Formula Legends – Perdido no “midfield” | Análise

Sempre que surge um novo jogo de Formula 1, uma das questões mais pertinentes que se levanta é a de saber se este se trata de um jogo de simulação ou de arcade. O campo da simulação é sem dúvida aquele que tem o maior número de ofertas bem concretizadas, seja nos jogos F1 da Codemasters, ou até na clássica série Grand Prix de Geoff Crammond, que ainda hoje é uma referência no que diz respeito a físicas de condução e comportamento da inteligência artificial dos adversários. No entanto, quando pensamos em opções para um público mais casual, que não quer saber assim tanto das tecnicalidades, a escolha fica mais reduzida. Até faz sentido que assim seja. Formula 1 é um desporto altamente complexo dentro e fora da pista, reduzir essa complexidade tirar-lhe ia a sua essência. No entanto isso não significa que não exista essa demanda para propostas mais acessíveis, agora que a modalidade está discutivelmente mais popular que nunca. Formula Legends encontra-se precisamente no meio deste espectro, o que o torna interessante, mas simultaneamente difícil de compreender.

 

 

Deixem-me ser claro, Formula Legends trata-se de um jogo direccionado a fãs e conhecedores do pináculo do desporto motorizado. A sua característica mais interessante é a recriação das diferentes décadas da história da Formula 1. É nos dada a opção de competir desde os anos 60 até aos dias de hoje, com pistas, carros, equipas e pilotos altamente inspirados na vida real, mas sempre no limiar da legalidade dada a ausência de licenças. A equipa da 3DClouds tirou o melhor partido dessa limitação e deu-nos nomes bastante hilariantes. Podem contar com equipas como Ferenzo ou McLauden, e pilotos como Mike Shoemaker ou Luis Hammerton. Destaco particularmente a inclusão de Batteri Voltas e Nicholas Goatifi, nomes carinhosamente popularizados na subcultura de memes deste desporto e que comprovam o meu ponto inicial.

 

 

Os problemas de Formula Legends no entanto começam quando finalmente pegamos num carro da nossa década de eleição e as luzes de partida se apagam. Muito sucintamente, a experiência de condução deixa um pouco a desejar.

Como disse anteriormente, este não se assume como um jogo de simulação, no entanto os controlos não diferem muito desse género. É imperativo sabermos a linha de corrida e os pontos de travagem para conseguirmos ser minimamente competitivos em qualquer nível de dificuldade que não o mais fácil. Por outro lado, não nos é proporcionado o nível de precisão de curvagem habitual em jogos de simulação. Dei por mim constantemente a fazer understeer e oversteer dependendo da curva, qual Fernando Alonso no infame Ferrari F14 T.

Caso não fosse suficiente, temos ainda de nos preocupar com os adversários em pista, que muitas vezes têm comportamentos erráticos e que nos podem arruinar a corrida com um ligeiro toque, pois as físicas de colisão são simplesmente horríveis. A ausência de qualquer modo multijogador, quer local quer online, significa que infelizmente que a inteligência artificial subpar é a única opção de competição com que podemos contar aqui.

No entanto nem tudo é mau na jogabilidade de Formula Legends. Um aspeto deste que está bem conseguido dentro do estilo arcade é a gestão de corrida. Enquanto corremos, temos de estar atentos a três parâmetros do carro – dano, pneus e combustível. Caso tenhamos uma condução sem incidentes, não será necessário preocupar-nos com o primeiro, no entanto isso é praticamente impossível com os problemas de jogabilidade que já mencionei. Já o combustível e os pneus vão se naturalmente consumindo independentemente do caso. Estes três recursos podem reabastecidos com pit-stops, que são por si só um mini-jogo com uma interface bastante simples e intuitiva. Quão mais eficiente fomos neste, menos tempo demoram as paragens.

A inclusão de tempo variável adiciona mais uma interessante camada de estratégia às paragens nas boxes. Decifrar a altura ideal para parar, de modo a reabastecer o necessário para aguentar até ao fim da corrida, e escolher o tipo de pneu certo para as condições meteorológicas é bastante satisfatório, assim como é fundamental para vencer.

No departamento gráfico, Formula Legends não é impressionante. Embora os carros até sejam relativamente detalhados, dentro do estilo cel-shaded do jogo, as pistas acabam por ser bastante simplistas. A performance e resolução também não são incríveis, particularmente na versão de Nintendo Switch, em que certas texturas das pistas demoram demasiado tempo a carregar, ao ponto de só estarem prontas quando já passámos por elas.

Veredito: 6.5

Formula Legends é um jogo claramente feito por e para fãs de Formula 1, mas que não se assume como simulação, nem arcade. Uma indecisão que acaba por se refletir negativamente na sua jogabilidade.