Titan Quest II Early Access | Análise

Titan Quest II chega com o peso de um nome histórico e a ambição de modernizar uma fórmula que já não é fácil de atualizar. O Early Access deixou isso claro desde o primeiro minuto: há potencial, há identidade, há vontade, mas terá consistência? Já a atualização anterior, Arkadian Plains, tinha sido bem recebida, mas foi com a Wild Lands que ficou claro que a equipa sabe mesmo onde quer chegar, e mesmo agora, meses depois, Titan Quest II continua a ser um jogo em construção.

A nova região trouxe variedade visual, inimigos mais interessantes e bosses que finalmente puxam pelas builds. O aumento do level cap e as Tier 5 Passives deram alguma profundidade às masteries, mas ainda não o suficiente para transformar o sistema num verdadeiro motor de criatividade. O jogo está melhor do que no lançamento, mas ainda não encontrou aquela personalidade que faz um ARPG ficar connosco.+

A direção artística continua a ser o ponto mais forte. Titan Quest sempre teve uma estética própria e aqui isso mantém-se. As Wild Lands reforçam essa sensação de mundo antigo, mítico e decadente, com ruínas, cidades soterradas e criaturas colossais fossilizadas. É um mundo que apetece explorar, mesmo quando a jogabilidade ainda não acompanha totalmente essa ambição.

O combate está mais sólido, mas continua a parecer indeciso. Há momentos inspirados, sobretudo com os novos inimigos, mas falta impacto. Falta aquele peso que faz cada skill contar. Os ajustes de animação e feedback visual ajudaram, mas não resolveram tudo. O mesmo vale para as builds. As masteries estão a evoluir, mas ainda não existe aquela sensação de descoberta que define os melhores ARPGs. É um sistema que está a ser afinado, mas que ainda não encontrou o seu brilho.

O maior problema continua a ser o endgame. Neste momento, Titan Quest II não tem um loop final que sustente longas sessões ou que recompense verdadeiramente a construção de builds complexas. Num ARPG moderno, isto é crítico. Sem endgame, o jogo parece sempre a meio caminho. A equipa já confirmou que está a trabalhar nisso, mas ainda não há data nem detalhes concretos.

A performance é outro ponto que precisa de atenção. No PC, o jogo corre bem, com algumas oscilações aqui e ali, mas nada dramático. Na ROG Ally, a história é outra. Para conseguir jogar, tive de baixar a resolução, o que é esperado, mas o problema maior foi a compatibilidade com o comando. A própria equipa já afirmou publicamente que o suporte a comandos Xbox devia funcionar out of the box, e a ROG Ally é reconhecida pelo sistema como um comando Xbox nativo. Mesmo assim, os botões principais deixavam de responder, especialmente os das letras, tornando o jogo praticamente injogável na consola. Acabei por ter de abandonar a Ally e jogar no PC. Num ARPG que vive de precisão e ritmo, isto não pode acontecer. É um problema real, que devia estar resolvido à partida, e que precisa de atenção.

Wild Lands continua a ser o ponto onde Titan Quest II mostra mais confiança. É uma atualização que não só acrescenta conteúdo, como corrige rumo. Mostra que a equipa está a ouvir feedback e a priorizar o que importa. Os patches seguintes reforçam essa ideia, mas ainda não a expandem de forma significativa. Titan Quest II está melhor do que estava, mas ainda não deu o salto que o género exige.

Neste momento, Titan Quest II é um ARPG promissor, mas incompleto. Tem uma base sólida, tem uma direção artística forte, tem atualizações que inspiram confiança, mas ainda não é um jogo que se aguente sozinho. Falta-lhe endgame, falta-lhe impacto no combate, falta-lhe mais ousadia nas masteries e falta-lhe resolver problemas técnicos que não deviam existir, especialmente em plataformas como a ROG Ally.

Veredito: 7.5

Titan Quest II está a caminho, mas ainda não chegou. Wild Lands mostra que o jogo pode vir a ser excelente, mas o estado atual continua a ser de promessa, não de realização. Se a equipa mantiver o ritmo e a qualidade desta atualização, Titan Quest II pode tornar-se um dos ARPGs mais interessantes dos próximos anos. Se não conseguir, ficará como um daqueles jogos que tinham tudo para resultar, mas nunca encontraram o seu lugar. Nota 7.5 no estado atual. Grande potencial para subir quando o endgame chegar e a otimização for resolvida.