Não há prova mais forte da importância do retro gaming do que um acontecimento como este, quando uma comunidade de fãs e colecionadores se unem e apoiam um projeto espetacular que não apenas é um desafio técnico, como também exige avançados conhecimentos de programação e muito talento em resolver problemas e ultrapassar obstáculos.
Lançado em 1993, o console 3DO foi um daqueles fenómenos rápidos que entraram para a história dos jogos, tanto pelo hype quanto pelas suas avançadas qualidades técnicas de hardware e de software, ainda que todos saibam apenas que era caro, caríssimo, praticamente inacessível aos seus fãs e interessados naquele longínquo começo dos anos 90 do século passado.
Imaginem o que era em 1993 um “computador” que podia ler e apresentar numa tela grande nossos CDs de musica, filmes, animações, enciclopédias e jogos com som dolby surround, na resolução 480i… tudo isso a uma fração do custo de um computador PC ou similar da época que era muito mais limitado, exigia alto conhecimento do usuário e demandava também mais hardware como teclado, mouse, cabos e mais cabos… e um monitor de vídeo!
Eu fui um dos felizardos a conseguir uma unidade logo no lançamento, após vender todos meus videogames antigos e brinquedos de criança e convencer meus pais que não era apenas um eletrónico supérfluo mas sim uma “central multimédia” ou um computador de “edutainment” como era anunciado à época, ou seja, oferecia educação e entretenimento em meio ao seu software de jogos incríveis como o primeiro jogo da Naughty Dog, o primeiro The Need for Speed, a versão quase idêntica à do PC de Road Rash e outros jogos imortais como Return Fire, Army Men, Escape From Monster Manor, etc. Inclusive o 3DO realmente foi, na minha casa, o nosso primeiro CD Player de música e o primeiro aparelho onde podíamos ver fotos digitais na tela da televisão usando o Kodak PhotoCD que acompanhou a unidade (e eu o tenho até hoje guardado), num pack com a GAMEGUN (light gun) e os jogos Total Eclipse, Poker e Mad Dog Mcree.
Não vou me prender na história do 3DO nem no nascimento do Playstation 1, que foi anunciado naquela fatídica E3 e num único tiro de canhão afundou o barco tanto da 3DO Company como da SEGA, levando a Saturn junto com o 3DO para o fundo do mar digital: “299 dólares”. A estratégia certeira da Sony seguida pelo lançamento do aparelho vendido abaixo do preço de custo e muito bem acompanhado de uma extensa, variada e ótima biblioteca de jogos, foi uma aposta certeira da empresa em vender hardware “barato” e depois lucrar com a venda do software – os jogos.
O que me traz a escrever este artigo é saber que fãs como Shaun Nicholson, um engenheiro de software norte-americano muito talentoso e gamer inveterado, dedicou meses e meses da sua vida e do seu conhecimento avançado em sistemas no que eu chamo de “artesanato digital” e criou a sua versão definitiva e nunca lançada do jogo MORTAL KOMBAT 2 para o 3DO, isso depois de já ter escrito e lançado sua própria versão do jogo TETRIS para o mesmo console!

Oficialmente Mortal Kombat 2 teve versões portadas para o PC, Amiga, Game Boy, Game Gear, Sega Genesis / 32X / Saturn, SuperNES e PlayStation (Japão apenas), licenciada pela extinta Probe Software (ou Probe Entertainment) e Sculptured Software, publicado pela Acclaim Entertainment (que atualmente é parte da Warner Bros. Interactive Entertainment).
Mortal Kombat foi um game polémico e fenómeno dos anos 90, seguido pela versão muito melhorada e cheia de novos recursos Mortal Kombat 2. Sinceramente não sei como o Shaun conseguiu espremer tantos dados e fazer eles trabalharem bem no hardware jurássico do 3DO.
Para quem tiver curiosidade de saber como ficou o jogo e não puder aceder aos emuladores de 3DO e nem ao console original, segue um video da gameplay:
Para jogar o original na sua versão mais atualizada, aqui vai o link para DOWNLOAD da ISO!

Para estes e outros projectos de games do Shaun acompanhem seu canal 3DO HD no Youtube.

Aprendi em 1983 com o Atari 2600 o que era um videogame. Sou do tempo da internet discada, das cartas em máquina de escrever e de conversar pessoalmente! Do Telejogo Philco-Ford ao telemóvel mais recente, gosto de experimentar games indies e de ajudar a se tornarem títulos AAA. Colecciono consolas e videojogos que fizeram parte da minha história! Pai, Motard e Gamer. 😉
