Alentejo: The Tinto & The Ugly – O regresso do Western Açorda | Análise

Não é todos os dias que surge um novo jogo para Game Boy desenvolvido em Portugal. Ainda mais raro que isso é o surgimento de uma sequela desse mesmo jogo. É precisamente esse o caso de Alentejo: The Tinto & The Ugly, que continua a história de Alentejo: Tinto’s Law, lançado no final do ano passado pela Loading Studios. Tal como o primeiro jogo, The Tinto & The Ugly contará com uma versão física para a clássica consola portátil da Nintendo, que neste momento ainda se encontra em pré-venda.

Focando-nos então no jogo em si, este segundo volume da saga Alentejo traz-nos de volta à Aldeia do Tinto e às peripécias de Gildo Mata, que conta agora com a companhia da sidequick Dolores, na sua missão de derrubar o Barão Tinto. Esta adição melhorou aqueles que já eram alguns dos pontos fortes do primeiro jogo – a narrativa e os diálogos. A dinâmica entre estas duas personagens é constantemente pontuada com situações humorísticas, por vezes até acompanhadas de pequenas cutscenes. Sendo que uma parte considerável do jogo acontece em Espanha contamos logicamente com uma enorme dose de “Portunhol”, o que torna tudo ainda mais hilariante. Para além das personagens principais, as várias personagens não jogáveis que encontramos ao longo da nossa aventura também nos proporcionam momentos bastante engraçados, como por exemplo, a recitação de um sketch de Gato Fedorento.

Para quem jogou o primeiro jogo, algo que recomendo vivamente antes de se aventurarem nesta sequela direta, muitos aspetos da Aldeia do Tinto, o lugar onde começamos novamente, serão familiares. No entanto várias sidequests foram adicionadas, assim como as suas três dungeons foram repropositadas, contando com novos tesouros por descobrir. Graças a isso, o início do jogo conta com uma maior liberdade de exploração. Porém, assim que atravessamos a fronteira a certo ponto da história, a sequência de eventos torna-se mais linear, não deixando de existir ainda assim algum conteúdo opcional em terras espanholas.

Mais do que uma nova localidade para explorar, Alentejo: The Tinto & The Ugly introduz também novas mecânicas de jogabilidade, para lá dos tiroteios em perspectiva top-down já presentes no primeiro jogo. Entre as novidades podemos contar com duelos de pistoleiros em primeira pessoa, invocando o clássico Wild Gunman da NES, ou sequências de sidescroll em que nos encontramos montados a cavalo e temos de nos desviar de obstáculos. Apesar de relativamente curtas, estas novas sequências proporcionam uma maior variedade ao jogo.

No departamento audiovisual também contamos com melhorias significativas, dentro das obvias limitações do Game Boy. A pixel art dos cenários não só está mais detalhada, mas principalmente mais consistente entre todos os seus elementos. A banda sonora está também mais refinada e conta com mais temas distintos, que em certa parte compensam pela ausência de efeitos sonoros.

O aspeto mais frustrante deste jogo, acaba por ser mesmo o facto deste terminar sem uma própria conclusão, tal como o primeiro. A este ponto já se pode considerar uma tradição da série, deixar-nos com um cliffhanger no final de cada um dos seus capítulos. Resta-nos então esperar ansiosamente pelo próximo.

Veredito: 7.5

Alentejo: The Tinto & The Ugly é tudo o que se podia esperar de uma sequela – maior variedade e longevidade, melhores visuais, melhor banda sonora e sobretudo ainda mais humor.