GRID Legends chegou à Nintendo Switch 2, praticamente quatro anos após o seu lançamento original. Já depois de ter recebido adaptações para macOS, iOS, Android e Meta Quest, em adição às versões originais de PC, Playstation e Xbox, este último título da série GRID (até à data) é agora portado para mais um novo sistema.
Na sua essência, continua a ser exactamente o mesmo jogo que aquele apresentado em 2022, tanto que aqui no Sidequest demos o nosso parecer positivo à data do seu lançamento (lê aqui a nossa análise original a GRID Legends). Apesar de na altura as palavras terem sido do Nuno Fortunato, eu pessoalmente partilho da mesma opinião em relação ao jogo.
Para os mais distraídos, ou para quem simplesmente ainda não conhece GRID Legends, este consiste num jogo de corridas de simulação com um forte pendor arcade e um foco especial na narrativa, contando sequências filmadas por atores reais. Esta abordagem, claramente inspirada no sucesso da série da Netflix, Formula 1: Drive to Survive, distingue-o dos demais jogos do mesmo género. No entanto, e apesar de ser a componente mais interessante deste jogo, o modo história é apenas parte do que ele tem para oferecer, contando ainda com um modo carreira e desafios temporários com leaderboards online.
A maior limitação desta versão de Nintendo Switch 2, e possivelmente um fator de exclusão para algumas pessoas, é a total ausência do modo de corrida multi-jogador online. Por outro lado, a inclusão de todo o conteúdo adicional descarregável nesta Deluxe Edition, na forma de carros, localizações, desafios, e principalmente, novas histórias, torna este pacote bastante apetecível para apreciadores jogos de corrida single player.

Na componente gráfica, o poderio da mais recente consola híbrida da Nintendo é aqui posto à prova. Nas suas versões originais, GRID Legends já era um jogo visualmente impressionante e na Nintendo Switch 2 também não desilude. Considerando as limitações inerentes a um sistema desta natureza, são nos oferecidos vários modos gráficos com diferentes prioridades: gráficos, performance ou poupança de bateria. Tive oportunidade de experimentar todos estes diferentes modos, tendo a minha preferência ido invariavelmente para o modo performance, o único que alcança 60fps. Logicamente a resolução, sombras e detalhes nas pistas sofrem uma ligeira degradação, mas a fluidez da taxa de fotogramas superior compensa o sacrifício.

No que diz respeito à jogabilidade, deparamos-nos com aquele que é o “calcanhar de Aquiles” dos jogos de corrida na Nintendo Switch 2 (que também já o era na sua antecessora), que é a ausência de gatilhos analógicos nos seus comandos. Ainda assim a Feral Interactive, responsável por esta versão do jogo, oferece soluções criativas para um controlo preciso da aceleração e travagem, como o uso do direcionalanalógico direito para tal, ou a compatibilidade com comandos de Nintendo GameCube, dotados de gatilhos analógicos. Embora sejam soluções notáveis, a primeira não é particularmente intuitiva e a segunda está restringida a um nicho. Em qualquer dos casos não há nada que possa apontar aos desenvolvedores, antes pelo contrário. O problema é mesmo inerente à plataforma.

GRID Legends: Deluxe Edition chega à Nintendo Switch 2 com todo o conteúdo adicional e uma paridade gráfica bastante decente para com as versões originais, mas a ausência do modo multi-jogador online e de gatilhos analógicos nos Joy-Con 2 (assim como no Pro Controller), impedem esta de ser a melhor versão para experienciar este ótimo jogo de corrida. Mesmo com estas ressalvas, continua a ser uma experiência single player totalmente recomendável.

Interessado em design e tecnologia desde sempre, encontrei nos videojogos a combinação perfeita entre ambos. Desde os clássicos mais antigos aos lançamentos mais recentes, gosto de explorar todas as diferentes gerações, com um fascínio particular pelos sistemas dos anos 90.
Falo sobre todos estes assuntos e mais alguns no podcast semanal The Games Tome.
