Muito antes de existirem comunidades nacionais dedicadas ao retrogaming ou ao retrocomputing, João Bastos já coleccionava jogos PC em caixas de cartão. Falamos de uma era em que as caixas dos jogos tentavam destacar-se nas prateleiras pelo impacto visual – seja pelas ilustrações, formato ou tamanho. Para além disso, a maioria destes jogos vinha recheado de extras e podemos quase dizer que aquelas edições standard eram equivalentes às edições de colecionador de hoje.
Hoje partilhamos uma entrevista a um dos mais antigos coleccionadores de jogos para PC em Portugal. João Bastos tem 80 anos e uma coleção de mais de mil jogos em formato “big box” (em caixa de cartão), muitos deles verdadeiras raridades, “caçados” um pouco por todo o mundo. Este testemunho é um retrato intemporal de uma era em que as cópias físicas dos videojogos e as edições especiais produzidas eram parte integrante do esforço promocional dos estúdios. Ao enfrentarmos a ameaça de um mercado inteiramente digital (basta ver as recentes decisões da Playstation e os poucos jogos físicos que trazem cada vez menos conteúdo), decidi dar voz ao maior, ou pelo menos um dos maiores, coleccionadores de jogos deste género.
Vamos conhecer melhor a sua história, interesses, o que o moveu durante tantos anos e também relembrar algumas histórias curiosas.
Conheci o Sr. João Bastos através do Prof. Nelson Zagalo, em 2021, e rapidamente percebi que tínhamos muito em comum: desde o interesse pela história internacional dos videojogos, às aventuras gráficas, passando pelas interseções entre arte e jogo (como no caso de Xplora1, de Peter Gabriel, ou de Dark Seed, com arte de H. R. Giger).
Com o tempo, fui-me apercebendo da escala impressionante da sua coleção e conhecendo histórias fascinantes, o que me levou a concluir que será um dos primeiros colecionadores nacionais de jogos para PC em “big box” (nas caixas de cartão que era habitual ver-se nas lojas até ao início do milénio).
Nunca foi tão importante como agora ler a história de quem viveu esta época no seu pleno, alguém que coleccionou tantos anos e tanto tem para nos contar.

Pode falar-me um pouco de si?
Tenho 75 anos (atualmente em 2026 já tem 80), e acho que nasci antes do tempo… pois foi só no ano em que me formei em engenharia (no Porto), é que soube da inauguração de cadeira/s de informática no IST…
Não desejo massacrá-lo com detalhes da minha história relacionada com computadores, embora tenha o maior gosto em partilhar o meu percurso nessa área (basicamente como comecei a coleccionar), o que não significa de modo algum qualquer coisa relevante.
Os meus primeiros jogos foram obtidos copiando cassetes para o ZX Spectrum 48k. Depois, o PC, e ainda antes da internet em Portugal, fazia downloads de BBS de vários jogos. E, “para os meus filhos” adquiri um Amiga 500, comprando disquetes copiadas em lojas de centros comerciais… Ainda hoje conservo a maior parte desta “tralha”.
Finalmente com a Internet, eBay, e indicações de cyber-amigos, fiz-me membro da GTZ [o site Game Trading Zone onde colecionadores internacionais fazem trocas de jogos], e desejando ter “o jogo completo”, comecei a comprar sempre que podia jogos usados em boas condições…
Daí que na sua grande maioria os jogos sejam de língua anglo-saxónica e muito poucos em português – estes [últimos], [fui] apanhando tudo o que podia em lojas de produtos usados…
Há cerca de dois anos fui contactado (a propósito de um jogo na minha lista da “GTZ”) por um “colega colecionador” da Ucrânia (!), que, (fiquei pasmado), me falou do Livro Videojogos em Portugal, que me apressei a adquirir, e que agora sei, no qual o Pedro também colaborou.
Entretanto desenvolveu-se entre nós, uma especial colaboração na obtenção de manuais de jogos em formato PDF, que tem continuado, e espero que continue tanto quanto possível.
Na minha colecção (com as limitações decorrentes da minha situação financeira) procurei privilegiar certas áreas como por exemplo [aplicações multimédia criadas por] músicos e outros artistas; guerra (jogos de guerra e numa dada fase, os torneios internacionais e abertos desses jogos – jogadas em turno enviadas por email…); viagens e explorações navais; o Egipto e outras civilizações e ainda CDs áudio relativos aos jogos que ia conseguindo, a par de críticas, soluções, e imagens dos mesmos…

