É seguro dizer que o género de jogos de terror está bastante popular nos dias que correm, tanto nas grandes produções (vulgas AAA) como na esfera indie. The Cabin Factory enquadra-se nesta ultima, sendo mais uma pequena experiência interactiva do que propriamente um jogo. Ainda assim, posso dizer que me prendeu completamente durante as cerca de duas horas que passei com ele, não se estendendo mais do que o necessário.
O jogo não perde tempo em introduzir-nos à premissa. Nós encarnamos uma recém funcionária da Cabin Factory Corporation, uma empresa que produz, pasmem-se, pequenas cabines pitorescas, hiper-realísticas e com elementos de horror, para serem usadas em filmes e parques temáticos. É nos prontamente informado que recentemente a empresa entrou numa disputa legal por uma acusação, alegadamente falsa, de que as cabines estariam amaldiçoadas. Por esse motivo, inspeções prévias a todas as cabines produzidas passaram a ser obrigatórias, numa tentativa de comprovar como falsa a acusação. Sem grandes surpresas, é exactamente essa a tarefa que nos espera.

Chegamos então a um pavilhão com um painel de controlo e uma passadeira gigante, onde as cabines produzidas irão circular. O painel conta com oito luzes, dois botões – “Clear” e “Danger” – e um quadro com as seguintes instruções:
Inspecciona toda a cabine
– Se estiver assombrada, volta imediatamente e pressiona “Danger”
– Se estiver segura, pressiona “Clear”
Qualquer movimento indica que a cabine está assombrada
Esta é toda a interação que temos com o jogo. Visitar a cabine, inspecciona-la, determinar se é segura ou assombrada. Repeat. Acertando no veredicto de oito inspeções consecutivas chegamos ao final do jogo. Simples, certo? Errado.

O verdadeiro desafio de The Cabin Factory prende-se com identificar todos os elementos potencialmente assombrados em cada cabine, que à partida é virtualmente idêntica a todas as outras. Quão mais cabines visitamos, mais padrões na disposição dos seus adereços vamos identificando. Por vezes os movimentos que identificam um assombramento são claros, como um dos figurinos da família que habita a cabine ganhar vida e começar a mover-se na nossa direção. É importante referir que quando tal acontece a única coisa a fazer é fugir, pois caso nos atinjam voltamos imediatamente ao ponto de partida, com a nossa contagem de inspeções reiniciada. No entanto, em maior parte dos casos as anomalias são bem mais subtis, como uma caneca fora do sítio. São principalmente estas ultimas que contribuem para a longevidade do jogo. Foram inúmeras as vezes, mais do que gostaria de admitir, em que já ia em seis ou sete inspeções sucessivas, até me escapar um detalhe e assumir erradamente que uma cabine era segura, voltando imediatamente à “estaca zero”.

No fundo The Cabin Factory partilha a estrutura de um Rougelike, com a particularidade da progressão de jogo estar inteiramente na mente do jogador e na sua capacidade de reconhecimento de padrões. A cada tentativa errada, o impulso é o de voltar imediatamente à cabine seguinte para dar início a mais um ciclo de inspeções bem sucedidas, na esperança de que seja este o definitivo. Um conceito simples, mas eficaz.

The Cabin Factory mistura de uma maneira interessante um jogo de perspicácia com momentos de terror inesperados, culminando numa experiência viciante até descobrirmos todos os seus padrões.

Interessado em design e tecnologia desde sempre, encontrei nos videojogos a combinação perfeita entre ambos. Desde os clássicos mais antigos aos lançamentos mais recentes, gosto de explorar todas as diferentes gerações, com um fascínio particular pelos sistemas dos anos 90.
Falo sobre todos estes assuntos e mais alguns no podcast semanal The Games Tome.
