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Of Ash & Steel – Um RPG que vai dividir opiniões | Análise

Of Ash & Steel apresenta-se como um RPG de ação em mundo aberto que procura recuperar a essência dos clássicos do género, apostando numa abordagem mais crua, lenta e profundamente exploratória.

O jogo da Fire & Frost Studios decorre no Kingdom of the Seven, uma ilha marcada por ambientes de fantasia medieval e por uma atmosfera densa que se apoia no ciclo dia/noite, nas mudanças climáticas e no detalhe sonoro, desde o vento a passar pelas árvores até às rotinas dos NPC. Desde o início é claro que a proposta não é seguir a tendência moderna dos mapas cheios de ícones: aqui não há marcadores, não há “uma mão” a conduzir o jogador e cada descoberta exige atenção, paciência e curiosidade genuína.

A jornada de Tristan, o protagonista, começa de forma humilde, quase insignificante, e a progressão do personagem é refletida não só nos números, mas também na forma como o mundo reage à sua presença. Com três ramos distintos de habilidades, nós vamos moldar o herói ao nosso estilo, escolhendo entre uma evolução mais centrada em crafting e gestão de recursos ou uma via mais agressiva, apoiada no ramo de guerra, que abre acesso a habilidades ativas e truques úteis, como incapacitar inimigos com ferramentas improvisadas. Esta progressão, aliada a um sistema de reputação subtil, dá a sensação de crescimento real, algo raro em RPG´s contemporâneos que apostam mais na quantidade do que na profundidade.

O combate, contudo, é talvez o aspeto que mais dividir opiniões. Trata-se de um sistema metódico, pesado e deliberado, que exige gestão de stamina, uso inteligente das diferentes posturas de combate e consciência espacial. Quem vier de action-RPG´s mais rápidos pode estranhar a lentidão, especialmente porque a regeneração de stamina é lenta que se farta e a margem de erro é reduzida.

 

of ash & steel - gameplay

Ainda assim, para jogadores que apreciam estratégia, o confronto torna-se envolvente, quase tenso, e cada vitória transmite aquela sensação satisfatória de esforço recompensado. Há, no entanto, problemas técnicos que tem de se resolvidos: animações rígidas, colisões inconsistentes, sombras estranhas, etc. Isto não é necessariamente um defeito, mas pode afastar jogadores à procura de um polimento de um jogo AAA.

A exploração funciona bem, mas é aqui que a falta de indicadores tem o seu lado negativo. Em várias missões, senti a falta de pistas mais claras, especialmente quando os NPC´s dão direções vagas e o jogo não destaca objetos interativos. Esta abordagem reforça o lado old-school, mas também cria momentos de frustração desnecessária. Do lado técnico, alguns problemas de controlo, como uma movimentação por vezes flutuante ou falta de precisão no manuseamento com gamepad, começam a causar incómodo ao longo da jogatina. Estes aspetos podem quebrar a imersão, especialmente quando combinados com visuais que, embora competentes, não se destacam e parecem por vezes datados, lembrando jogos da geração Playstation 3.

Apesar destas fragilidades, há algo de especial em Of Ash & Steel. A atmosfera é sólida, a construção de mundo é feita com cuidado, e a sensação de estar num território vivo, cheio de segredos e perigos, é genuína. Cada caverna escondida, cada item artesanal e cada missão secundária encontrada sem ajuda transmitem um sentimento de conquista difícil de replicar em RPG´s mais guiados. Para quem valoriza imersão, liberdade e progressão lenta mas significativa, o jogo potencial e isso não pode ser negado.

Veredito: 6.5

No final, Of Ash & Steel é recomendado sobretudo para fãs de RPG´s clássicos, como o Risen, para jogadores que gostam de começar frágeis e crescer através do esforço, e para quem aprecia um mundo que recompensa a atenção. Por outro lado, quem procura combate rápido, direções claras sobre o que fazer ou polimento técnico exemplar poderá sentir-se frustrado. O jogo equilibra ambição e limitações, oferecendo uma aventura sincera e desafiante que pode conquistar muitos — desde que entrem no seu ritmo.