NASCAR 26 chega com uma missão simples: pegar na experiência do jogo anterior e torná-la mais completa, mais realista e, acima de tudo, mais divertida. A iRacing Studios continua responsável pelo desenvolvimento e desta vez há uma preocupação evidente em melhorar vários aspetos da condução, da inteligência artificial, da carreira e da própria apresentação das corridas. O resultado é um jogo que consegue transmitir bastante bem aquilo que torna a NASCAR tão diferente das restantes competições automóveis, embora ainda tenha alguns problemas para serem resolvidos.
A primeira coisa que se nota quando começamos a jogar é a condução. Os carros têm peso, potência e exigem algum cuidado, principalmente nas curvas. Não basta carregar no acelerador e esperar que o carro faça tudo sozinho. É preciso controlar a velocidade, perceber a aderência disponível e encontrar a melhor trajetória. Nas pistas ovais, que são naturalmente o coração da experiência NASCAR, isto torna-se ainda mais interessante. Uma pequena correção pode fazer a diferença entre ganhar algumas posições ou acabar contra o muro.
Uma das principais novidades é o sistema de pista dinâmica. À medida que a corrida avança, a pista vai mudando e a aderência também. A passagem dos carros deixa borracha no asfalto e isso altera o comportamento do veículo. Na prática, significa que a melhor linha numa determinada fase da corrida pode deixar de ser a melhor algumas voltas depois. É uma alteração importante porque faz com que as corridas sejam menos previsíveis e obriga o jogador a adaptar-se.
Também os pneus e a travagem têm um papel importante. É preciso ter algum cuidado para não destruir os pneus demasiado cedo e saber aproveitar cada paragem nas boxes. Numa corrida longa, não interessa apenas ser rápido. É necessário pensar um pouco mais à frente. Uma condução demasiado agressiva pode dar algumas posições no início, mas acabar por prejudicar-nos quando os pneus começarem a perder rendimento.
E é precisamente aqui que NASCAR 26 consegue transmitir uma das características mais interessantes da modalidade: uma corrida pode mudar completamente num instante. Um acidente, uma bandeira amarela ou uma paragem nas boxes no momento certo podem alterar toda a classificação. Não estamos perante uma competição em que basta ser o piloto mais rápido durante todas as voltas. Estratégia e capacidade de adaptação também contam.
A inteligência artificial apresenta melhorias, embora ainda não seja perfeita. Os adversários conseguem proporcionar corridas bastante interessantes, especialmente quando estamos no meio de um grupo de carros. O sistema de drafting também ajuda a criar momentos bastante emocionantes, com vários pilotos a lutarem por posições a poucos centímetros uns dos outros. No entanto, ainda existem situações em que a IA apresenta comportamentos pouco naturais e algumas decisões durante as corridas poderiam ser melhores.
As paragens nas boxes também fazem parte desta experiência. É possível perder ou ganhar posições durante uma ida às boxes, e isso dá uma importância maior à estratégia. Não é apenas uma questão de parar para colocar pneus novos e combustível. É preciso pensar no momento certo para o fazer e perceber como essa decisão pode afetar as voltas seguintes.
A carreira é outro dos pontos importantes de NASCAR 26. Começamos nas categorias inferiores e tentamos subir até à Cup Series. A progressão é simples de compreender e permite-nos evoluir ao longo da temporada, melhorar o carro e ganhar dinheiro para investir na equipa. É uma estrutura agradável para quem gosta de começar por baixo e construir lentamente uma carreira.
Não é, contudo, um modo carreira particularmente profundo. Existem melhorias e decisões para tomar, mas falta alguma complexidade. Seria interessante ter uma gestão de equipa mais desenvolvida, mais decisões relacionadas com os patrocinadores ou uma maior influência sobre o desenvolvimento do carro. A base está lá, mas há espaço para fazer muito mais no futuro.
Para quem não quiser passar por toda essa progressão, existem outras opções. The Chase permite entrar diretamente na fase final do campeonato e lutar pelo título, enquanto os modos de treino ajudam a perceber melhor as particularidades da condução. Isto é especialmente útil para quem não está habituado aos carros NASCAR.