Fale-me dessa era do Spectrum…
[A introdução aos] “computadores portáteis”, foi através de um amigo, que tinha outro amigo, que [me] mostrou o que era aquilo, e eu achei engraçadíssimo e fiquei cheio de curiosidade em um dia ter uma coisa daquelas. E que computador era esse, na altura? Estou a falar do Spectrum, imagine. 48K. Apesar da minha ex-mulher não achar graça nenhuma ao tempo que eu gastava com o computador…
O que eu também, logicamente, compreendia. Foi ela mesmo que um dia se deu ao trabalho de ir a uma loja, comprar o Spectrum e oferecer-mo.
E a partir daí… Ah, e eu ao princípio estava tão entusiasmado com aquilo, porque havia duas vertentes [- a séria e a lúdica]. Ainda por cima, um amigo que era vizinho, e com quem eu me dava bem, tinha um mar de jogos também.
E eu, em vez de jogar jogos, não jogava. Eu queria era copiar o maior número possível de cassetes.
Então, eu gastava os meus serões, porque eram muitos, [naquele] mar de jogos. Eu copiava aquilo [tudo]. Fosse o que fosse, eu nem queria saber mais nada. Portanto, já começa a imaginar. Nem sabia, a maior parte das vezes qual era o conteúdo [das cassetes].

Então e o PC?
Passado um tempo, já estava na mira de comprar um PC. Comprar um PC, porque eu pensava que iria dar muito jeito para o meu negócio. Eu, nessa altura, depois do divórcio, aconteceu outra coisa importante na minha vida, que foi… Deixei o emprego que tinha e quis ver se montava um negócio.
Trabalhava para mim, por minha conta. Um negócio que foi na área do mobiliário. Portanto, dos móveis. Na altura arranjei um sócio, que era o meu irmão. E assim funcionou. Funcionou aí mais de dez anos. Dez anos e picos.
E durante esse tempo, eu instruí-me no DBASE III Plus. Não sei se você ouviu falar nisso alguma vez. Na altura, era o contabilista que me ajudava, (…) foi ele que me ajudou a escolher o primeiro computador. E o primeiro durou, porque os computadores, ao princípio, duravam muito mais.

Na altura, não havia outra coisa sem ser o DOS. Comecei com o DOS, e esse programa do DBase III Plus, era um programa que usava uma linguagem que era o BASIC, acho eu, ou muito parecida.
E foi assim, eu comecei a fazer uns programazinhos para um programa, no fundo era um programa para tratar das coisas do negócio. De tal maneira que eu podia sair, passar o dia fora a fazer outra coisa qualquer, e o funcionário que eu lá tinha, ele desenrascava-se maravilhosamente com aquilo. Claro que o programeta que eu tinha feito também facilitava imenso, não é?
Quando é que chega então aos jogos de computador para PC?
Isso chega bastante mais tarde. Perto do fim da… Da década de 90.
Ah, vamos lá ver. Há uma fase que é anterior ainda à compra de jogos. Porque acho que eles nem se vendiam no mercado. Ou se se vendiam, eram caros e eu não podia gastar dinheiro nisso.
O Pedro nunca ouviu falar das BBS? Estamos a falar ainda de início dos anos 90.
Os jogos… Começam a aparecer os primeiros jogos legais em Portugal. Porque acho que aquela lei de anti-pirataria acho que só apareceu em, não sei, 90 e… Não, acho que apareceu em 88, mas demorou muito tempo a entrar em efeito.
Principalmente distribuíam-se muitos jogos através das BBS. E eu fartei-me de fazer de fazer downloads através das BBS. Mais tarde, comprei os jogos correspondentes àqueles que já tinha jogado. Mas passei a querer comprar porque nunca deixei de ter – e isso é que é importante sublinhar – nunca deixei de ter a ideia de querer ter a “coisa” genuína.
Eu nunca deixei de desejar isso. Agora, a verdade é que eu não podia. Não podia comprar, desatar a comprar os jogos todos…Portanto, ia me desenrascando como podia.

