Project Motor Racing apresenta-se como um título que tenta ocupar um espaço ambicioso dentro do género de simulação automóvel, apostando numa filosofia de condução realista, numa boa variedade inicial de conteúdos e numa identidade própria que procura afastar-se do arcade e aproximar-se da competição mais realista.
Uma das primeiras coisas que se destacam de imediato é o ADN do jogo: existe uma clara intenção de recriar a sensação de pilotar máquinas potentes em pistas técnicas, com uma física que, apesar de imperfeita, demonstra esforço e profundidade. Quando tudo funciona — quando o carro está bem afinado, a pista bem aprendida e nós entramos no ritmo — o jogo proporciona uma sensação de imersão e controlo bastante convincente.
O comportamento dos pneus, a transferência de peso nas curvas, o modo como o carro reage ao acelerar demasiado cedo ou travar demasiado tarde, os danos nos carros, tudo isso contribui para momentos de condução que chegam a ser genuinamente satisfatórios. A estas qualidades junta-se uma componente sonora que é digna de ser elogiada: motores bem captados, diferenças audíveis entre categorias, ambiente de pista rico e com impacto na experiência. Do ponto de vista sensorial, Project Motor Racing acerta mais do que falha, mesmo sem competir diretamente com os gigantes mais polidos do mercado.
Outro ponto digno de mencionar é o conteúdo disponível no lançamento (e nisso o estúdio da Giants Software esteve bem). O jogo apresenta uma seleção generosa de carros e circuitos, suficientemente variada para manter o interesse durante dezenas de horas. Há protótipos, GT´s, turismos e máquinas mais acessíveis, cada uma com exigências próprias, o que alimenta uma curva de aprendizagem gradual para quem gosta de evoluir e experimentar estilos diferentes.

O modo carreira também tenta ir além do habitual: não se limita a colocar corridas sucessivas, mas introduz patrocínios, contratos, custos de manutenção e pequenos elementos de progressão que ajudam a criar a sensação de que se está a gerir a carreira de um piloto real. Ainda não é um sistema perfeito ou profundamente complexo, mas reconheço que a ideia tem potencial e oferece uma camada extra de envolvimento que muitos simuladores ignoram.
No entanto, a ambição do jogo choca repetidamente com a sua falta de polimento. Aqui tenho quer ser um pouco critico quanto ao estado geral de Project Motor Racing: embora tenha boas bases, parece ter sido lançado cedo demais, exibindo aquele típico conjunto de problemas que associamos a um “acesso antecipado disfarçado de produto final”. A física, que é elogiada nos seus melhores momentos, torna-se inconsistente em situações específicas.
Certos modelos — especialmente os mais potentes — mostram comportamentos imprevisíveis, ora subvirando sem explicação, ora lançando violentamente a traseira, tornando a condução instável (isto usando um comando). Existem também problemas na forma como determinados carros interagem com bermas, elevações ou irregularidades da pista, criando saltos ou reações pouco naturais que quebram a imersão.

A IA, outro pilar fundamental num simulador, é outro ponto sensível. Existem situações em que os adversários parecem demasiado agressivos, travando tarde demais ou forçando ultrapassagens impossíveis, e outras em que reagem de maneira artificial, mudando de trajetória sem lógica. Ainda mais problemático é o sistema de penalizações, que chega a punir o jogador por ser empurrado pela IA ou por ligeiros contacto inevitáveis.
Este tipo de falhas prejudica a sensação de justiça e torna eventos mais longos menos agradáveis do que deveriam ser. Mesmo com um primeiro patch lançado (onde melhoraram a comportamento da IA), ainda há muito a fazer neste departamento. Para alguém que tal como eu joga Le Mans Ultimate com regularidade (um dos mais exigentes atualmente), irá certamente concordar que a IA de Project Motor Racing deixa a desejar.
A componente visual também não atinge o nível esperado (num PC com uma NVIDIA RTX 4060 usada nesta análise). Embora não seja “feia”, diria que é antiquada para um título atual: texturas simples, iluminação irregular, ambientes pouco detalhados e modelos interiores que variam bastante em qualidade. Além disso, existem alguns problemas técnicos, como queda de FPS, bugs em reflexos, espelhos que não funcionam como deveriam e alguns problemas de colisão que arruínam voltas perfeitas. Estas falhas juntam-se a menus básicos e interfaces pouco refinadas, completando a impressão de que o jogo precisava de mais meses de trabalho.

Apesar disso, estou optimista quanto ao futuro do jogo. Project Motor Racing tem uma base sólida e muitas das suas falhas são corrigíveis com atualizações. A boa física fundamental, o design sonoro bastante competente, a variedade de carros e circuitos, e a ambição do modo carreira formam um alicerce que, se desenvolvido e polido, pode transformar o jogo num concorrente real dentro do género. O potencial está lá, mas a realidade atual ainda não corresponde plenamente às promessas.

Para os entusiastas de simulação dispostos a tolerar imperfeições técnicas em troca de uma experiência desafiante e com alma, Project Motor Racing pode valer a pena já. Para quem procura um simulador fluido, estável e visualmente moderno, o mais prudente talvez seja aguardar por mais alguns patches que consigam transformar o jogo tal como foi idealizado pelos desenvolvedores.

Jogo de tudo um pouco, desde a minha primeira consola de jogos, a Master System II. Desde aí muita coisa mudou, mas a paixão e dedicação aos videojogos permaneceu intacta.
Apesar de jogar de tudo um pouco, desde FPS a RPG´s, sou grande adepto de Fighting games, como o Mortal Kombat e ainda de jogos de desporto automóvel, como o Forza Motorsport. Também não dispenso boas séries e bons filmes. Sou grande fã de animes desde muito cedo, onde tenho DragonBall e Naruto como séries de eleição.
