Durante vários anos, os fãs pediram o regresso de Star Fox. A Nintendo ouviu-os, mas em vez de criar uma aventura totalmente nova, decidiu revisitar aquele que continua a ser o capítulo mais marcante da série. O resultado é um remake de Star Fox 64 (Lylat Wars) que moderniza praticamente tudo à sua volta sem perder a essência arcade que tornou o original um clássico intemporal.
A história continua simples, mas eficaz. Assumes o papel de Fox McCloud, líder da equipa Star Fox, numa missão para travar o cientista louco Andross e libertar o sistema Lylat. Não há grandes reviravoltas nem um enredo complexo, mas há muito mais personalidade do que no original. As novas sequências cinemáticas, totalmente dobradas, dão mais destaque à relação entre Fox, Falco, Slippy e Peppy, tornando o grupo mais credível e divertido. As conversas durante as missões também ajudam a criar aquele espírito de equipa que sempre definiu a série.
É no gameplay que Star Fox continua a mostrar porque é uma referência nos shooters sobre carris. O controlo da Arwing é extremamente intuitivo e, poucos minutos depois de começares, já estás a fazer barrel rolls, desvios rápidos e ataques carregados quase sem pensar. A sensação de velocidade é excelente e cada combate consegue transmitir adrenalina do início ao fim.
Apesar de seguir um percurso pré-definido na maioria das fases, o jogo nunca parece demasiado limitado. Há inimigos para eliminar em todas as direções, obstáculos para evitar e objetivos secundários que podem alterar o rumo da campanha. As rotas alternativas regressam e continuam a ser uma das melhores ideias da série, incentivando-te a repetir as missões para descobrires novos níveis, bosses diferentes e desafios mais exigentes.

O ritmo também continua exemplar. Não existem momentos mortos nem missões desnecessariamente longas. Cada planeta apresenta novas mecânicas e ambientes distintos, impedindo que a experiência se torne repetitiva. Num momento estás a combater enormes esquadras espaciais, no seguinte atravessas cidades sob ataque ou enfrentas criaturas gigantes em planetas completamente diferentes.
A variedade de veículos ajuda bastante a manter esse dinamismo. Para além da Arwing, regressam o Landmaster e o Blue-Marine, mudando completamente a forma como enfrentas determinadas missões. Não aparecem durante muito tempo, mas são suficientes para quebrar a rotina e dar novas perspectivas ao combate.
Visualmente, este é provavelmente o maior salto da série desde a Nintendo 64. Os cenários foram totalmente reconstruídos, os efeitos de iluminação impressionam e o sistema Lylat ganha finalmente uma escala digna das consolas atuais. As explosões enchem o ecrã de partículas, as batalhas espaciais parecem retiradas de um filme de ficção científica e os modelos das personagens apresentam muito mais detalhe e expressividade. A Nintendo aproveita muito bem o hardware da sua Switch 2 para oferecer uma imagem limpa, fluida e cheia de impacto.

A banda sonora acompanha esse salto de qualidade. Os temas clássicos foram também alvo de melhorias e continuam a transmitir aquele espírito heroico que acompanha cada batalha. Os efeitos sonoros mantêm o charme do original, mas beneficiam agora de uma qualidade bastante superior, tornando cada disparo e explosão mais satisfatórios.
Outro ponto positivo é a modernização dos controlos. O esquema tradicional continua disponível para quem procura a experiência clássica, mas as novas opções, incluindo o suporte para comandos mais modernos e novos métodos de apontar, tornam o jogo bastante mais confortável para novos jogadores. Tudo responde de forma imediata e raramente sentes que morreste por culpa dos controlos.
Felizmente, a Nintendo não se limitou a melhorar os gráficos. Foram adicionados novos modos de desafio, funcionalidades online e cooperativas, além de extras que aumentam a longevidade da experiência. Ainda assim, o grande motivo para continuares a jogar é exatamente o mesmo de há quase trinta anos: descobrir todos os percursos possíveis e dominar cada missão na perfeição.

Mas nem tudo é perfeito. A campanha principal continua relativamente curta. Um jogador experiente consegue terminá-la em pouco mais de uma hora e meia, embora isso represente apenas uma parte do conteúdo disponível. Tal como no original, a verdadeira experiência passa por repetir várias vezes a aventura para desbloquear rotas, finais, dificuldades superiores e obter melhores classificações. Quem preferir campanhas longas poderá sentir que o conteúdo principal termina demasiado depressa.
Também é verdade que este remake joga pelo seguro. Quem esperava uma reinvenção completa da fórmula poderá ficar algo desiludido. A Nintendo optou claramente por preservar a identidade do clássico em vez de arriscar mudanças profundas. Para muitos, isso será precisamente o maior elogio. Para outros, ficará sempre a sensação de que a série merece finalmente um capítulo totalmente novo.
Ainda assim, é difícil não sair satisfeito. Star Fox continua divertido, acessível e incrivelmente viciante. A sua estrutura arcade faz com que seja fácil pegar no comando para “só mais uma partida”, e poucas séries conseguem transmitir uma sensação de voo tão natural e divertida.

Star Fox para Nintendo Switch 2 consegue aquilo que um bom remake deve fazer. Respeita o passado, melhora praticamente todos os aspetos técnicos e torna um dos maiores clássicos da Nintendo mais apelativo do que nunca. Não reinventa a série nem resolve o desejo dos fãs por uma aventura completamente nova, mas oferece, sem dúvida, a melhor forma de viver este clássico.

Jogo de tudo um pouco, desde a minha primeira consola de jogos, a Master System II. Desde aí muita coisa mudou, mas a paixão e dedicação aos videojogos permaneceu intacta.
Apesar de jogar de tudo um pouco, desde FPS a RPG´s, sou grande adepto de Fighting games, como o Mortal Kombat e ainda de jogos de desporto automóvel, como o Forza Motorsport. Também não dispenso boas séries e bons filmes. Sou grande fã de animes desde muito cedo, onde tenho DragonBall e Naruto como séries de eleição.
