Há jogos que nos pedem para correr, saltar e disparar enquanto salvamos o mundo. E depois temos Train Sim World 7, que basicamente nos pede para entrar numa cabine, ligar uma máquina de várias toneladas e termos o cuidado para não chegar atrasado à próxima estação. Pode parecer pouco emocionante, mas basta passarmos algum tempo dentro de uma locomotiva para perceber que conduzir um comboio pode ser uma experiência bastante mais envolvente do que parece. Train Sim World 7 não tenta reinventar a fórmula da série, mas procura torná-la mais completa, acessível e tecnicamente competente, acrescentando novas rotas, novas locomotivas e algumas funcionalidades que fazem diferença na forma como jogamos.
A grande novidade está logo na variedade das três novas rotas principais. Temos a Airedale & Wharfedale Network, situada no norte de Inglaterra, a Florida Tri-Rail, nos Estados Unidos, e a Bahnstrecke Nürnberg–Würzburg, que nos leva até a Alemanha. São três ambientes bastante diferentes e, mais importante, três formas distintas de viver a experiência ferroviária. A rede britânica é provavelmente aquela que melhor representa o espírito tradicional da série, com serviços suburbanos, ramificações, estações e operações de passageiros, enquanto a ligação entre Miami Airport e Boca Raton coloca-nos num cenário completamente diferente, com o ambiente quente e urbano da Florida. Já a linha alemã aposta numa mistura particularmente interessante de serviços regionais, alta velocidade e transporte de mercadorias.
A Airedale & Wharfedale Network é especialmente interessante pela sua estrutura. São cerca de 54 milhas de linha, ligando Leeds e Bradford a Skipton e Ilkley, com vários ramais e zonas dedicadas ao transporte de mercadorias. Não estamos simplesmente perante uma linha que começa num ponto e termina noutro. Há depósitos, terminais de agregados e zonas industriais que ajudam a criar uma sensação de rede ferroviária mais completa. É também aqui que encontramos máquinas como a BR Class 331, a LNER Class 801 Azuma e a Class 66, cada uma com características próprias e uma forma diferente de conduzir.
A Florida Tri-Rail muda completamente o ambiente. Entre o Aeroporto de Miami e Boca Raton encontramos mais de 45 milhas de percurso e 13 estações, com serviços de passageiros e também operações de carga. A possibilidade de alternar entre serviços Tri-Rail e trabalhos de mercadorias da CSX é uma das coisas que mais ajuda a evitar aquela sensação de repetição que pode aparecer num simulador deste género. Há locomotivas diesel, carruagens de dois pisos e diferentes tipos de operações, criando uma experiência bastante diferente daquela que encontramos na Europa.
Na Alemanha temos talvez a combinação mais interessante para quem gosta de observar tráfego ferroviário variado. A Bahnstrecke Nürnberg–Würzburg mistura comboios regionais, serviços ICE e operações de mercadorias. É uma linha onde a condução pode mudar bastante consoante o serviço que estamos a realizar. Num momento estamos preocupados com passageiros e horários, no seguinte estamos a puxar toneladas de carga. E é precisamente aqui que Train Sim World 7 começa a mostrar uma das suas maiores virtudes: não tenta fazer com que todas as viagens sejam iguais.
Uma das grandes novidades é precisamente o modo Freight Hauler. Em vez de simplesmente seguir uma tabela horária e cumprir uma sequência de instruções, podemos assumir trabalhos de carga e decidir como organizar determinadas operações. É uma abordagem mais livre, centrada na formação, movimentação e entrega das composições. Para quem gosta daquela parte mais operacional dos simuladores, em que passar cinco minutos a manobrar vagões pode ser tão interessante como fazer uma viagem de 40 quilómetros, esta é uma adição bastante pertinente.
Outra novidade interessante é o Live Weather. Tal como já acontece no Microsoft Flight Simulator por exemplo, o jogo pode utilizar dados meteorológicos em tempo real para determinar as condições atmosféricas, o que acrescenta uma camada de imprevisibilidade às viagens. A diferença entre conduzir com céu limpo e fazê-lo com chuva ou outras condições meteorológicas não é apenas estética. O ambiente muda e a viagem ganha uma atmosfera diferente. É aquele tipo de funcionalidade que talvez não seja motivo suficiente para comprar o jogo, mas que depois de experimentada torna-se difícil imaginar a experiência sem ela.
Também houve trabalho na parte gráfica. Train Sim World 7 passa a utilizar DirectX 12 e, no PC, oferece suporte a tecnologias como DLSS 4.5, DLAA e FSR 4, além de um novo nível de qualidade gráfica denominado Epic. Isto permite aumentar a qualidade visual e as distâncias de desenho em máquinas suficientemente potentes.
E os comboios continuam a ser, naturalmente, as grandes estrelas. A qualidade das cabines mantém-se como um dos pontos fortes da série. Os comandos, interruptores, ecrãs e sistemas presentes nas diversas locomotivas são reproduzidos com bastante detalhe, e existe aquela sensação de que estamos realmente a operar uma máquina em vez de simplesmente carregar num botão para acelerar.
É também aqui que aparece uma das características que pode assustar quem chega agora à série: a quantidade de coisas que temos para aprender. Train Sim World 7 continua a ser um simulador e não um jogo de comboios disfarçado de simulador. É perfeitamente possível começar de forma simples, mas, quando queremos dominar realmente uma locomotiva, começamos a lidar com sistemas de segurança, sinais, limites de velocidade, procedimentos de partida e todas aquelas pequenas regras que fazem parte da operação ferroviária.
