Kidbash: Super Legend - destaque

Kidbash: Super Legend – Velhas inspirações, novas ideias | Análise

Há jogos que tentam recriar a magia dos clássicos. Depois há jogos como Kidbash: Super Legend, que parecem uma carta repleta de amor aos tempos dourados das plataformas 2D, mas com ideias modernas suficientes para evitar cair na simples nostalgia. Desenvolvido pelos estúdios Authentic Remixes e Fat Raccoon, este roguelike de ação coloca-te no papel de Kidbash, um herói esquecido que acorda sem memórias num mundo habitado por personagens abandonadas pelos videojogos.

A história pode parecer simples à primeira vista, mas tem uma premissa curiosa. O mundo de O.D.D. é uma espécie de lar para heróis esquecidos, mascotes que nunca tiveram sucesso e personagens deixadas para trás pelo tempo. Kidbash acorda sem saber quem é e, após falhar na tentativa de salvar uma aldeia da destruição, embarca numa jornada para descobrir a sua verdadeira identidade e tornar-se no herói que acredita poder ser. O tom mistura humor, aventura e alguma melancolia, criando um cenário bastante diferente do habitual para um jogo do género.

Mas é no gameplay que Kidbash: Super Legend parece querer conquistar os jogadores. A inspiração em clássicos como Mega Man é evidente desde os primeiros segundos. O movimento é rápido, os saltos são precisos e os combates apostam numa ação constante. Cada nível apresenta desafios de plataformas, inimigos variados e encontros com bosses que exigem atenção aos padrões de ataque e reflexos rápidos.

O elemento mais interessante é o sistema de combinação de armas. À medida que derrotas inimigos, enches uma barra especial que permite fundir duas armas numa só. O resultado são combinações únicas, com ataques e efeitos diferentes. É uma mecânica que incentiva a experimentação e garante que cada partida seja diferente da anterior. Algumas combinações favorecem o combate à distância, enquanto outras transformam Kidbash numa verdadeira máquina de destruição em combate próximo.

Kidbash: Super Legend

Como qualquer roguelike moderno, em Kidbash: Super Legend também existe uma forte componente de progressão permanente. Durante as aventuras vais encontrar modificadores aleatórios que melhoram habilidades, alteram o comportamento das armas ou oferecem novas vantagens de mobilidade. O interessante é que estes modificadores podem interagir com as armas fundidas, criando construções extremamente poderosas e incentivando novas estratégias em cada tentativa.

Outro dos pilares da experiência é a reconstrução da aldeia. Depois de cada expedição regressas a uma povoação destruída, onde vais encontrar personagens peculiares e desbloquear melhorias permanentes. Esta mecânica cria um ciclo viciante: exploras, falhas, regressas mais forte e ajudas a reconstruir o mundo à tua volta. A sensação de progresso mantém-se mesmo quando uma corrida termina de forma frustrante.

Visualmente, Kidbash: Super Legend destaca-se de imediato. O jogo utiliza um estilo inspirado em animações em stop-motion. Os cenários parecem pequenos dioramas construídos à mão e as personagens possuem um aspeto muito expressivo. O resultado é uma identidade visual própria, capaz de se destacar num género cada vez mais competitivo.

Kidbash: Super Legend

A direção artística é complementada por animações fluidas e por uma utilização inteligente das cores. Cada área parece ter personalidade própria e os inimigos apresentam designs criativos que encaixam perfeitamente no conceito de “personagens esquecidas”. É um daqueles jogos que consegue chamar a atenção mesmo antes de pegares no comando.

Ainda assim, existem alguns pontos que levantam dúvidas. Como acontece com muitos roguelikes, grande parte do sucesso dependerá da variedade de conteúdos disponíveis no lançamento. A mecânica de combinação de armas parece promissora, mas precisará de um número significativo de combinações para manter o interesse durante dezenas de horas. O mesmo se aplica aos níveis, bosses e sistemas de progressão.

Veredito: 7.5

Mesmo sem estar ainda disponível, Kidbash: Super Legend deixa uma impressão bastante positiva. A mistura entre plataformas clássicas, progressão roguelike, reconstrução de aldeias e um estilo visual único faz dele um dos indies mais promissores dos próximos tempos. Se os estúdios conseguirem cumprir o potencial mostrado nos trailers e demonstrações, este pode muito bem tornar-se numa das surpresas do género quando chegar ao mercado.