Fale-me da passagem pelo Commodore Amiga.
O Commodore Amiga aparece mais tarde em relação a esta história do Spectrum e do PC.
Aparece mais tarde e é por causa, ou melhor, eu assumi que era para os meus filhos. Quando vinham para a minha casa, passavam o fim de semana, podiam brincar e entreter-se com o Amiga. Com o meu filho, ainda joguei com ele o Kick-Off.
E a minha outra filha, a mais nova, uma das coisas que eu me lembro que ela gostava muito de jogar era o Chuckie Egg.
De tempos a tempos, eu lá ia com eles, (ou sem eles) a uma loja da Amadora, que era sempre a mesma, (a única que eu conhecia), comprar jogos. Comprar jogos que eram cópias. Aquilo era piratice a torto e direito. Sim, os jogos piratas… Vendiam ao balcão.
Ao princípio, a ideia de coleção não surgiu, foi à medida que se foram acumulando jogos. Mais tarde comecei a comprar jogos, já mais por causa da coleção e não provavelmente jogos que eu fizesse tensões de jogar.
A nível de coleccionismo, como é que tudo começou?
Ao princípio, a ideia de coleção não surgiu, foi à medida que se foram acumulando jogos. Mais tarde comecei a comprar jogos, já mais por causa da coleção e não provavelmente jogos que eu fizesse tensões de jogar.
E agora aqui entramos num outro patamar que a partir de – não sei – entre 2007 e 2010, eu começo, digamos, a fazer uma seleção dos jogos que me interessava jogar. Começo a fazer uma lista de coisas que queria procurar.

Depois dessa fase, é que comecei a comprar jogos, muitas vezes já sabia procurar melhor na internet, sabia o que procurar, e sempre desligado da ideia de querer ter uma coisa que estivesse na moda ou que fosse muito propagandeada na altura. Tudo o que eram grandes parangonas para anunciar novos jogos, eu punha isso na minha mente e estava completamente posto de lado.
Então, dedicava-me a comprar pechinchas, que já na altura começavam a aparecer. Porque esta coisa dos jogos também, ainda o Pedro no outro dia referia-se a isso, de vez em quando vai toda a gente para o mesmo lado, não é? Vai tudo atrás das mesmas coisas. E isso para mim era ótimo, era ótimo porque eu ia exatamente para o lado contrário.
Pois é, como estou a fazer agora com os jogos portugueses, que daqui uns anos vai estar toda a gente à procura disto, se calhar. Por curiosidade – Quais são as maiores raridades que tem na coleção? Tem algumas histórias engraçadas para contar acerca delas?
Para responder às suas 2 perguntas, aqui vai uma, tanto quanto me é possível, uma resumida mas direta resposta:

Piri the Explorer Ship – o jogo que que comprei ao holandês “Gamnos” por 140 Euros. Foi a transacção de longe mais cara que terei feito. Como não deixei de procurar, cheguei a telefonar para a Embaixada da Turquia, para mais informações sobre a editora/distribuidora do jogo.
Com isso, (e resumindo) acabei por contactar um professor duma Universidade daquele país, com quem troquei interessantes emails. Simpaticamente, ele concordou, em comprar o jogo (completo na Big Box), mediante o meu pagamento antecipado cujo total terá sido à volta de 65 Euros (incluindo despesas de correio!). Ao receber o embrulho, verifico um peso superior ao expectável: além do jogo bem embalado e protegido, continha um livro publicado em inglês : Life and Works of Piri Reis (do Prof. Dr. A. Afetinan) – o próprio remetente! – livro que li e gostei! claro que vendi logo que pude o primeiro e “recuperei” 120 Euros…

