Hex Core é o mais recente projeto da Serious Penguin Studios e apresenta-se como uma pequena experiência independente que mistura defesa, ação, elementos de bullet heaven e progressão incremental. No papel de PeteOS, somos a última linha de defesa contra sucessivas vagas de vírus e temos uma missão bastante simples: resistir, destruir tudo o que aparece e evoluir o nosso sistema até conseguirmos eliminar a ameaça de vez.
À primeira vista, Hex Core pode parecer daqueles jogos que se explicam em poucos segundos — e, na verdade, é mesmo assim. O grande objetivo não é contar uma história complexa nem apresentar uma campanha gigantesca, mas criar um ciclo de jogo em que cada tentativa nos deixa um pouco mais preparados para a seguinte. Entramos numa partida, enfrentamos os vírus, recolhemos recursos e utilizamos aquilo que conseguimos ganhar para desbloquear novas possibilidades.
É precisamente nesta progressão que está grande parte do encanto. Entre combates temos acesso a uma árvore de melhorias bastante extensa, onde podemos investir os recursos obtidos para desbloquear novas mecânicas, armas e caminhos de investigação. A ideia é simples, mas eficaz: quanto mais jogamos, mais ferramentas temos à disposição e mais longe conseguimos chegar.
E há aqui uma pequena armadilha. Aquela velha frase de “vou jogar só mais cinco minutos” encaixa perigosamente bem em Hex Core. Uma partida pode terminar porque fomos completamente atropelados por uma vaga de inimigos, mas em vez de desligarmos o jogo ficamos a pensar no que poderíamos melhorar. Será que outra arma resolveria o problema? Será melhor investir noutra melhoria? E se conseguirmos sobreviver só mais um pouco nesta próxima tentativa?
O sistema de dificuldade também ajuda a alimentar este ciclo. À medida que avançamos, as partidas tornam-se mais exigentes, mas também aumentam as recompensas. Isto significa que arriscar tem consequências, mas também pode acelerar bastante a nossa evolução. É uma mecânica simples que funciona particularmente bem num jogo com uma estrutura tão compacta.
Visualmente, Hex Core aposta numa apresentação 2D minimalista e futurista. Não estamos perante uma produção que tenta competir visualmente com grandes jogos de renome, nem precisa disso. O estilo escolhido combina perfeitamente com a temática tecnológica e mantém o foco na ação, nos inimigos e nos efeitos das armas. É funcional, direto e suficientemente distinto para dar personalidade ao jogo.
Também não podemos ignorar a natureza extremamente acessível da experiência. Hex Core ocupa apenas cerca de 100 MB e apresenta requisitos mínimos quase cómicos para os padrões atuais: 1 GB de RAM, um processador de 2 GHz e uma placa gráfica compatível com OpenGL 2.1. Está ainda disponível para Windows, macOS e Linux.
Mas esta simplicidade também pode ser vista como uma limitação. Hex Core é assumidamente um jogo curto e focado. Quem procura uma enorme campanha ou uma quantidade absurda de conteúdo pode sentir que chegou ao sítio errado. Aqui, o objetivo é outro: criar um ciclo de progressão suficientemente interessante para nos manter agarrados enquanto vamos transformando PeteOS numa máquina cada vez mais preparada para lidar com os vírus.
E isso acaba por ser a maior virtude do jogo. Hex Core não tenta inventar uma fórmula completamente nova. Pega em conceitos já conhecidos — defesa, clicker, bullet heaven e progressão incremental — e junta-os numa experiência compacta e fácil de compreender.
No final, Hex Core é daqueles jogos pequenos que sabem exatamente aquilo que querem ser. Não pretende roubar centenas de horas da nossa vida nem contar uma epopeia memorável. Quer apenas colocar-nos perante uma ameaça, dar-nos uma arma, algumas melhorias e uma quantidade cada vez maior de inimigos para aniquilar.
E, quando percebemos que estamos há mais de uma hora a pensar “agora é que vai ser”, percebemos também que a pequena experiência da Serious Penguin Studios encontrou aquilo que realmente importa neste género: a capacidade de nos fazer voltar para tentar mais uma vez.
Hex Core é uma pequena experiência indie com uma ideia muito clara: destruir vírus, ganhar recursos, comprar melhorias e voltar para destruir ainda mais vírus. Não há grandes filosofias pelo meio. E, sinceramente, às vezes é exatamente disso que precisamos para desfrutar de um videojogo.

Jogo de tudo um pouco, desde a minha primeira consola de jogos, a Master System II. Desde aí muita coisa mudou, mas a paixão e dedicação aos videojogos permaneceu intacta.
Apesar de jogar de tudo um pouco, desde FPS a RPG´s, sou grande adepto de Fighting games, como o Mortal Kombat e ainda de jogos de desporto automóvel, como o Forza Motorsport. Também não dispenso boas séries e bons filmes. Sou grande fã de animes desde muito cedo, onde tenho DragonBall e Naruto como séries de eleição.



