Drug Dealer Simulator é um jogo que não promete nada mas entrega muito. Começas como um tipo qualquer num bairro suspeito, com uma mochila e uns trocos no bolso. Aos poucos, vais aprendendo como funciona o esquema (compras, misturas, vendes, foges da polícia, fazes contactos…) e quando dás por ti, já estás a gerir o teu próprio império.
O ambiente, apesar de ter gráficos que fazem lembrar a geração da PS3, consegue ser imersivo o suficiente para te fazer acreditar que estás a viver aquilo. A degradação dos bairros, o barulho de fundo das sirenes e grafitis por todo o lado, compensam a falta de grafismo da geração mais recente.
Apesar de jogos em primeira pessoa não serem muito o meu género, a parte do fabrico das drogas é quase viciante. O sistema de mistura obriga-te a pensar como um verdadeiro químico de rua — medir, combinar e testar até encontrares a fórmula certa. Quase como um Breaking Bad dos pobres. Pegas num bocado de pó caro, juntas açúcar, bicarbonato, ibuprofeno ou até mesmo viagra(!) e rezas para que não mates metade do bairro. Cada ingrediente altera a força, a toxicidade e o vício da droga, o que torna o processo mais estratégico do que parece. Misturar bem significa lucro e clientes fiéis; misturar mal pode custar-te reputação… ou pior. Vais pensar duas vezes antes de carregares em “Apply Mix”.

O processo é surpreendentemente técnico. Usas bancadas, tabuleiros de mistura e ferramentas específicas para transformar os ingredientes num pó uniforme. Cada passo conta: moer, pesar, adicionar, misturar e, em alguns casos, secar.
O jogo é bastante complexo, com um sistema de reputação que faz lembrar a vida real (é um simulador, né?). Se entregares as remessas a tempo, venderes produto bom e fizeres um ou outro grafiti na zona, a tua reputação aumenta. Por outro lado, se fores apanhado pela polícia ou venderes produto mau, a tua reputação diminui. Quanto maior for a tua reputação, mais depressa consegues expandir o teu negócio e ser o dono do bairro.

Apesar dos gráficos, é um jogo divertido de se jogar, com algum humor negro à mistura. Não é um jogo para se levar muito a sério, mas se fores curioso e gostares de simuladores de gestão com um bocadinho de loucura, vale a pena experimentar. Não vale é ser apanhado!

Apesar dos gráficos ficarem um pouco aquém daquilo que se espera de um jogo da geração atual, e da falta de uma perspetiva em terceira pessoa, que na minha opinião o tornaria mais dinâmico e apelativo, Drug Dealer Simulator continua a ser um jogo divertido que nos vai fazer rir.
