Há jogos que envelhecem bem. Outros precisam de uma segunda oportunidade. E depois há Xenoblade Chronicles 2, um jogo que sempre teve uma aventura gigantesca dentro de si, mas que passou anos a lutar contra o próprio hardware da Nintendo.
Lançado originalmente em 2017, o JRPG da Monolith Soft destacou-se pelo seu mundo enorme, personagens memoráveis, combates profundos e uma banda sonora fantástica. O problema é que a Nintendo Switch nem sempre conseguia acompanhar toda esta ambição. Quase uma década depois, a Nintendo Switch 2 dá finalmente ao jogo espaço para respirar. E a diferença nota-se bastante!
Xenoblade Chronicles 2 leva-nos até Alrest, um mundo composto por um enorme oceano de nuvens onde a humanidade vive sobre gigantescos Titãs. É uma das ideias mais interessantes da série e continua a funcionar muito bem. Cada Titã apresenta ambientes, cidades e culturas diferentes, fazendo com que viajar por Alrest seja quase como visitar vários mundos dentro do mesmo jogo.
No papel, a história começa de forma relativamente simples. Rex, um jovem salvager, conhece Pyra, uma Blade misteriosa, e parte numa viagem em busca de Elysium. Mas, claro que nada é assim tão simples. A aventura vai crescendo, introduzindo conflitos, segredos, novas personagens e acontecimentos que dão muito mais peso à narrativa.
E o elenco é uma das grandes forças do jogo. Rex, Pyra, Mythra, Nia, Tora, Morag e Zeke têm personalidades bastante diferentes e conseguem criar momentos tanto emocionantes como genuinamente divertidos. Há muito drama, mas também há espaço para humor. Felizmente, porque passar dezenas de horas num JRPG sem ninguém fazer uma figura ridícula seria quase ilegal.
O sistema de combate é provavelmente uma das partes mais interessantes — e também uma das mais complicadas inicialmente. As personagens atacam automaticamente, enquanto o jogador controla as habilidades, as Blades utilizadas e as combinações de ataques. As Blades possuem diferentes elementos e funções, permitindo criar combinações e combos cada vez mais poderosos.
No início, tudo isto pode parecer uma confusão., mas, depois começamos a perceber como funciona e o sistema ganha toda uma outra dimensão. Os combates passam de simples confrontos contra monstros para verdadeiros puzzles onde precisamos de escolher a Blade certa, utilizar os ataques no momento adequado e construir combos elementais. E quando conseguimos executar uma sequência perfeita, a sensação é excelente.
Mas e o que são as Blades? Elas são uma parte fundamental da experiência. Existem várias para descobrir e cada uma possui características próprias, o que permite personalizar bastante a equipa.
A obtenção de algumas Blades utiliza um sistema aleatório através dos Core Crystals. Pode ser divertido descobrir uma nova Blade, mas também pode provocar alguma frustração quando o jogo decide que precisamos de mais uma personagem que não queríamos. Apesar disso, a variedade acrescenta bastante profundidade à aventura.
Alrest continua a ser um mundo fantástico para explorar. Existem áreas enormes, cidades, florestas, desertos, cavernas e inúmeros segredos espalhados pelo mapa. O jogo recompensa quem se afasta do caminho principal, embora algumas zonas possam ser confusas e determinadas habilidades das Blades possam obrigar-nos a voltar aos menus mais vezes do que gostaríamos.
É precisamente aqui que uma das melhorias da Nintendo Switch 2 ganha importância. A gestão das Field Skills foi melhorada, reduzindo a necessidade de trocar constantemente de Blade para ultrapassar determinados obstáculos. É uma alteração pequena, mas extremamente bem-vinda. Menos menus. Menos trocas. Menos “qual delas é que tem esta habilidade mesmo?”.
A grande diferença da Nintendo Switch 2 na minha opinião, diria que seja a apresentação técnica. Esta nova versão oferece uma imagem muito mais limpa e detalhada, melhor desempenho e maior fluidez, incluindo suporte para até 60 fps. E sejamos realistas, Xenoblade Chronicles 2 precisava mesmo disso.
Os cenários são enormes e cheios de detalhe, mas na Nintendo Switch original a resolução podia prejudicar bastante a experiência. Nesta nova versão, Alrest ganha outra vida. Os cenários parecem mais definidos, os personagens apresentam-se melhor e os combates são muito mais agradáveis graças à maior fluidez.
As cutscenes também receberam melhorias, tornando a apresentação geral mais consistente. Não é apenas uma questão de colocar o jogo numa resolução superior. A aventura simplesmente consegue mostrar melhor aquilo que sempre quis ser.
Mas as novidades não se ficam por aqui, pois esta Nintendo Switch 2 Edition também acrescenta conteúdo. Temos uma nova Blade rara, MOMO, com uma missão própria, o modo Merc Assault, que permite controlar diretamente as Blades em batalhas de ação, e novos equipamentos visuais para Pyra e Mythra.
Não são novidades capazes de alterar completamente a experiência, mas são extras interessantes, especialmente para quem já conhece o jogo original. Para os veteranos, existe aqui mais uma desculpa para regressar a Alrest. E para quem nunca jogou, é simplesmente a versão mais completa e tecnicamente mais agradável.
A música continua a ser uma das maiores qualidades de Xenoblade Chronicles 2. Os temas conseguem transmitir perfeitamente a dimensão do mundo, desde momentos tranquilos de exploração até às batalhas mais épicas. É uma daquelas bandas sonoras que conseguimos continuar a ouvir mesmo depois de desligar a consola.
Contudo, apesar de todas as qualidades, Xenoblade Chronicles 2 Nintendo Switch 2 Edition continua a ter alguns problemas. A quantidade de sistemas pode ser intimidante no início (típico da franquia) e o jogo nem sempre explica as suas mecânicas da melhor maneira. Algumas missões secundárias são pouco interessantes e certas zonas podem tornar a exploração mais frustrante do que deveria.
O sistema aleatório das Blades também não será do agrado de todos. São problemas reais, mas que não conseguem manchar a qualidade geral da aventura.
Xenoblade Chronicles 2 continua a ser um dos “pesos pesados” da Nintendo. A história é envolvente, as personagens têm personalidade, o mundo é enorme, o combate oferece bastante profundidade e a banda sonora é simplesmente fantástica. A Nintendo Switch 2 consegue finalmente resolver uma das maiores limitações da versão original: a apresentação técnica. Não estamos perante um jogo novo é certo, mas estamos perante uma oportunidade de redescobrir um clássico numa versão que lhe faz muito mais justiça. Se nunca visitaste Alrest, esta é a altura certa. Se já visitaste, bem… diria que há sempre espaço para mais 100 horas de jogo.

Jogo de tudo um pouco, desde a minha primeira consola de jogos, a Master System II. Desde aí muita coisa mudou, mas a paixão e dedicação aos videojogos permaneceu intacta.
Apesar de jogar de tudo um pouco, desde FPS a RPG´s, sou grande adepto de Fighting games, como o Mortal Kombat e ainda de jogos de desporto automóvel, como o Forza Motorsport. Também não dispenso boas séries e bons filmes. Sou grande fã de animes desde muito cedo, onde tenho DragonBall e Naruto como séries de eleição.






