Xenoblade Chronicles X: Definitive Edition – Nintendo Switch 2 Edition | Análise

Com Xenoblade Chronicles X: Definitive Edition – Nintendo Switch 2 Edition cheguei tarde ao universo Xenoblade. Ainda bem, tive a oportunidade de usufruir deste jogo de culto na sua versão mais polida!

Quando Xenoblade Chronicles X: Definitive Edition foi anunciado de surpresa para a Nintendo Switch 2, não senti nostalgia. Senti curiosidade. Nunca tinha jogado Xenoblade. Conhecia o nome, o peso da série dentro dos RPG japoneses, sabia que este capítulo tinha ficado preso à Wii U e que, por isso, ganhou um certo estatuto de culto. Antes de começar, informei-me apenas o suficiente para perceber ao que ia: mundo gigantesco, sistemas densos, menos foco narrativo do que outros capítulos como Xenoblade Chronicles ou Xenoblade Chronicles 2. O resto quis descobrir sozinho. Entrei preparado. Achei eu…

Há jogos grandes. E depois há Mira. A escala não é só visual, é emocional. Sentimo-nos pequenos quase imediatamente. Criaturas colossais atravessam o nosso caminho como se não existíssemos. O horizonte está sempre longe. E quando pensamos que já percebemos o mapa, o jogo revela mais uma camada vertical e volta a colocar-nos no nosso lugar.

Na Switch 2, tudo isto respira melhor. A imagem é nítida, a distância de visão generosa e a performance é super estável. Neste hardware diria que o explorar é mais fluido, menos tenso. Contudo, as raízes Wii U ainda se fazem notar. Ocasionalmente atravessamos uma zona aparentemente vazia e, num segundo, materializa-se um Skell ou uma criatura massiva a poucos metros. Não é constante, mas é visível, herança clara da gestão de memória original e do loading de elementos pensado para outro hardware. Também há momentos em que a densidade de certos espaços parece mais contida do que a ambição do mundo sugeria.

Nada disto arruína a experiência. Apenas a contextualiza. Não estamos perante um remake total. Estamos perante uma versão finalmente confortável na sua própria ambição.

A complexidade é real. Este não é um RPG que segure a mão do jogador. Os sistemas acumulam-se, as missões multiplicam-se, o combate tem camadas que demoram a encaixar. Mas há algo de profundamente recompensador nesse processo. À medida que começamos a perceber como tudo se liga, a progressão deixa de ser apenas numérica. Passa a ser mental. Sentimos que estamos a dominar o ecossistema, não apenas a subir níveis.

E depois há o Skell. Embora muito se tenha falado desta máquina, o que nem sempre se diz é que não chega cedo. Não é um prémio rápido, nem um brinquedo oferecido para impressionar nas primeiras horas. É preciso investir tempo, progredir, compreender sistemas, cumprir requisitos. É preciso merecê-lo. E, quando finalmente acontece, o jogo transforma-se. A mobilidade altera-se, a verticalidade ganha outro significado, zonas antes intocáveis tornam-se acessíveis. Mira deixa de ser apenas um planeta hostil e passa a ser um território que podemos desafiar. É nesse momento que o estatuto de culto começa a fazer sentido.

Vale a pena jogar em 2026? Para quem nunca tocou na versão original, dificilmente haverá melhor altura. Continua a ser um dos mundos abertos mais ambiciosos do género, com liberdade real de exploração e uma progressão exigente mas genuinamente recompensadora. Face à versão lançada no ano passado para a Nintendo Switch, esta edição na Switch 2 distingue-se sobretudo pela fluidez e pela clareza de imagem. O salto para 60 fotogramas por segundo dá outra vida ao combate e à exploração, tornando tudo mais responsivo e natural, especialmente em confrontos mais caóticos. A compatibilidade com resoluções até 4K, quando ligada a um ecrã compatível, reforça a escala de Mira com maior nitidez e definição no horizonte. Não é uma transformação estrutural do jogo, mas é uma melhoria suficientemente sólida para tornar esta na forma mais confortável e tecnicamente competente de o experienciar.

Mas a verdade é simples. Para mim, sem nostalgia ou comparações, apenas curiosidade, foi uma das experiências mais surpreendentes que tive na Nintendo Switch 2. Um RPG imperfeito, mas ousado, diferente e memorável.

Cheguei tarde? Não sei, talvez tenha chegado exatamente na altura certa…

Veredito: 8

Xenoblade Chronicles X não é um jogo que agrade a todos. Exige tempo, exige atenção e exige paciência. Mas para quem aceita esse compromisso, devolve algo raro: um verdadeiro sentido de descoberta e conquista. Não vive apenas da escala do seu mundo, vive da forma como nos obriga a conquistá-lo. Não é perfeito. Ainda carrega marcas claras do hardware onde nasceu. Mas a sua ambição continua intacta e, agora, finalmente apoiada por uma versão mais estável e confortável. Para mim, foi uma estreia tardia, mas marcante. E isso, num mercado saturado de mundos abertos esquecíveis, tem muito valor. Para quem nunca o jogou, diria que na Switch 2 esta é claramente a versão a escolher. E para quem o adquiriu em 2025, o upgrade pack, tendo em conta o salto técnico, torna-se uma recomendação quase inevitável.