Foi preciso Elden Ring: Tarnished Edition chegar à Nintendo Switch 2 para começar a levar porrada a sério nos jogos da FromSoftware. Já o tinha experimentado na PS5, mas a minha passagem pelas Terras Intermédias foi curta e não foi suficiente para me deixar agarrado. Acabei por deixá-lo para trás. Agora, felizmente, voltei a tentar.
Há qualquer coisa de especial em poder pegar num jogo desta dimensão e levá-lo connosco. Explorar uma nova região, descobrir um caminho que não tínhamos visto ou tentar mais uma vez derrotar aquele inimigo que nos tem dado cabo da cabeça encaixa surpreendentemente bem na natureza portátil da Switch 2. Elden Ring não mudou, o que mudou foi a forma como me relacionei com ele. Podemos jogar ao nosso ritmo, avançar um pouco de cada vez e regressar quando nos apetecer. No meu caso, foi o suficiente para dar outra oportunidade a um jogo que antes não me tinha conquistado.
E, claro, levo porrada, muita. A diferença é que começo a perceber melhor o fascínio. Cada derrota ensina algo, cada inimigo obriga a repensar a abordagem e há uma satisfação genuína quando finalmente ultrapassamos um obstáculo difícil. Não me vou armar em veterano dos Soulslikes, estou longe disso, mas começo a perceber por que razão tantos jogadores passam centenas de horas nestes mundos. E é cativante o facto de Elden Ring não nos dar todas as respostas, uma vez que a descoberta faz parte da aventura.
A Tarnished Edition, lançada a 28 de agosto, reúne o jogo base e a expansão Shadow of the Erdtree, acrescenta duas novas classes iniciais, novos conjuntos de armadura e opções de personalização para Torrent, o cavalo espectral. É imenso conteúdo e a dimensão do mundo continua a surpreender.

Naturalmente, há compromissos. A apresentação visual fica naturalmente abaixo daquilo que se encontra em hardware mais potente e, ocasionalmente, surgem algumas quebras de fluidez que se fazem notar, especialmente no modo portátil e nas zonas mais exigentes do jogo. Não é a versão que recomendaria a quem procura o melhor desempenho possível e seria injusto fingir que a adaptação é tecnicamente irrepreensível. Mas é a versão que funciona para mim e me permitiu descobrir este mundo.
Ainda assim, custa-me olhar para estas limitações sem pensar no que a Switch 2 torna possível. Temos aqui um dos RPG de ação mais marcantes dos últimos anos, jogo do ano de 2022, com um mundo gigantesco e uma liberdade de exploração extraordinária, disponível para jogar no sofá, numa viagem ou naqueles intervalos em que conseguimos roubar mais uns minutos à aventura. A FromSoftware não eliminou todos os compromissos, mas trouxe para a consola uma experiência que, há poucos anos, seria difícil imaginar neste formato.

Para quem já conhece Elden Ring noutra plataforma, a Tarnished Edition pode não justificar uma nova compra. Mas para alguém como eu, que ainda não tinha conseguido entrar verdadeiramente neste mundo, a portabilidade pode fazer toda a diferença. Não é uma versão perfeita, mas é uma oportunidade para descobrir (ou redescobrir) um mundo extraordinário, e de uma forma completamente diferente. No final de contas, para mim, talvez fosse preciso encontrar o sítio certo para levar porrada.

Começou a jogar num spectrum 48k e desde então tem uma paixão por videojogos, não imagina a sua vida sem jogar. Fã de RPGs, First Person Shooters e jogos Third Person.
