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Echo Isle – Zero complicações, aqui só há aventura | Análise

Há jogos que nos pedem 80 horas, três árvores de habilidades, um mapa maior que Portugal e uma folha de Excel para perceber o inventário. E depois há Echo Isle, que olha para tudo isso e diz: “Calma lá. Dá-me uma horinha e vamos mas é jogar.”

Desenvolvido por Josh Koenig Games, Echo Isle é uma pequena aventura de ação claramente inspirada nos clássicos portáteis dos anos 90. A influência de The Legend of Zelda, especialmente de Link’s Awakening, é impossível de esconder — e, sinceramente, ainda bem. O objetivo aqui não é reinventar a roda, mas pegar numa fórmula clássica, retirar toda a gordura e entregar uma aventura compacta, colorida e extremamente simpática.

A história é simples e serve sobretudo como ponto de partida para a aventura. A luz do farol que protege a Echo Isle apagou-se e, como seria de esperar, os monstros começaram a aparecer. É aqui que entra Aster, um pequeno cavaleiro que acaba envolvido na confusão e recebe a missão de explorar a ilha, encontrar quatro Echo Stones, recuperar novos poderes e enfrentar os perigos que se escondem nas quatro masmorras. Não esperes uma narrativa cheia de reviravoltas, personagens com histórias intermináveis ou diálogos capazes de fazer The Witcher parecer um livro de bolso. A história está aqui para nos levar de um ponto ao outro e, para este tipo de experiência, isso chega perfeitamente.

Onde Echo Isle realmente brilha é na forma como recupera a essência das aventuras portáteis clássicas. O jogo apresenta uma estética em pixel art extremamente colorida e uma estrutura dividida por pequenos ecrãs, fazendo lembrar imediatamente os “bons velhos” Zelda. O mapa é pequeno, temos uma aldeia principal e quatro masmorras. E esta dimensão reduzida acaba por ser uma das suas maiores qualidades. Não temos um mundo gigantesco cheio de marcadores, missões secundárias e personagens que precisam de ajuda para encontrar a prima do vizinho que perdeu uma galinha há três semanas. Aqui exploramos, encontramos coisas, resolvemos problemas e seguimos em frente. Simples.

echo isle - gameplay

O combate segue exatamente a mesma filosofia. Aster utiliza a espada para enfrentar os inimigos e, à medida que avançamos, encontra novas ferramentas e habilidades que tornam tanto o combate como a exploração mais interessantes. Não existem dezenas de combinações de ataques ou sistemas complicados para aprender. A espada serve para aquilo que uma espada deve fazer: bater nas coisas até elas deixarem de ser um problema. O sistema é simples, mas funciona bem, e os diferentes inimigos obrigam-nos ocasionalmente a adaptar a forma como atacamos. Os bosses são naturalmente o maior desafio e conseguem proporcionar alguns bons momentos, sobretudo quando finalmente percebemos o padrão de ataques de cada um. Nada que vá destruir a nossa sanidade, mas suficientemente divertido para nos obrigar a prestar atenção.

As quatro masmorras são provavelmente o coração da experiência. Cada uma apresenta os seus próprios inimigos, obstáculos e puzzles, enquanto nos recompensa com novas ferramentas ou habilidades. É aqui que a influência de *Zelda* fica ainda mais evidente. Entramos numa zona, encontramos um obstáculo que ainda não conseguimos ultrapassar, avançamos, descobrimos uma nova habilidade e, de repente, percebemos como podemos chegar aquele sítio que tínhamos visto anteriormente. É uma fórmula antiga, mas continua a funcionar porque é intuitiva e gratificante. Os puzzles seguem a mesma filosofia. Não estão interessados em transformar o jogador num candidato a prémio Nobel; são suficientemente inteligentes para nos fazer pensar, mas raramente nos deixam completamente perdidos.

A exploração também beneficia bastante do tamanho reduzido do mundo. Quando recebemos uma nova habilidade, podemos regressar a determinadas zonas e descobrir caminhos anteriormente inacessíveis. Ferramentas como o Swim Scarf ou o Ranger’s Bow ajudam precisamente nesse processo, acrescentando novas possibilidades à exploração. E como a ilha é pequena, voltar atrás não se transforma numa caminhada interminável. Não existe sequer necessidade de fast travel, porque conseguimos atravessar o mapa rapidamente. É uma escolha de design bastante inteligente e que reforça aquela sensação de estarmos perante uma aventura portátil clássica.

 

E depois temos a duração. Echo Isle é curto. Dependendo do ritmo de cada jogador, a aventura pode terminar em cerca de uma a três horas. Para algumas pessoas, isto será claramente uma desvantagem. Para outras, será precisamente aquilo que procuram. O jogo não tenta artificialmente aumentar a duração com missões repetitivas, dezenas de colecionáveis ou um mapa gigantesco criado apenas para nos obrigar a andar de um lado para o outro. Começa, desenvolve-se e termina antes de ter oportunidade de ficar aborrecido. Atualmente, isso é quase uma habilidade especial.

echo isle

Visualmente, o jogo também merece elogios. O pixel art é simples, mas muito bonito, colorido e cheio de personalidade. Aster parece ter saído diretamente de um clássico portátil e os inimigos encaixam perfeitamente neste pequeno mundo. A banda sonora e os efeitos sonoros seguem igualmente uma direção retro, ajudando a criar aquela sensação de estarmos perante uma pequena aventura perdida no tempo. É claramente uma bonita homenagem aos jogos portáteis dos anos 90, mas nunca chega ao ponto de parecer apenas uma cópia barata.

Claro que o jogo não é perfeito. A maior limitação está precisamente na sua falta de ambição. O jogo faz muito bem aquilo que pretende fazer, mas raramente tenta introduzir ideias verdadeiramente novas. O combate é simples, os puzzles não são particularmente difíceis e a aventura termina precisamente quando começamos a sentir que gostaríamos de ver mais daquele mundo. Depois dos créditos, também não existe uma grande razão para regressar. Para quem procura uma experiência longa e cheia de conteúdo, isto poderá saber a pouco.

Mas talvez seja injusto avaliar Echo Isle como se ele quisesse ser um RPG de 50 horas. Este é um jogo que sabe perfeitamente aquilo que quer ser. Uma pequena aventura inspirada nos clássicos, fácil de pegar, divertida de jogar e suficientemente curta para ser terminada numa tarde. Não tenta competir com os grandes nomes do género, nem precisa disso.

Veredito: 8

Echo Isle é, no fundo, uma pequena cápsula de nostalgia. É colorido, divertido, acessível e consegue recuperar muito bem a magia das aventuras portáteis clássicas. Não vai revolucionar o género, não vai ocupar 100 horas da nossa vida e provavelmente não ficará connosco durante meses. Mas também não precisa. É aquele tipo de jogo que instalamos, começamos a jogar “só durante meia horinha” e, quando damos por ela, já estamos perante os créditos finais.