Otherwar

Otherwar – Uma salada mista | Análise

Quando ouvi falar de Otherwar, fiquei curioso: tower defense + bullet hell + roguelike, tudo num só? Soava a receita estranha mas, quem sabe, podia sair dali uma bela surpresa. Afinal, às vezes as misturas mais improváveis resultam em algo especial. Mas será que foi o caso aqui?

Otherwar coloca-te no papel de um anjo a defender os portões do céu, usando torres, tiros e habilidades especiais para travar ondas de inimigos infernais. O estilo é retro, com um pixel art simpático e uma jogabilidade que mistura frenesim de projéteis (à la bullet hell) com momentos mais pausados de planeamento (à la tower defense). O twist roguelike aparece na progressão, com pequenas escolhas de habilidades entre vagas de inimigos.

cenário

Este indie veio do estúdio polaco Kantal Collective, que após algum sucesso com este jogo em PC e na Nintendo Switch, lança-o também na Playstation 5 na na Xbox .  Otherwar tenta pisar território novo ao cruzar três géneros que raramente se tocam. A ideia tem mérito, mas nem sempre a execução acompanha.

Sou fã assumido de roguelikes, tolero tower defense e… não tenho paciência para bullet hell. Mesmo assim, esta “salada de estilos” piscou-me o olho. Entrei sem grandes expectativas, mas motivado pela curiosidade: será que isto ia colar?

Sobre a narrativa, não há grande história para contar — és um anjo e tens de defender os portões do paraíso, de hordas de demónios. O jogo conta com 9 níveis, divididos em 3 áreas, que duram no total umas 4 horas (incluindo as várias tentativas falhadas). Após concluir todos os níveis, desbloqueias um modo infinito, para cada uma das áreas.

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Na prática, o loop é simples: em cada cenário, tens de sobreviver às 10 vagas de inimigos, colocando algumas torres em pontos estratégicos, enquanto o anjo que controlas (num estilo twin stick shooter), tenta dar apoio a essas torres. Vários inimigos disparam projeteis na tua direção, pelo que tens de te manter em movimento enquanto fazes algumas pausas táticas para construir ou evoluir as torres defensivas.

No final de cada uma das 3 áreas, surge um boss, que acompanha as várias vagas de inimigos.

Entre níveis, podes escolher evoluções de uma árvore de habilidades. O problema? Essa árvore esgota-se muito rápido, tornando a progressão fácil demais e repetitiva. O jogo tenta ser original, mas a falta de profundidade tática faz com que a mistura de géneros perca gás depressa.

skill tree

A pixel art é competente, mas não surpreende. A música e o som cumprem, criando alguma atmosfera, mas sem grandes momentos memoráveis. Os inimigos até apresentam alguma variedade, muitos deles com padrões de projéteis distintos.

Veredito: 5

Otherwar é um daqueles jogos que prometem mais do que entregam. É uma experiência curta, mas   curiosa e que até entretém durante as primeiras horas, mas falta-lhe profundidade e motivos para voltar depois de terminar. É pena, porque a ideia tinha potencial para ser algo mais marcante.