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OMEN – Sobrevive e regressa com o loot | Análise

Há jogos que nos convidam a salvar a galáxia. OMEN olha para essa missão de outra forma: a galáxia já está praticamente lixada, há impérios mortos por todo o lado, fanáticos com vontade de nos mandar desta para melhor e uma dimensão cósmica que provavelmente devia ter continuado fechada. E é precisamente neste cenário bastante “animador” que somos enviados para investigar o desaparecimento do Império Samarin.

Desenvolvido pela Codex Interactive, OMEN coloca-nos no papel de um Astral, um piloto imortal de uma nave estelar que percorre os restos deste antigo império. A proposta mistura combate em perspetiva superior, exploração, recolha de recursos, extração de loot, construção e defesa de uma base, criando uma experiência que consegue parecer familiar e, ao mesmo tempo, bastante diferente daquilo que encontramos habitualmente no género.

A estrutura do jogo é relativamente simples de compreender: entramos numa região, exploramos, enfrentamos inimigos, recolhemos recursos e tentamos sair de lá vivos. Parece fácil, certo? Claro que não. Porque quanto mais tempo passamos numa zona, maior é a tentação de continuar a explorar e procurar equipamento melhor. O problema é que morrer significa perder aquilo que não conseguimos extrair. O clássico “só mais uma sala” transforma-se rapidamente em “porque é que eu fiz isto?”.

O combate é um dos pilares de OMEN e aposta numa abordagem bastante dinâmica. A perspetiva de cima permite ter uma visão ampla do campo de batalha, enquanto controlamos a nave e utilizamos diferentes armas e habilidades. Existe uma quantidade considerável de equipamento para desbloquear, com mais de 80 armas e habilidades de nave disponíveis na versão atual.

E é aqui que começa a surgir uma das características mais interessantes do jogo: a possibilidade de experimentar diferentes combinações. Em vez de simplesmente encontrar uma arma melhor e substituir a anterior, OMEN incentiva-nos a construir uma configuração que se adapte à nossa forma de jogar. Queremos apostar no dano bruto? Mais mobilidade? Habilidades capazes de controlar grupos de inimigos? Há espaço para experimentar.

 

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Mas o jogo não vive apenas do combate. Entre expedições temos também a nossa base, que funciona como uma espécie de centro de operações. Podemos construir estruturas defensivas e preparar-nos para ataques inimigos, transformando o jogo numa curiosa mistura entre exploração e tower defense. Quando as hordas aparecem, aquilo que construímos deixa de ser decoração e passa a ser uma questão de sobrevivência.

Esta componente ajuda bastante a quebrar o ritmo das expedições. Depois de passar algum tempo a explorar e recolher recursos, regressar à base e prepará-la para o próximo ataque dá ao jogador uma sensação clara de progressão. É também uma das características que distingue OMEN de um simples looter shooter visto de cima. O universo é outro dos pontos que merece atenção. O Império Samarin encontra-se em ruínas e aquilo que encontramos pelo caminho são os restos de uma civilização que aparentemente teve um fim bastante desagradável. Piratas, traidores, cultistas e outras forças hostis ocupam diferentes regiões, cada uma com os seus próprios desafios, inimigos e recompensas.

E depois temos os The Veil. Se já estávamos suficientemente preocupados com piratas e fanáticos, OMEN decide abrir uma espécie de porta para uma dimensão corrompida que começa a despejar aberrações no nosso universo. A influência de terror cósmico é bastante evidente e dá ao jogo uma identidade visual e temática interessante. A ideia de começar numa aventura de ficção científica relativamente tradicional e acabar a enfrentar coisas que parecem ter saído de um pesadelo é, no mínimo, apelativa.

 

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A progressão também beneficia da estrutura roguelite. As regiões apresentam desafios diferentes e os inimigos podem adaptar-se às nossas ações, fazendo com que as expedições não sejam simplesmente uma questão de repetir o mesmo percurso até conseguirmos o equipamento necessário. A combinação entre exploração, risco, recompensa e extração cria aquela sensação perigosa de “mais uma tentativa” que pode facilmente consumir horas.

Outro aspeto interessante é a escala. O jogo não se limita a pequenas escaramuças. Existem batalhas de frotas de maior dimensões, nas quais combatemos ao lado dos sobreviventes leais ao antigo Império Samarin. Para um projeto independente, esta tentativa de alternar entre confrontos mais controlados e batalhas maiores ajuda a dar uma sensação de universo muito mais amplo.

Visualmente, OMEN não tenta competir com os grandes blockbusters de ficção científica. O estilo é mais simples e estilizado, mas funciona bem com o ambiente sombrio. As cores e os efeitos utilizados durante os combates ajudam a destacar inimigos, projéteis e habilidades, algo especialmente importante num jogo em que rapidamente podemos ter demasiadas coisas a acontecer no ecrã.

No entanto, não estamos perante um jogo perfeito. A própria estrutura baseada em expedições, loot e progressão pode tornar-se repetitiva para quem não aprecia este tipo de ciclo. A fórmula depende muito de o jogador gostar daquela constante procura pelo equipamento seguinte e de aceitar perder recursos quando uma incursão corre mal. Também existe uma certa dependência da progressão para manter o interesse a longo prazo.

Ainda assim, há uma ideia bastante interessante por baixo de tudo isto. OMEN pega em vários géneros que já conhecemos — shooter, extraction, roguelite, construção de bases e ficção científica — e tenta juntá-los numa experiência coesa. E, surpreendentemente, a combinação faz sentido.

O resultado é um jogo que provavelmente não vai revolucionar nenhum destes géneros individualmente, mas consegue encontrar uma identidade própria através da forma como os mistura. A possibilidade de sair da base, arriscar tudo por melhores recursos, regressar para melhorar o nosso arsenal e preparar as defesas antes da próxima incursão cria um ciclo de jogo bastante viciante.

Isto é basicamente, uma viagem por uma galáxia que já devia ter colocado um aviso de “não entrar”. Entre impérios mortos, piratas, cultistas, batalhas espaciais, loot e criaturas vindas de uma dimensão que claramente não conhece o conceito de boas-vindas, temos aqui uma proposta indie bastante curiosa.

Não é um jogo para quem procura uma experiência cinematográfica gigantesca, mas para quem gosta de top-down shooters, exploração, progressão e aquela perigosa sensação de “vou só fazer mais uma incursão”, Omen pode revelar-se uma pequena surpresa.

Veredito: 8

OMEN é uma interessante mistura improvável de shooter, extração, construção e terror cósmico que consegue transformar uma galáxia em ruínas num excelente parque de diversões. Só não te esqueças de extrair o loot antes de morrer — a tua nave não aceita devoluções.