Felizmente, temos os Beginner Controls que nos ajudam bastante. Esta opção permite simplificar os comandos e tornar a condução mais acessível, tanto em Free Roam como nos serviços de horário. É uma boa solução porque não obriga o jogador a escolher entre uma simulação extremamente complexa e uma experiência completamente automatizada. Podemos começar devagar e ir aumentando a dificuldade à medida que percebemos o que estamos a fazer.
Outra melhoria importante é o facto de os sistemas de segurança poderem ficar ativados por defeito. Para quem já conhece a série, isto significa menos trabalho inicial para configurar determinados sistemas; para quem está a aprender, também ajuda a perceber desde cedo que conduzir um comboio envolve muito mais do que acelerar e travar.
A interface também foi revista, os carregamentos foram melhorados e existem várias pequenas alterações de qualidade de vida. Temos opções de FOV, melhorias nas restrições temporárias de velocidade, maior velocidade da câmara externa e até um sistema de AI Conductor que pode assumir automaticamente algumas operações relacionadas com as portas. São alterações pequenas isoladamente, mas juntas tornam a experiência “menos burocrática”.
Visualmente, Train Sim World 7 continua a impressionar sobretudo quando estamos dentro da cabine. As locomotivas têm excelente nível de detalhe e os cenários conseguem transmitir uma boa sensação de escala. A iluminação e o clima ajudam bastante na atmosfera, especialmente quando viajamos ao amanhecer, durante a noite ou com condições meteorológicas diferentes. O problema é que a qualidade nem sempre é completamente uniforme. Há zonas onde o cenário exterior parece bastante convincente e outras em que alguns elementos, NPCs ou detalhes ambientais denunciam que continuamos perante um videojogo.
O som é outro ponto forte. Motores, buzinas, travões e todos aqueles pequenos ruídos mecânicos contribuem muito para a sensação de estar dentro de uma locomotiva. É uma daquelas situações em que podemos perfeitamente passar alguns minutos simplesmente a observar a paisagem enquanto ouvimos a máquina trabalhar. Contudo, denotei alguma inconsistência nos sons ambientais exteriores, com determinadas zonas a parecerem demasiado silenciosas.
E depois temos o elefante que continua sentado confortavelmente no meio da sala: os imensos DLC. Train Sim World tem uma enorme quantidade de conteúdo adicional e Train Sim World 7 não abandona esse modelo. A edição base oferece três rotas principais, mas quem quiser transformar o jogo numa gigantesca biblioteca ferroviária terá inevitavelmente de investir em conteúdos adicionais. Para quem já possui uma coleção de Train Sim World, existe a vantagem de poder transportar grande parte desse investimento para a nova versão através dos conteúdos suportados.
Para um jogador novo, porém, a quantidade de DLC disponível pode ser quase assustadora. Existem locomotivas, rotas e expansões para praticamente todos os gostos e é muito fácil olhar para a loja e pensar que acabámos de entrar numa estação onde todos os comboios têm bilhete separado.
Mesmo assim, o simulador da Dovetail Games consegue cumprir aquilo a que se propõe. Não é uma revolução dentro da série, mas também não precisava de ser. A Dovetail pegou numa fórmula já bastante estabelecida e trabalhou sobretudo nos pontos que podiam tornar a experiência mais acessível, variada e confortável. O Freight Hauler é provavelmente a novidade que mais altera a forma de jogar, enquanto o Live Weather, as melhorias gráficas e os Beginner Controls funcionam como melhorias que tornam o pacote mais completo.
O resultado é um simulador que continua a exigir paciência, mas que recompensa quem lhe dá essa oportunidade. Não é propriamente um jogo para pegar durante dez minutos enquanto esperamos pelo jantar. É uma experiência para entrar na cabine, preparar tudo, arrancar calmamente e perceber que já passou uma hora sem darmos por isso. E talvez seja precisamente essa a sua maior qualidade: consegue transformar aquilo que, para muita gente, seria simplesmente uma viagem de comboio numa experiência de jogo bastante relaxante, técnica e surpreendentemente absorvente.
Para quem nunca experimentou nenhum dos jogos de Train Sim World, esta é uma das versões mais acessíveis para começar, sobretudo graças aos Beginner Controls. Continua a ser um simulador exigente, continua a ter uma enorme dependência de DLC e continua a pedir alguma paciência. Mas, quando finalmente sabemos o que estamos a fazer, a sensação de cumprir um serviço completo, respeitar os sinais, parar corretamente numa estação e chegar ao destino dentro do horário continua a ser estranhamente satisfatória.

Jogo de tudo um pouco, desde a minha primeira consola de jogos, a Master System II. Desde aí muita coisa mudou, mas a paixão e dedicação aos videojogos permaneceu intacta.
Apesar de jogar de tudo um pouco, desde FPS a RPG´s, sou grande adepto de Fighting games, como o Mortal Kombat e ainda de jogos de desporto automóvel, como o Forza Motorsport. Também não dispenso boas séries e bons filmes. Sou grande fã de animes desde muito cedo, onde tenho DragonBall e Naruto como séries de eleição.