O “meu caso” com Morlov Affair: este jogo estava muito difícil de encontrar no eBay. E, quando aparecia, pediam uma exorbitância. A certa altura, procurei outros mercados, e em França, inscrevi-me no então “Price Minister” (actualmente Rakuten [France]).
Aqui passei a encontrar por vezes mais que uma caixa à venda, por preços incomparavelmente mais baratos que os praticados nos EUA e mesmo no UK.
Daí se ter iniciado, aquilo que foi uma série de transacções lucrativas, para logo gastar em mais compras…

Erevos (+ Audio CD): jogo grego (em grego) não se encontrava à venda em lado nenhum… e os anos iam passando, até que em cibercontacto com um coleccionador grego que estava disposto a trocar jogos, acabámos por nos entender e um Erevos na sua caixa com os dois CD, veio para Portugal…

A Aquisição de The Hound of the Baskervilles e Town With No Name nas suas caixas ainda seladas, foi quase simultânea e, sendo versões em Inglês, estavam á venda na Alemanha por 1€. Mais tarde cheguei a ver pelo menos um deles no eBay a mais de 50€… (ainda os tenho, mas abertos, e lá dentro contêm apenas 1 CD).


Também raros seriam Torcher: Arsonist of Evil, Eastern Mind: The Lost Souls of Tong Nou, 3 Skulls of the Toltecs, Night Café, Spaceship Warlock, The Umbra Conspiracy, Celtica, Mortalus: The Quest for Immortality ou Dare, Bluff, or Die, entre outros.
Jogos raríssimos como Romantic Blue ou Who’s Fat Lou?, nunca consegui senão num formato de imagem digital do CD/DVD.
Via trocas de jogos ou compra de autênticas pechinchas apenas para depois trocar (sabendo que havia potenciais interessados), acho que acima de tudo, tive muita sorte por poder “estar” no momento certo e com as pessoas certas…
São estorietas que por vezes criaram uma ansiedade divertida e saudável (se se pode dizer assim).

O que pensa em relação à pirataria? Eu, sempre que possível, tento comprar uma cópia física de qualquer jogo de que tenha gostado. Mas quando os jogos já não estão à venda por alguma razão, penso que deveríamos poder partilhá-los por uma questão de preservação.
Em relação à “pirataria” é com enorme prazer que verifico termos uma atitude muitíssimo semelhante!
Já depois de ter cópias de alguns jogos, não hesitei em comprar o original, simplesmente por ser a obra original, mesmo que “em segunda mão”.
Não tenho o menor problema em contar-lhe aquilo que apesar de o fazer, nunca me deixou tranquilo: comprar um jogo em França e vendê-lo nos Estados Unidos só para lucrar… e poder comprar mais jogos…

Apanhei há alguns anos lotes de jogos a preços baixos (normalmente à volta de 5€) em sites de classificados, outros em feiras de velharias ou até naquelas feiras mensais que há muito aqui nesta zona. Também encontrei uma vez uma loja em Setúbal (que já fechou) que ainda tinha várias prateleiras recheadas de jogos selados, principalmente da Electronic Arts e Sierra, a maioria reedições que achei terem caixas muito feias, daí ter comprado o pouco que lá vi ainda original (1ª edição). Recentemente a comunidade de coleccionadores de big boxes cresceu bastante, os jogos completos aumentaram bastante de valor (sejam quais forem, infelizmente) e cheguei a uma altura em que tive de deixar de os coleccionar. Só continuo a procurar os jogos nacionais pois, felizmente, não têm procura internacional e por isso não sofreram aquele aumento de valor dos outros.
Não pude deixar de sorrir, quando me fez lembrar dos tempos em que corria as lojas de artigos usados, feiras, cash-converters, etc em busca de jogos PC usados!

Vou partilhar consigo a lista de jogos que tenho neste momento. Infelizmente, apenas representa os poucos jogos a que consegui ter acesso a preços decentes e não representa bem os meus gostos pessoais. Não me lembro de ter passado muito tempo nestes jogos (excepto no caso dos portugueses) e aqueles a que dediquei mais tempo nunca consegui encontrar cópias porque (tirando o Nightlong) eram jogos mais conceituados e com muita procura, logo os valores andavam já na casa das centenas de euros.
Pedro – na minha “coleção”, desde há muito que ultrapassei a questão do gosto pessoal. Repetindo-me, afirmo sem qualquer problema que a maioria dos jogos que tenho, nem sequer tentei começar a jogar, e provavelmente nunca desejarei fazê-lo.

