personagens mais icónicas da Nickelodeon num formato de action-RPG simplificado, pensado claramente para um público mais jovem, mas com charme suficiente para entreter adultos que cresceram com estas caras conhecidas da televisão. É um jogo pequeno em ambição, mas com o coração no sítio certo.

Visualmente, The Dice of Destiny não tenta impressionar. Na verdade, o seu aspecto gráfico é minimalista e até algo ultrapassado, especialmente quando comparado com outros títulos da geração atual, mesmo que também eles modestos. As texturas são simples, as animações são básicas e a iluminação é no máximo funcional. No entanto, o estilo visual cumpre exatamente o que se propõe: dar um ambiente colorido, animado e leve aos cenários, evocando a estética vibrante dos desenhos animados que lhe dão origem. O resultado é um jogo que pode não ser tecnicamente impressionante, mas é visualmente coerente e agradável de ver, principalmente quando se encara como um produto voltado para a diversão familiar. A arte, mesmo sem grandes efeitos, funciona porque mantém a alma das séries originais, ainda que relativamente genérica.

Em termos de estrutura, o jogo segue a fórmula clássica de um ARPG, mas numa versão altamente simplificada. Escolhes uma das várias personagens jogáveis, cada uma com o seu próprio conjunto de habilidades, e embarcas numa série de níveis repletos de inimigos para derrotar, loot para apanhar e experiência para ganhar. Além dos bosses, os monstros não oferecem muita diversidade no que toca à nossa abordagem aos vários ataques, sendo muito apenas um reskin por áreas. Podemos equipar armas e armaduras, subir de nível e desbloquear novas habilidades, tudo o que se espera de um jogo de ação e progressão, mas de uma forma mais direta e acessível. É quase como se tivessem pegado nas bases de um Diablo ou Torchlight e as tivessem reduzido ao essencial, removendo camadas de complexidade e deixando apenas o que é preciso para que a experiência seja divertida e fácil de entender. É um ARPG ultra simplificado com personagens da Nickelodeon — e essa descrição resume perfeitamente a proposta.

Um dos aspetos mais interessantes é a diversidade entre as personagens. Cada uma tem um conjunto de ataques e habilidades únicas que influenciam bastante a forma como jogamos. Há uma tentativa genuína de fazer com que todas pareçam diferentes, e isso é algo que o jogo acerta em cheio. Infelizmente, o equilíbrio entre elas nem sempre é o ideal. Algumas personagens são claramente mais eficazes e tornam o jogo consideravelmente mais fácil, enquanto outras exigem mais esforço para obter o mesmo resultado. Ainda assim, é de louvar a tentativa de dar identidade a cada herói, algo que muitos jogos maiores nem sempre conseguem, mesmo com uma complexidade muitissimo maior. Experimentar novas personagens é parte da diversão e contribui para a rejogabilidade, que apesar de limitada, existe precisamente por causa desta variedade.

A campanha em si é relativamente curta. Ver tudo o que o jogo tem para oferecer leva cerca de dez horas, o que é aceitável considerando o público-alvo e o estilo de jogo. Há algum incentivo para voltar a jogar, seja para testar novas personagens, experimentar diferentes combinações de habilidades ou simplesmente repetir fases por diversão. No entanto, é importante dizer que The Dice of Destiny não é um jogo pensado para longas sessões. Ele é mais agradável em doses curtas, e jogar durante muito tempo seguido pode torná-lo um pouco repetitivo. A simplicidade que o torna acessível também o limita em termos de profundidade, e é fácil sentir alguma monotonia depois de algumas horas.

Mas o verdadeiro ponto forte de Nicktoons & The Dice of Destiny está no seu modo cooperativo. O jogo permite que até quatro jogadores participem simultaneamente, em modo local, e essa é talvez a sua melhor característica. É algo surpreendentemente raro em ARPGs modernos, e aqui é implementado de forma simples e eficaz. Com duas pessoas, o jogo atinge um ótimo equilíbrio entre diversão e desafio; com três ou quatro, a experiência torna-se caótica, por vezes até demais, mas nunca deixa de ser divertida. O caos faz parte da graça — embora também torne tudo bastante mais fácil, especialmente quando os jogadores sabem o que estão a fazer. A presença de co-op local faz deste jogo uma excelente proposta para quem procura algo para jogar em família, sem complicações nem menus extensos.

E é precisamente esse o ponto: The Dice of Destiny é claramente um jogo pensado para um público mais jovem. As suas mecânicas simples, o ritmo direto e a estética colorida tornam-no ideal como uma porta de entrada para o género ARPG. É o tipo de jogo que um pai ou uma mãe pode pegar e, em poucos minutos, estar a jogar com os filhos sem precisar de explicar muito. A progressão é intuitiva, os controlos são fáceis de dominar, e o jogo recompeGoosebumps: Terror in Little Creek – Entre a nostalgia, a simplicidade e as fragilidades técnicas | Análisensa a exploração e a experimentação sem nunca punir o jogador de forma frustrante. Ao mesmo tempo, há aqui algo para o jogador mais velho: a nostalgia de ver personagens da infância em novos papéis, misturada com o prazer simples de um combate leve e satisfatório.

No fim, Nicktoons & The Dice of Destiny não tenta ser mais do que é, e talvez por isso funcione. É um jogo modesto, linear, sem grandes surpresas, mas divertido dentro do seu próprio escopo. Funciona bem como entretenimento casual, especialmente em sessões curtas ou em multiplayer local. Pode tornar-se aborrecido numa maratona mais longa, e não tem a profundidade de outros ARPGs, mas cumpre o papel de ser um jogo acessível, divertido e cheio de personalidade. Para o público certo — jovens jogadores e famílias que querem partilhar momentos de diversão — é uma escolha excelente. Para quem procura algo mais complexo, o Dado do Destino talvez não role tão alto, mas ainda assim oferece uma boa jogada.

Veredito: 7

Entre desequilíbrios, gargalhadas e muita cor, The Dice of Destiny acaba por acertar no que realmente importa: proporcionar bons momentos, principalmente em família. É curto, é simples, mas tem coração, e isso vale mais do que qualquer sistema complexo