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Robocop Rogue City: Unfinished Business – I’d Buy That for a Dollar | Análise

Nos saudosos anos 80/90 os filmes de ação e ficção científica dominavam os cinemas, e um dos melhores exemplos que junta esses géneros de filmes é Robocop. O primeiro filme veio ao mundo em 1987, e desde aí muito boa gente ainda sabe de certeza quem profere a já icónica frase “Dead or alive, you’re coming with me”.
Se leram o nosso artigo de há dois anos atrás, sobre o jogo Robocop: Rogue City (aqui), talvez tenham notado a falta de originalidade do primeiro parágrafo deste artigo. Pois bem, isso acaba por representar muito bem o que é este jogo em comparação com o título anterior.
Robocop Rogue City: Unfinished Business não é um DLC, nem é uma expansão ao jogo base, nem sequer uma sequela. É um jogo standalone, que acrescenta um capítulo ao jogo original, mas que não exige do jogador, ter o jogo original, nem sequer que o tenha jogado.

Para ir direto ao assunto… Vale a pena jogares este jogo, sem teres jogado o original?

Eu diria que não, pois este “Unfinished Business” é um jogo mais curto (cerca de 10 horas), que acrescenta muito pouco ao anterior, sendo até pior em alguns aspectos. Ainda assim, se jogaste o anterior, pode ser uma excelente oportunidade para revisitares um FPS frenético e divertido, em que o policia cibernético preferido de toda a gente, volta a ser a estrela (mesmo sem o “brilho” que a sua armadura já teve nos anos 80/90).

Este “negócio inacabado” traz-nos de volta à Detroit distópica, só que desta vez não há ruas escuras, becos húmidos ou viaturas a arder ao fundo. Não, senhor. Desta vez é tudo passado dentro da Omni Tower, um arranha-céus cheio de mercenários que aparentemente não têm mais nada para fazer do que esperar que subas andar após andar, para poderes espetar-lhes uma boa dose de justiça cibernética.

Para quem gosta de cronologias nerds, a ação acontece entre o segundo e o terceiro filme. Isso significa que vais ver algumas versões “beta” de protótipos que, no cinema, só apareceriam no terceiro filme. É um mimo para os fãs atentos, mas não te preocupes: se nunca jogaste o primeiro jogo ou não te lembras bem dos filmes, consegues entrar nesta aventura sem sentir que perdeste alguma coisa.

Se o primeiro jogo tinha um ritmo misto de investigação e ação, este não perde tempo com subtilezas:, estando muito mais focado na ação. É entrar e disparar. E disparar. E disparar outra vez. Tens novas armas (destaque para o canhão criógenico), alguns inimigos novos e uns takedowns ambientais que fazem sorrir qualquer fã de jogos de ação. Mas sejamos sinceros: quem espera grandes novidades face ao original vai sentir que a receita foi mais aquecida do que reinventada.
O jogo continua a ter uma pitadinha de RPG, onde a experiência é usada para melhorar as habilidades do Robocop, havendo também upgrades para a nossa fiel pistola, a icónica Auto-9. Nisto, não há nenhuma novidade em relação ao jogo base, não existindo nenhuma habilidade nova para experimentar.

Diria que a Auto-9, desiquilibra um pouco o jogo. Apesar de existirem muitas armas, que podemos roubar aos inimigos aniquilados, a Auto-9 é a melhor arma de todas (principalmente depois de a evoluirmos).  Ainda assim, é um prazer trucidar hordas de inimigos com esta arma que tem munição infinita e que nem é preciso de parar para recarregar.

Desde muito cedo no jogo, estão disponíveis todas as habilidades que foram sendo apresentadas no jogo anterior. Inimigos mais fortes também são apresentados na hora inicial de jogo.
Uma novidade deste jogo é a possibilidade de controlar outros personagens (humanos), na forma de flashbacks de situações passadas, que apresentam alguma variedade de gameplay. É aqui que nós nos apercebemos do tanque com pernas que o Robocop é, quando avança na direção de vários inimigos enquanto é atingido por dezenas de balas, sofrendo pouquíssimo com isso. Já no caso das secções que jogas com humanos, o melhor é esconderes-te enquanto recuperas e esperas por uma abertura para responder com uns tirinhos de uma pistolinha. No entanto, em menos de nada, voltas ao papel implacável do Robocop, com a sua Auto-9.

Uma nota para um dos pontos altos do jogo em que assumimos o papel do último personagem jogável, que não quero nomear para não estragar a surpresa (se bem que qualquer trailer, dá esse spoiler).

Em termos de história, não há muito para dizer. É uma história simples, em que que o Robocop, só por lhe terem roubado a sua cadeira preferida, decide invadir uma torre, cheia de mercenários sanguinários. Torre essa em que te vais cruzando com alguns personagens que te ajudam a progredir, havendo ali umas pausas na ação, para fazeres umas festas a gatos, ajudar habitantes da torre a conseguir pôr a máquina de lavar roupa a funcionar, bem como outras atividades super banais. É importante referir que o jogo base tinha missões secundárias muito interessantes, que é algo que não acontece neste jogo

A estrutura do jogo é simples: subir, derrotar hordas de inimigos, repetir, até chegares ao confronto final no topo da torre. É quase um final à “Die Hard”, com um Robocop de armadura brilhante no lugar do John McClane… só que sem o “yippee-ki-yay” (apesar de eu jurar que ouvi alguns inimigos a gritar esta expressão, ao longo do jogo).

Quando terminamos o jogo, ficamos logo com vontade de voltar ao início e começar o jogo com as habilidades adquiridas ao longo das 10 horas que passámos a chacinar os pobres mercenários da torre, mas levamos uma chapada, quando percebemos que não existe um “New game plus”, que nos permita continuar a evoluir as nossas habilidades… Resta-nos esperar que algum update, acrescente essa funcionalidade.

Conclusão

Pros

  • Fiel ao espírito Robocop e respetivo universo
  • A Auto-9
  • FPS competente e divertido
  • Ação direta e intensa
  • Alguns momentos em que assumimos o papel de outros personagens

Contras

  • Pouca inovação, face ao jogo anterior
  • Cenários pouco variados
  • História curta e simples
  • Como é possível não existir um “New game plus”?

Robocop Rogue City: Unfinished Business é como aquele café expresso da manhã: curto, intenso e sem rodeios. Pode não reinventar a roda — ou a perna hidráulica — mas entrega exatamente o que promete: ação pura, tiroteios satisfatórios e uma boa dose de nostalgia dos tempos em que o “futuro” era 1993. Se és fã da franquia, vais sentir-te em casa… ou melhor, numa Detroit distópica, cercado por mercenários que claramente não valorizam a própria vida.

Se procuras um shooter com profundidade narrativa e mecânicas inovadoras, este não é o teu destino final. Mas se queres encarnar o policia cibernético mais icónico do cinema e passar umas boas horas a distribuir justiça metálica, então… I’d buy that for a dollar!