Atelier Ryza 3: Alchemist of the End & the Secret Key | Análise

Atelier Ryza 3: Alchemist of the End & the Secret Key já está disponível e quer terminar em grande a nova trilogia da série, mas será que o jogo realmente convence? Vamos lá então descobrir!  

Minor Spoiler Alert 

A série de jogos Atelier é um JRPG com bastante sucesso por terras japonesas (já tem mais de 20 jogos), mas em terras ocidentais nem por isso, e esta nova trilogia Atelier Ryza tenta trazer um pouco desse sucesso para fora do Japão. Este novo jogo completa a trilogia iniciada em 2019 com Atelier Ryza: Ever Darkness & the Secret Hideout, e que depois recebeu a respetiva sequela em 2021, Atelier Ryza 2: Lost Legends & the Secret Fairy. 

Eu nunca joguei nenhum jogo anterior da série, sendo uma experiência totalmente nova para mim e que irá ditar assim o tom da review daqui para a frente. Se não jogaram os dois jogos anteriores, não tem problema algum, pois no menu principal (antes de fazermos New Game) existe a opção de vermos um resumo dos acontecimentos dos jogos anteriores, algo que no meu caso veio mesmo a calhar, pois insere os jogadores novatos como eu de forma adequada no mundo de Atelier Ryza. Podemos então começar a derradeira aventura de Reisalin Stout (ou simplesmente Ryza para os amigos), já entendendo o básico da história que está para trás e não ficamos assim totalmente perdidos.  

Atelier Ryza 3 começa um ano após os eventos do segundo jogo, e a nossa protagonista Ryza é uma figura de grande relevância na sua cidade natal que está situada na ilha Kurken. Contudo, a vida normal da alquimista é interrompida por um grande problema, pois começam a aparecer diversos arquipélagos  nos arredores da região, provocando assim diversos sismos na ilha Kurken. 

Acompanhada dos seus aliados, Ryza começa assim a investigar o problema. Quando o grupo chega a umas ruínas estranhas, uma voz vinda sabe-se lá de onde começa a ecoar na mente da alquimista, que fala num código para o universo, mas também lhe mostra uma chave misteriosa, que ela decide replicar usando a alquimia. A trama começa assim a ficar complexa, e se não estivermos bem atentos, começamos a ficar um pouco perdidos para tentar encaixar umas coisas nas outras. 

Mas apesar de uma certa complexidade inicial, com o desenrolar dos eventos até posso dizer que o enredo é bastante básico (de certa forma até infantil), contudo é extremamente cativante e o jogo dá-nos todo o tempo do mundo para conhecermos cada personagem principal, para que possamos assim nos importar com cada membro da nossa equipa. Atelier Ryza 3 passa uma clara mensagem sobre valorizar a vida quotidiana e fazer o possível (e por vezes o impossível) para defendermos o que temos. Se são aquele tipo de jogadores que adoram sentir na pele a vida dos personagens e um mundo repleto de fantasia, o jogo não desilude, pois não faltam sidequests para todos os elementos do grupo, para além de ser bastante relaxante amealhar os mais diversos recursos/materiais que se encontram espalhados pelos mapas. 

E por falar em recursos e materiais, a alquimia desempenha um papel fundamental em Atelier Ryza 3. Através dela, somos capazes de criar praticamente tudo o que vamos usar durante toda a aventura, como comidas, equipamentos, ferramentas e itens consumíveis. E é aqui que a exploração de todos os cantos dos mapas é extremamente importante, pois para criarmos novos produtos, temos que nos aventurar pelo mundo e apanhar tudo e mais alguma coisa que vamos encontrando pela frente. E existe mesmo muita coisa para criar, acreditem! 

O menu de alquimia está repleto de informações e é bastante complexa, e demorei muito tempo a ler e a tentar  entender o que posso criar no caldeirão e como conectar bem as coisas para maximizar assim o produto final. Ingredientes diferentes tem qualidades distintas e é essencial saber misturar bem as coisas, caso contrário o equipamento/consumível que vamos criar não terá muita utilidade. Nunca usei tanto os tutorials de um jogo, verdade seja dita, e em Atelier Ryza 3 sugiro vivamente que o façam. 

O mundo não chega a ser totalmente aberto, portanto poderá ser do desagrado de alguns jogadores. Mesmo assim, os três arquipélagos são gigantes e compostos por várias zonas diferentes, como cidades, lagos, montanhas ou enormes florestas. O mapa vai sendo revelado conforme vamos avançando na aventura, sendo de extrema importância interagir com algumas torres que vamos encontrando pelas diferentes zonas, pois é através delas que depois podemos usar a fast travel, evitando assim termos que caminhar tudo de novo. 

O estilo de combate do jogo é tático em tempo real, e confesso que não me acostumei ainda a ele. Quando o combate se inicia, nós podemos usar ataques básicos e combina-los com diversas magias que consomem pontos, contudo existe um cooldown quando nós atacamos, sendo assim necessário esperarmos e tentarmos defender dos inimigos enquanto as nossas habilidades recarregam. Acontece tanta coisa nos combates em simultâneo, que por vezes se torna confuso atacar, defender, usar magias, mudar de personagem e usar consumíveis. Na minha modesta opinião, eu preferia que os combates fossem turn based…, contudo quem adora ação em tempo real, vai tirar grande prazer dos combates. 

Um dos grandes trunfos do jogo é o sistema das chaves, que fica acessível após chegarmos a um dado momento na historia principal. Ryza ganha a capacidade de produzir chaves utilizando a energia de inimigos ou de locais específicos. Durante os combates, existe um comando para “capturar” a essência do monstro e convertê-la numa chave. 

As chaves que criamos vão ter impacto direto em outras dinâmicas do jogo, por exemplo na exploração, elas são utilizadas para abrir baús e passagens, e nos combates, elas podem conceder bónus passivos e melhoria de atributos. 

Atelier Ryza 3 traz consigo visuais muito vistosos, ao bom estilo anime, que enchem os olhos de qualquer um.  As personagens estão bem animadas e desenhadas, e isso nota-se por exemplo nas expressões faciais ou nos diversos movimentos que fazem. Os cenários estão repletos de cor e cheios de vida, e sente-se mesmo o cuidado que a KOEI TECMO teve para nos trazer todo este mundo de fantasia. A versão Playstation 5 apresenta ainda tempos de loading bem rápidos, algo que ajuda a não quebrar o ritmo da aventura.

Conclusão:

Atelier Ryza 3 pode ser considerado um jogo de nicho, para jogadores que gostam de combates em tempo real, que gostam de explorar de mundos repletos de fantasia, bem como de longas histórias que levam o tempo que seja necessário para desenvolver todas as personagens. Esta é a conclusão da história da alquimista Ryza, e obviamente é obrigatório para quem já segue a sua história desde o primeiro jogo. Este é um bom JRPG que certamente não se perde no meio de outros jogos do género.