Tem algumas técnicas ou conselhos que possa partilhar?
A minha regra, número um, desde sempre, foi, (mas desde sempre, a partir do princípio) nunca comprar um jogo quando ainda estava no prazo de lançamento. Nos primeiros, eu dava sempre uma margem, pelo menos de dois anos, para comprar um determinado jogo. E essa foi uma regra que eu segui bastante à risca. O que acontecia era que eu acabava por comprar os mesmos jogos que outros tinham comprado, e jogos novos, não é? Não é que eu tenha uma grande coleção de jogos, até podia ter, mas eu ia abrindo os jogos, ia abrindo as caixas.
Nunca tive aquela coisa de guardar os jogos só porque valiam mais. Mas valiam mais se tivesse a caixa completa, etc. Depois há pessoas que queriam os jogos selados, nem os abrem para não retirar o valor…
Eu, quando comprava jogos, eram jogos que já estavam no mercado, pelo menos há dois anos. Então, portanto, os preços já eram outros. Exatamente, eram preços mais acessíveis.

Mesmo assim, fiz compras a colecionadores que eu conhecia nessa altura, com quem eu contatava. Aqueles com quem eu contatava mais, eram colecionadores que eu conhecia desses sítios, desses sites onde se faziam trocas de jogos. Por exemplo, eu mandei-lhe, acho eu agora, neste último e-mail um endereço, não foi?
Sim, mandou [o link do perfil no GameTZ].
Pronto, esse é o sítio através do qual (eu vendia). É que eu nunca tive muitos sítios, nem sequer tenho um sítio certo no eBay, não tenho nada disso.
Aliás, eu [na altura] nunca vendi nada no eBay. Não. Talvez a coisa mais engraçada e mais ridícula ao mesmo tempo.
Com tantos jogos… A minha coleção, 90% foi comprada no eBay.

Nunca vendeu?
Não, hoje já não posso dizer que nunca vendi, claro que sim.
E cheguei a fazer até uma manobra que estava de acordo com os meus princípios de economia, que era comprar barato e vender caro. Eu cheguei a comprar jogos para aí 4 ou 5 ou 6 vezes, ou talvez mais, (eu não quero exagerar) única e exclusivamente porque eu sabia que comprando esse jogo no sítio tal – e comprava, por exemplo, em França e ia vender nos Estados Unidos – [conseguia lucrar com a venda]. (…) Isso aconteceu com o mesmo jogo repetidamente, 5 ou 6 ou 7 vezes, não sei, não contabilizei.
Bom, mas fez bem porque pôde para investir noutras coisas.
Pois, exatamente, o dinheiro desse jogo que eu acabava de vender, o lucro, era aplicado a um setor à parte, que era o setor dos jogos. Portanto, aquilo era chapa ganha, chapa gasta, e gasta no sentido de comprar um outro jogo.

Qual é a sua área de especialização? Quais é que são os tipos de jogos que lhe interessam mais, aquele tipo de jogos que procura?
Pois, vamos lá ver, eu já lhe referi que uma das fases da minha vida foi os jogos de guerra, não é? Enquanto eu estava nessa fase, também não tinha muito tempo para me dedicar a outras coisas, portanto contentei-me com aquilo durante alguns anos.
Depois disso, a fase que veio a seguir foi a (dos jogos) de aventura, os chamados point and click. Apareceram O Segredo de Monkey Island e coisas do género, e essas séries todas. Mas mesmo assim eu ia procurando comprar os jogos sempre que aparecia um preço barato, e o que é verdade é que apareciam em muitos casos autênticas pechinchas na internet. Bem, eu lembro-me de ter comprado um dos jogos, que por acaso ainda tenho, mas tenho porque não quis vender.

