Star Wars Outlaws é o novo jogo da amada saga criada por George Lucas, que nos chega pela mão da Ubisoft. Será que as aventuras de Kay Vess são dignas de um filme? Vamos lá descobrir então!
Este era um dos jogos que também tinha bastante curiosidade em experimentar no ano de 2024. Para os mais distraídos, esta é a primeira experiência de mundo aberto da saga, colocando-nos praticamente dentro de um filme. Star Wars Outlaws conta com uma história criada de raiz e é considerada canónica, estando os eventos do jogo localizados entre os episódios V e VI, que é como quem diz, Star Wars: The Empire Strikes Back e o Star Wars: Return of the Jedi.
Os protagonistas do jogo criado pela Massive Entertainment são Kay Vess e Nix, uma fora da lei inexperiente e o seu melhor amigo, que se veem mergulhados no submundo do crime e em busca de um dos maiores roubos de sempre da Galáxia. Como já referi, o jogo tem como premissa colocar-nos dentro de um autêntico filme da saga, e isso é claramente visível nos primeiros minutos de jogo.
Star Wars Outlaws começa com um gameplay mais modesto, em Cantonica, onde nos mostra a vida de Kay Vess e Nix no sótão de uma cantina e onde é também explicado porque razão a nossa protagonista acaba por ter que fugir do planeta para sobreviver. Aqui, vamos encontrar uma boa mistura de cutscenes de elevada qualidade e gameplay propriamente dito, onde ficamos a conhecer as mecânicas de stealth, de escalada e combates com o nosso modesto, mas eficiente blaster.
Em pouco tempo a ação salta para Toshara, e é aqui que Kay Vess começa a construir relações com o sindicato Pyke (ou não, depende de vocês) e a conseguir trabalhos para recolher informações meio que top secret, invadir áreas restritas ou até mesmo dar de caras com stormtroopers corruptos pela cidade principal do planeta, Mirogana.

Penso que posso dizer que considerando a evolução da história, há muita relação com Han Solo e Chewbacca, ou seja, como estúdio de desenvolvimento quis fazer a construção das personagens. Isso já traz uma boa referência os para fãs de Star Wars, assim como a presença de uma panóplia de espécies de outros seres alienígenas vistos nos filmes. Mas, para além disso, a ambientação do jogo está muitíssimo boa, colocando-nos, de fato, dentro deste grandioso universo, bem próximo do que vimos na trilogia original.
O resultado final passou por algumas escolhas importantes da produção do jogo. As imagens, por exemplo, trazem filtros que simulam uma filmagem da década de 1970, enquanto que os figurinos, edifícios e outros aspetos visuais foram criados com referências que foram além dos filmes da saga em si, mas também nas produções que inspiraram o próprio George Lucas a criar o primeiro filme Star Wars.
Se Tatooine tem um look mais western baseado nos filmes western spaghetti das décadas de 60/70, Kijimi tem NPC´s e construções muito baseadas em filmes clássicos japoneses também do mesmo período. Já Toshara, teve as suas paisagens criadas a partir de savanas africanas, e contou com maior liberdade da equipa da Massive Entertainment, já que aparece pela primeira vez no universo Star Wars.

A visão em terceira pessoa com uma distorção nas bordas, o ecrã em formato widescreen e mesmo os tons de cor presentes no tratamento final são dignos de qualquer um dos três primeiros filmes de George Lucas.
O feeling de estarmos num filme Star Wars fica ainda maior ao chegarmos a Tatooine. É gratificante explorar cenários que foram vistos nos filmes. É possível visitar Mos Eisley e até mesmo infiltrarmo-nos no palácio de Jabba, com muitos easter eggs para serem encontrados. Numa das missões é possível ver Boba Fett numa sala durante uma “chamada” via holograma, assim como Han Solo, congelado em carbonite e a ser “exibido” no salão principal. Também é delicioso, invadir um hangar imperial e termos depois que enfrentar um exército de stormtroopers (cuidado desde já com as Death Squads, não são pera doce).
É de louvar todo o empenho da Massive Entertainment em trazer tanto, mas tanto fan service para este ambicioso jogo em mundo aberto, que relembro, é a primeira vez que acontece num jogo Star Wars.
Kay Vess ainda é inexperiente nas primeiras horas de jogo, contando apenas com o seu blaster simples, apesar do talento que possui para sair de situações bem apertadas. Neste ponto, é interessante acompanhar a evolução da personagem ao longo do gameplay, que aposta bastante numa abordagem stealth. Há situações em que podemos claro andar aos tiros com guardas, assassinos dos sindicatos e os stormtroopers, contudo, sem um blaster mais desenvolvido, Kay tem menos chances de sair vitoriosa.