A quantidade de conteúdo também é um dos pontos fortes. NASCAR 26 conta com várias categorias, incluindo Cup Series, Truck Series e ARCA, e apresenta carros, pilotos e equipas licenciados. Existem ainda vários circuitos, o que ajuda a manter a experiência variada. Mesmo sendo um jogo centrado nos ovais, há circuitos mistos que obrigam a mudar completamente a forma de conduzir.
Graficamente, NASCAR 26 apresenta uma evolução positiva. Os carros estão bem detalhados, os circuitos têm um bom nível de qualidade e as corridas conseguem transmitir uma sensação de velocidade bastante convincente. Os acidentes, o fumo e os efeitos visuais ajudam igualmente a criar um espetáculo mais próximo do que esperamos de uma corrida NASCAR.
O som acompanha bem essa experiência. Os motores têm bastante presença e o ambiente das corridas ajuda a criar aquela sensação de estarmos no meio de um grande evento. O spotter também desempenha um papel relevante, avisando sobre os carros que estão ao nosso lado e ajudando-nos a perceber o que acontece à nossa volta.
No multiplayer, a possibilidade de jogar com utilizadores de outras plataformas é uma boa adição. As corridas podem ser bastante divertidas quando encontramos jogadores que respeitam as regras e percebem como funciona a competição NASCAR. Quando isso não acontece, bem… há sempre alguém que parece acreditar que o muro é uma barreira opcional.
E os problemas técnicos? Existem. NASCAR 26 chegou com alguns bugs e situações que precisaram de ser corrigidas através de atualizações. Alguns problemas relacionados com a IA, boxes, bandeiras amarelas e outros elementos da experiência foram sendo tratados, mas fica a sensação de que o jogo precisava de mais algum tempo de preparação antes de chegar às mãos dos jogadores.
Ainda assim, o mais importante é que a base do jogo funciona. NASCAR 26 consegue proporcionar boas corridas e, principalmente, consegue transmitir aquilo que torna esta competição tão particular. A sensação de estar num pelotão, andar lado a lado com outro carro e entrar numa curva a grande velocidade é bastante satisfatória.
Também ajuda o facto de o jogo não ser excessivamente complicado para quem está a começar. As ajudas de condução permitem adaptar a experiência ao nível de cada jogador. Podemos começar com uma condução mais acessível e retirar progressivamente as ajudas à medida que ganhamos confiança.
NASCAR 26 não é perfeito e ainda está longe de ser uma referência absoluta dentro dos jogos de automobilismo. A carreira podia ser mais profunda, a inteligência artificial ainda precisa de alguns ajustes e existem problemas técnicos que retiram algum brilho à experiência. Mas a evolução em relação ao jogo anterior é evidente.
O mais importante é que NASCAR 26 consegue divertir. E isso acaba por ser o que realmente interessa quando ligamos o motor e pegamos no comando. As corridas são intensas, existe estratégia, os carros exigem alguma atenção e nunca sabemos muito bem como a prova vai terminar. Podemos estar em décimo lugar a poucas voltas do fim e, depois de uma bandeira amarela, tudo muda.
A iRacing Studios ainda tem trabalho pela frente, mas NASCAR 26 mostra que a série está no caminho certo. Agora é continuar a corrigir os problemas, aprofundar os modos de jogo e aproveitar a boa base de condução que foi construída. Porque, quando estamos numa última volta, lado a lado com outro carro, com o muro a poucos metros e a bandeira de xadrez cada vez mais perto, é difícil não perceber a verdadeira grandiosidade da NASCAR.

Jogo de tudo um pouco, desde a minha primeira consola de jogos, a Master System II. Desde aí muita coisa mudou, mas a paixão e dedicação aos videojogos permaneceu intacta.
Apesar de jogar de tudo um pouco, desde FPS a RPG´s, sou grande adepto de Fighting games, como o Mortal Kombat e ainda de jogos de desporto automóvel, como o Forza Motorsport. Também não dispenso boas séries e bons filmes. Sou grande fã de animes desde muito cedo, onde tenho DragonBall e Naruto como séries de eleição.






