SideAwards: O melhor (e pior) dos videojogos em 2025

Mais um ano chega ao fim e é tempo de olhar para trás e celebrar aquilo que mais nos marcou no mundo dos videojogos. Entre surpresas inesperadas, apostas ambiciosas, algumas desilusões e momentos verdadeiramente memoráveis, 2025 deixou-nos muito para discutir. Estes são os nossos eleitos do ano — escolhas que refletem não só a qualidade dos jogos e criadores, mas também o impacto que tiveram em quem os jogou.

Jogo do Ano — Clair Obscure: Expedition 33

Clair Obscure: Expedition 33 destacou-se este ano pela forma como junta uma identidade visual fortíssima, uma narrativa envolvente e sistemas de jogo bem pensados. O RPG da Sandfall Interactive aposta num universo inspirado na pintura clássica e no surrealismo, mas nunca se esconde apenas atrás da estética: a história aborda temas como mortalidade e sacrifício com maturidade, enquanto o combate por turnos, mas com elementos em tempo real, mantém tudo dinâmico e interessante. É um daqueles jogos que ficam connosco bem depois dos créditos finais.

Menções honrosas para Hollow Knight Silksong e Donkey Kong Bananza.

Surpresa do Ano — Donkey Kong Bananza

Pouca gente estava à espera que Donkey Kong Bananza se revelasse uma das experiências mais divertidas do ano. Sem grande campanha de antecipação, o jogo acabou por surpreender com níveis criativos, ritmo excelente e uma energia contagiante que respeita o espírito clássico da série, mas traz ideias novas à mesa. Um regresso inesperado em grande forma.

Menções Honrosas para Clair Obscur: Expedition 33 e Arc Raiders.

Desilusão do Ano — Call of Duty: Black Ops 7

Mesmo com o peso do nome, Call of Duty: Black Ops 7 não conseguiu corresponder às expectativas. A campanha é funcional, mas pouco memorável, e o multijogador volta a apostar numa fórmula demasiado familiar, com poucas novidades realmente relevantes. Não é um mau jogo, mas é um sinal claro de que a série precisa de arriscar mais para voltar a entusiasmar.

Menções honrosas para Mario Kart World e o (novo) adiamento do GTA VI.

Personagem do Ano — Maelle (Clair Obscure: Expedition 33)

Maelle afirmou-se como uma das personagens mais marcantes do ano graças à sua profundidade e evolução ao longo da história. Longe de ser apenas mais uma protagonista, a sua jornada é feita de perdas, decisões difíceis e momentos de grande impacto emocional, que ajudam a dar peso a todo o universo de Clair Obscure: Expedition 33. É uma personagem que se torna impossível de ignorar.

Menções honrosas para o restante cast de Clair Obscure: Expedition 33 e Slayer (Doom Eternal).

Personalidade / Estúdio do Ano — Sandfall Interactive

A Sandfall Interactive afirma-se como Estúdio do Ano graças a uma estreia ambiciosa e confiante que colocou o estúdio francês no mapa da indústria. Com Clair Obscure: Expedition 33, o estúdio mostrou uma visão criativa muito própria e a capacidade de executar uma ideia forte do início ao fim. Um nome que passou rapidamente de promessa a certeza.

Menções honrosas para a Team Cherry e Supergiant Games.

Destaque Nacional — DevGAMM Portugal 2025

O DevGAMM continua a afirmar-se como um dos pilares da comunidade de desenvolvimento de videojogos em Portugal. Ao criar um espaço de encontro entre criadores, estúdios e profissionais da indústria, o evento tem sido essencial para dar visibilidade ao talento nacional e fomentar ligações importantes dentro e fora do país.

Menções honrosas para a Loading Studios, com o seu Alentejo: The Tinto & The Ugly e o Museu Load ZX Spectrum.

Estas escolhas representam aquilo que, para nós, melhor definiu o ano nos videojogos: criatividade quando menos se esperava, apostas seguras que não arriscaram o suficiente e projectos que provaram que ainda há espaço para visões fortes e identidades próprias. O balanço está feito — agora resta acompanhar como estas tendências vão moldar o próximo ano.