Portanto, em muitos momentos não temos outra alternativa além de nos escondermos e indo fazendo um stealth takedown a cada um dos inimigos. Aqui, Nix tem um papel de destaque, já que pode pegar armas e itens em áreas vigiadas, abrir portas e distrair inimigos para que Kay os neutralize silenciosamente. Mesmo com os upgrades de arma e habilidades desbloqueadas, a abordagem stealth é necessária, o que pode não agradar a todos os jogadores, pois por vezes basta sermos descobertos e temos que reiniciar a missão.
É possível ainda pegar armas dos inimigos derrubados, o que dá mais opções ao gameplay. Entre os equipamentos encontrados estão blasters imperiais, armas de assalto pesado, snipers e até mesmo lança-granadas, ideais para enfrentar adversários mais resistentes. A dica é contar bastante com a ajuda de Nix, que pode facilitar o confronto, pois pode atrapalhar ou distrair um grupo de inimigos, enquanto Kay está a enfrentar um outro grupo. Só é de lamentar que apesar de podermos usar as armas dos inimigos, não podemos ficar com as armas dos inimigos, pois se subirmos uma escada ou se tivermos que entrar por uma ventilação de ar por exemplo, Kay deixa cair as armas no chão, não as carregando com ela. Estranho este pormenor (que não faz sentido) …, mas pronto.
Contudo, em grande parte das situações é mais fácil correr na direção do inimigo e começar a distribuir socos (desde que não seja uma missão com stealth exigido). Isso porque, com três a quatro golpes, Kay consegue derrubar a maior parte dos da escumalha inimiga. Quando Nix parte também ao ataque, fica ainda mais facilitado, sendo uma alternativa interessante para Kay Vess sair de certas situações. O jogo também traz consigo a utilização de granadas, assim como alguns elementos destrutivos, como tanques de gás prontinhos para serem explodidos e causar o caos.

Podemos ainda viajar pelo espaço e aterrar em cinco diferentes planetas/luas, explorando as suas respetivas cidades, áreas abertas e até mesmo algumas naves bem grandes. Mesmo assim, os mapas pareceram menos extensos do que foi prometido. Se comparado com Assassin´s Creed Odyssey por exemplo, penso que Star Wars Outlaws consegue ter menos áreas de exploração/gameplay.
Mesmo não sendo tão extenso quanto se previa, o espaço físico disponível é apenas um pequeno detalhe, já que existem diversos pormenores a explorar em cada local, como a cultura dos planetas. Temos por exemplo barracas de comida onde Kay e Nix podem sentar-se e experimentar um belo prato da região, o que vai garantir ao fiel companheiro de Kay habilidades específicas que podem ser interessantes e úteis nos confrontos com inimigos.
De referir ainda as “máfias” que estão presentes no jogo, que são reguladas pelo sistema de reputação. Existem quatro sindicatos diferentes e podemos aceitar trabalhos com qualquer um deles. Ao realizar uma missão para os Hutts, por exemplo, vamos influenciar (negativamente claro) os negócios dos Pyke, o que vai afetar a nossa relação com eles. Os trabalhos podem ser encontrados nas cantinas, mas também há uma comunicação direta a partir da nossa nave, a Trailblazer, que permite assim aceitar contratos de qualquer planeta, não apenas a nível local.
O jogo também nos oferece algumas atividades extra que podemos experimentar, como jogar Sabbac, uma espécie de Poker por assim dizer. O jogo é inclusive mencionado nos filmes, mas que foi incluído aqui. Já passei um bom bocado de tempo a jogar e posso garantir que é bem divertido. Se gostam de apostar em corridas de cavalos (holográficos), também existe essa opção…sendo até uma boa fonte de ganhar créditos extra … caso ganhem claro. Também temos algumas máquinas arcade com minijogos que estão também bem conseguidos, portanto, não se esqueçam de dar uma vista de olhos.
Conclusão
Pros
- Grafismo de elevada qualidade
- Banda sonora digna da saga Star Wars
- História cativante e personagens bem conseguidas
- Combates espaciais frenéticos
- Mundos repletos de “magia” Star Wars
- Minijogos a não perder
Cons
- Bastantes bugs que podem prejudicar a experiência de jogo
- Não ser possível ficarmos (em definitivo) com as armas dos inimigos
- Áreas de jogo poderiam ter sido mais aproveitadas, com mais atividades/eventos

Jogo de tudo um pouco, desde a minha primeira consola de jogos, a Master System II. Desde aí muita coisa mudou, mas a paixão e dedicação aos videojogos permaneceu intacta.
Apesar de jogar de tudo um pouco, desde FPS a RPG´s, sou grande adepto de Fighting games, como o Mortal Kombat e ainda de jogos de desporto automóvel, como o Forza Motorsport. Também não dispenso boas séries e bons filmes. Sou grande fã de animes desde muito cedo, onde tenho DragonBall e Naruto como séries de eleição.
