Sabes aquele jogo que descobres sem dar nada por ele e, de repente, não consegues largar? Foi exatamente o que me aconteceu com God of Weapons. Fui sem expectativas, a pensar que ia ser só mais um Vampire Survivors wannabe… e afinal dei por mim a dizer: “só mais um andar, só mais uma run”. Spoiler: não foi só uma.
A ideia é simples: vais subindo uma torre, andar a andar, a tentar sobreviver ao enxame de inimigos que não te larga. No início parece fácil — 25 segundinhos e já está, passamos ao próximo andar. Mas não te iludas: quando chegas ao 20.º andar já são 90 segundos de sobrevivência hardcore e tu só queres gritar “deixem-me respirar!”. O objetivo? Bater no boss lá em cima. Fácil de dizer, difícil de fazer, pelo menos até entenderes melhor as mecânicas do jogo e de algumas runs para praticar.
Após algum tempo preso no PC, chegou a vez de podermos jogar nas consolas.
Em termos de gameplay, é um roguelike, com duas partes distintas. A primeira é o combate em cada um dos andares, onde temos de sobreviver num curto espaço de tempo, a várias ondas de inimigos. O estilo de jogo é semelhante a um Vampire survivores, onde os ataques são automáticos e apenas nos preocupamos com o movimento.
Mas o que torna este jogo diferente, é a mecânica do inventário. Entre cada andar tens o teu momento zen (ou quase): gastas XP para expandir o inventário e usas o ouro para comprar mais brinquedos letais. Claro que há sempre a tentação de gastar moedas num “reroll” para ver se aparece aquela arma perfeita — e é nestas escolhas que se decidem as runs.
A gestão destes itens é interessante e divertida, pois tens de arrumar tudo como se estivesses a jogar Tetris no baú do Diablo. Cabe tudo? Ótimo. Não cabe? Paciência, ficas a encaixar reorganizar tudo, para que aquela arma com uma forma esquisita, possa ir contigo para o próximo andar. Parece um detalhe, mas dá um sabor estratégico brutal ao caos dos combates.
Cada run completa poderá durar cerca de uma hora, em que gastas 15 minutos no combate e 45 minutos na gestão do inventário. Pode parecer uma seca, mas não é de todo…

A variedade também ajuda: há imensos personagens para desbloquear, cada um com três variantes, e armas e itens suficientes para nunca jogares duas partidas iguais. A forma de desbloquear os personagens está relacionada com a habilidade desse personagem escondido. Por exemplo, para desbloqueares um personagem que tem como habilidade, uma alta percentagem de infligir dano critico, tens de evoluir esse tipo de dano, com outro personagem qualquer.

Graficamente não é nada que vá ganhar prémios, mas também não precisa. A direção artística é clara, funcional, e deixa-te concentrado no que interessa: sobreviver sem enlouquecer. A música acompanha o ritmo frenético sem se meter no caminho, mas estranhamente, na fase de organização do teu equipamento (onde na verdade se gasta mais tempo, do que em cada andar), é tudo muito silencioso.
É uma pena que após se chegar ao fim do 20º andar e derrotar o respetivo boss, a única coisa que recebemos é mais um nível de dificuldade, onde iremos repetir os mesmos 20 andares, mas com inimigos mais fortes. De qualquer forma, mesmo após ter terminado o jogo, no nível de dificuldade mais elevado (V), ainda joguei mais umas horinhas a tentar desbloquear todos os personagens.

Conclusão
Prós
- Gameplay viciante que te agarra logo.
- Mecânica de inventário estilo Diablo + Tetris = genial.
- Muitos personagens e armas para desbloquear.
- Progressão constante e recompensadora.
- Ainda bem que não existe em mobile… senão é que eu não largava isto.
Contras
- Visual e som apenas “ok”.
- Estrutura repetitiva pode afastar quem procura mais variedade.
- Falta de desafios dentro do jogo, para além dos 20 andares.
- Controlos (na gestão de inventário) pouco funcionais com o comando.

Nascido em 1980, cresci a soprar cartuchos e a acreditar que gráficos de 16 bits eram o auge da tecnologia. Coleciono memórias e achievements em todas as consolas, e jogo de tudo… ou quase tudo (não quero jogar online). Para mim, cada jogo é uma viagem no tempo — às vezes para o futuro, às vezes de volta à infância.
