Angry Video Game Nerd 8Bit | Análise

James Rolfe. O nome não lhe diz nada? E que tal aquele youtuber raivoso que há anos nos entretém com seus reviews sinceros de videojogos, ou como ele mesmo diz, “eu jogo os piores videojogos do mundo para que vocês não precisem fazer isso…” É uma das figuras mais importantes da cultura gamer recente e agrega legiões de fãs pelo mundo desde 2006. Podemos dizer que é um dos desbravadores disto tudo, avós dos streamers de games e um dos primeiros superstars do YouTube que permanece activo depois de 20 anos.

Alguns jogos já saíram no passado com sua licença e olha que nem eram ruins. The Angry Video Game Nerd Adventures em 2013 e The Angry Video Game Nerd Adventures 2: ASSimilation em 2016, o primeiro para computadores PC, Nintendo Wii U e 3DS enquanto o segundo só viu a luz do dia em computadores PC, Linux e Mac.

Nesta nova versão temos um jogo que retorna ao melhor estilo 8 bits, totalmente desenvolvido pela Retroware, Programancer e Mega Cat Studios numa incrível versão em cartucho físico para NES (sim, o Nintendinho 8 bit) e também para PlayStation 5, Nintendo Switch, PlayStation, computador PC Steam, Xbox One e Xbox Series que é esta versão analisada.

Esta versão analisada foi pensada para as consolas da nova geração, portanto, é uma espécie de emulação de Nintendo 8 bit num software próprio, uma mistura de vídeos em tela cheia com alta definição a gráficos puramente antigos centralizados no meio ecrã, com diversas possibilidades de filtros para emular a experiência do CRT antigo nos ecrãs modernos.

Antes do jogo em si assistimos um vídeo bastante non sense e até provocador, como de costume, com careca-ex-jovem-nerd tendo sua casa invadida por uma “versão megazord de Jesus” determinada a destruir todos os videogames do mundo… (suspiro) Quando seu NES é possuído por essa entidade começa a missão nervosa de salvar o mundo no bom e velho estilo 8 bits misturado com o melhor e velho estilo do Angry Nerd. Mesmo com todo esse non sense inicial o jogo agrada e desafia. Vejamos. 

O jogo em si é uma versão parodiada do Mega Man com praticamente os mesmos controles, design de níveis e até o mesmo sistema de fases que podem ser escolhidas em qualquer ordem, com alguns diferenciais nas consolas modernas e PC: há saves automáticos, somente a versão de NES ainda usa aquele sistema de passwords. Os chefes, bem… são versões 8 bits de hits do cinema, jogos do passado que falharam, é um banquete para quem é fã de Nintendinho e também do Angry Video Game Nerd.

Honestamente? É um Mega Man versão ainda mais difícil, digamos assim, a correr de modo bem simples para os dias actuais por ser um jogo feito para rodar no NES 8 bits com todas as suas limitações de hardware. Imaginem o que é fazer um jogo que corre nas consolas e também numa consola do século passado alocando 2KB de RAM… kilobytes, isso mesmo, não megabytes! É até impressionante que os devs tenham conseguido comprimir a voz do Nerd em sons do jogo ao morrer ou apertar start.

Percebi neste jogo que o James Angry Nerd e os desenvolvedores deram seu melhor para que o jogador se divirta, jogando por fases baseadas em alguns de seus episódios mais famosos no youtube, mas pessoalmente fiquei um bocado arrependido por não ter jogado na cópia física deste jogo para o NES, sem vídeos em full motion e com aquele mesmo feeling que sentíamos ao jogar Mega Man nos anos 90.

 

 

 

Veredito: 9

Angry Video Game Nerd 8-Bit é uma mistura de simples nostalgia com um plataforma de ação 2D bastante divertido, devolvendo para o jogador aquele carinho que todos tínhamos por um jogo a estrear na NES naquela tarde de domingo chuvosa. Gostei e agora vou procurar o cartucho e repetir a experiência na consola original 8 bit. Só não leva o 10 pois alguém que não conhecer o legado do AVGN pode não entender o jogos, as cutscenes e as muitas piadas non sense.