Um tipo que me ofereceu na altura cerca de 300€ e já há mais de 10 anos, 300€ pelo jogo, e eu não quis, não estava interessado em vender. Se fosse hoje, o jogo “saia logo que nem um tiro”. E é um jogo que ainda por cima é intragável, quer dizer, aquilo é difícil de jogar. Bem, hoje em dia só com o DosBox, como a maior parte deles todos, mas aquilo era intragável porque tinha que ler as instruções com muita atenção, e depois o jogo estava muito truncado, muito truncado, e às vezes não era claro o que é que acontecia de uma passagem de uma cena para a outra, não era nada claro. E era difícil, a mecânica do jogo, aquilo estava mal feito, é um jogo mau.
Mas como é que chama? Acho que já falámos do jogo, mas não estou agora a ver o título.

Bom, se o tiver ainda, posso sempre olhar para a estante. (…) Chama-se The Umbra Conspiracy. Fiquei só ali no princípio, nas primeiras cenas, e nunca passei dali. E depois parei. Então, depois estava na fase dos jogos Point and Click, em que me diverti bastante também.
Depois disso, acho que foi os RPGs, mas eu não posso falar no plural, porque no fundo só houve uma série que me entusiasmou, e que eu achei piada jogar, que era o da Bethesda – o Fallout.
Sim, também já falamos sobre isso. Eu sei que até muito recentemente foi jogando as sucessivas sequelas, até o 3, não é? Ou o 4?
Até o 4, exatamente. E a partir daí acho que não joguei mais nada, porque ainda continuo a jogar o Fallout, esse Fallout 4. Continuo a jogar de vez em quando, e agora, mais do que nunca, também tenho assim uma data de momentos em que não apetece fazer quase nada.
Então, lá me lembro de ir ao computador e avançar mais um bocadinho, embora aquilo esteja numa fase perfeitamente desinteressante. Eu é que sou muito teimoso, e quero tentar e espero conseguir alguns objetivos que…
Ah, espera aí, eu não lhe vou contar o jogo porque senão [não] vale a pena…
Nos dias de hoje ainda há algum jogo especialmente difícil de encontrar? Algum que não consiga encontrar de maneira nenhuma? Bom, ou jogos dos quais anda à procurar há muito tempo?
Pedro, eu, francamente, já há vários anos que não procuro um jogo nenhum. Há vários anos já. De maneira que isso é uma atividade que eu deixei…

Ultimamente também começámos a andar à procura de algumas coisas portuguesas. Sei que o motivei para isso também.
Sim, isso é verdade. Em boa parte segui o seu exemplo. Só que já é um bocado tarde para mim. Não vou correr para nenhum comboio. Cheguei tarde e a más horas.
Mas tem comprado nos últimos tempos alguns jogos?
Não, não tenho. Não tenho comprado nada. Nos últimos tempos tenho vendido alguns. Mas pouco.
Disse-me num e-mail já há uns meses. Que tinha comprado uns jogos portugueses na feira, ou uma coisa assim… Por um euro, ou algo do género.
Ah, isso está bem. Isso é verdade.
Comprei na feira, mas no fim de semana seguinte fui lá. Porque aconteceu o seguinte: Em três ou quatro jogos desses – o que estava na capa não correspondia ao que estava no interior ou eram CDs em número insuficiente. Porque o número de CDs que lá devia estar, imagino que eram dois. Só lá estava um, por exemplo.
E houve imensas trapalhadas assim. Claro que eu, na altura, também não me dei ao trabalho de estar a verificar. Porque confiei, e mal, pelos vistos. Mas também fui lá na semana seguinte e aceitaram tudo aquilo que eu disse. Portanto, a coisa ficou mais ou menos corrigida.
Depois disso, comprei um jogo que se chama Pro Cycling Manager. Portanto, é ciclismo. E o outro é o Sim Tower, que é com guia de instalação em português.

Finalizo deixando um enorme agradecimento ao João Bastos pela sua disponibilidade. Ao longo de alguns meses falámos por mail e depois por telefone e, foi através dessas conversas que resumo aqui, que o fiquei a conhecer melhor e à sua história que agora partilho convosco. Acrescentei também algumas notas explicativas e atualizei dados, sempre que necessário, estando essas informações contidas dentro de parêntesis retos.
