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Crimson Desert – Um mundo cheio de possibilidades | Análise

Crimson Desert é, neste momento, um dos projetos mais ambiciosos da indústria — e também um dos mais difíceis de definir. Não é bem um RPG tradicional, nem um sandbox puro, nem um jogo narrativo clássico. É um híbrido que tenta juntar combate profundo, mundo aberto massivo e uma experiência cinematográfica centrada em momentos épicos. E é precisamente aí que reside tanto o seu brilho como os seus problemas.

Começando então por abordar a história, nós iremos assumir o papel de Kliff, líder dos Greymanes, um grupo de mercenários que tenta sobreviver num continente brutal chamado Pywel, mergulhado em guerra, caos político e forças misteriosas como o chamado “Abyss”. A narrativa segue uma estrutura mais realista e dura, focada em companheirismo, perda e sobrevivência, mas não parece ser o verdadeiro foco do jogo. Apesar de haver uma linha principal — com eventos como ataques devastadores e conflitos entre facções — tudo indica que a história funciona mais como pano de fundo para a ação do que como motor principal da experiência.

Contudo, sente-se que a narrativa está um pouco inconsistente/marcante, pois as personagens nem sempre têm o desenvolvimento esperado num jogo deste tipo. Em vez de uma história forte e guiada, o jogo aposta mais na liberdade e em momentos emergentes, o que pode resultar numa experiência menos coesa.

crimson desert

Onde o jogo da Pearl Abyss realmente tenta destacar-se é nas mecânicas. O combate é, sem dúvida, o seu maior trunfo. Não existe uma abordagem única para enfrentar inimigos: podes alternar entre armas como espada, lança, machado ou arco, misturar ataques corpo a corpo com agarrões, pontapés e combos, e ainda aplicar efeitos elementais como fogo ou gelo. O sistema incentiva bastante a experimentação e recompensa o domínio técnico, com esquivas, parries e timing a serem fundamentais. Isto dá ao combate uma sensação quase de jogo de ação à la Devil May Cry, mas integrado num mundo aberto. Ao mesmo tempo, as batalhas podem escalar para conflitos massivos com dezenas ou centenas de NPCs, criando momentos caóticos e cinematográficos.

A progressão também foge ao convencional, pois muitas das habilidades disponíveis têm de ser “aprendidas” através da experiência direta no mundo — observar, explorar, derrotar bosses. Isto reforça a sensação de imersão, mas também contribui para uma curva de aprendizagem mais exigente. Além disso, há crafting, recolha de recursos, construção de base e gestão de companheiros, que podem ser enviados em missões ou ajudar em combate. Já que menciono companheiros, durante a aventura, iremos desbloquear mais dois personagens jogáveis (Damiane e Oongka), cada um com as suas quests próprias, elevando assim ainda mais o tempo que iremos passar à frente do ecrã a jogar Crimson Desert.

O mundo aberto é outro dos pilares de Crimson Desert. Pywel é gigantesco, variado e altamente interativo, com regiões distintas, cidades densas e atividades que vão desde caça e pesca até minijogos e crimes com consequências. A exploração é reforçada por mecânicas de mobilidade bastante criativas: cavalos, planagem, habilidades especiais e até movimentação vertical mais dinâmica. Há uma clara tentativa de criar um sandbox onde podemos abordar objetivos de múltiplas formas, quase numa filosofia próxima de jogos como The Legend of Zelda: Breath of the Wild, mas com um tom mais realista e pesado.

kliff - crimson desert

Visualmente, o jogo impressiona bastante. A tecnologia usada permite níveis elevados de detalhe, iluminação avançada e desempenho sólido, inclusive 4K a 60fps num hardware potente (na minha RTX 4060 o jogo corre nas definições Ultra muitíssimo bem). O mundo parece vivo, com grande escala e densidade, e isso ajuda muito na imersão. Neste departamento, a Pearl Abyss está realmente de parabéns.

Mas toda esta ambição tem um custo. Apesar de não manchar a experiência geral, um dos principais aspetos que “negativos” é precisamente o excesso de sistemas. O jogo tenta fazer tudo: combate profundo, exploração sandbox, simulação de mundo, narrativa, crafting, gestão… e nem sempre consegue equilibrar tudo isso. A ajudar, os controlos complexos (que podiam ser mais intuitivos), especialmente nas primeiras horas, podem afastar jogadores menos pacientes. Também existem sinais de inconsistência: mecânicas que funcionam muitíssimo bem isoladamente, mas que nem sempre se integram de forma fluida no conjunto.

Veredito: 8

Crimson Desert parece ser um jogo de extremos. Por um lado, oferece combate profundo, um mundo enorme e uma liberdade impressionante, com momentos verdadeiramente memoráveis. Por outro, arrisca-se a ser demasiado ambicioso para o seu próprio bem, com sistemas complexos, narrativa irregular e alguma falta de polimento em certas áreas (que certamente irão ser melhoradas em futuros updates). Portanto se tudo “encaixar”, pode tornar-se uma referência dos mundos abertos modernos. Se não, poderá ser lembrado como um daqueles jogos fascinantes… mas desequilibrados.