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Cargo Please! – Acelera antes que te apanhem | Análise

Esquece os simuladores de camiões onde passamos meia hora a preparar uma viagem, respeitamos religiosamente os limites de velocidade e entramos em pânico porque faltam 2% de combustível. Cargo, Please! pega na ideia das entregas e transforma-a numa experiência muito mais descontraída, rápida e arcade. Aqui, o objetivo é simples: aceitar uma carga, chegar ao destino e receber o dinheiro. O problema é que, pelo caminho, podemos encontrar trânsito, polícia, cargas frágeis e, porque aparentemente entregar encomendas normais seria demasiado fácil, algumas cargas que não são propriamente legais.

A perspectiva vista de cima é imediatamente uma das características que mais define o jogo. Em vez de tentar reproduzir uma condução realista, Cargo, Please! aposta numa jogabilidade acessível e bastante arcade. Os veículos respondem rapidamente aos comandos e as ruas das três cidades foram pensadas para nos obrigar a tomar decisões constantes. É um jogo onde virar no momento certo pode ser mais importante do que saber fazer uma manobra perfeita num simulador tradicional.

E depois temos aquilo que dá verdadeiro sabor às entregas: o risco. Cada trabalho pode ser diferente, com entregas simples, viagens mais longas, cargas frágeis, trabalhos contra o relógio e até transporte de mercadoria restrita. A carga possui um estado de integridade, por isso não basta chegar depressa. Se conduzirmos como se tivéssemos acabado de roubar um carro num jogo de mundo aberto, podemos chegar ao destino com metade da mercadoria destruída e uma recompensa bastante mais pequena.

A polícia acrescenta outra camada de diversão. Certas entregas podem chamar mais atenção das autoridades e obrigam-nos a ter algum cuidado com a forma como conduzimos. Não estamos perante perseguições policiais dignas de um GTA, mas a presença das autoridades é suficiente para transformar uma viagem aparentemente tranquila numa pequena corrida contra o tempo. E quando estamos a transportar carga ilegal, a expressão “entrega urgente” ganha um significado completamente diferente.

A progressão também está bem integrada. O dinheiro e a experiência conquistados nas entregas permitem melhorar os veículos, desbloquear novas viaturas e chegar a novas cidades. Começamos com meios de transporte mais modestos e vamos gradualmente passando para veículos maiores e mais capazes. Há ainda opções de personalização, permitindo dar um toque pessoal às nossas máquinas de trabalho.

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É precisamente aqui que Cargo, Please! consegue criar aquele efeito de “só vou fazer mais uma entrega”. Uma viagem rende dinheiro, esse dinheiro permite melhorar o veículo, o veículo permite aceitar trabalhos melhores e esses trabalhos dão-nos vontade de continuar. Não é uma progressão particularmente revolucionária, mas funciona porque o jogo não complica aquilo que pretende fazer.

Outro ponto interessante é a variedade das condições de condução. O mundo conta com ciclo de dia e noite e diferentes condições meteorológicas, o que ajuda a evitar que as viagens pareçam sempre iguais. As entregas são também geradas automaticamente, fazendo com que os trabalhos disponíveis não sejam simplesmente uma lista fixa de missões.

E quando já estivermos fartos de transportar caixas, existe ainda o Taxi Driver Mode, que troca as entregas por transporte de passageiros. É uma alternativa interessante para quem simplesmente quer andar pelas cidades e aproveitar a condução sem estar constantemente preocupado com o estado de uma carga.

Visualmente, o jogo criado pela Cyber752 Games aposta num estilo colorido, simples e bastante simpático. A perspetiva superior funciona muito bem para aquilo que pretende oferecer, permitindo antecipar curvas, observar o trânsito e perceber rapidamente o que está a acontecer à nossa volta. Não é um jogo que queira impressionar pelo realismo gráfico, mas também não precisa disso. A estética quase “miniatura” combina perfeitamente com o espírito descontraído da experiência.

Tecnicamente, é também uma proposta bastante acessível. Os requisitos são modestos — a versão para PC pede apenas 8 GB de RAM e uma GTX 760 ou Radeon R9 380 como referência gráfica —, o que ajuda a explicar a aposta num estilo visual mais leve.

 

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Mas nem tudo são entregas perfeitas. A simplicidade da fórmula pode começar a revelar-se depois de várias horas. Afinal, por muito que as missões sejam geradas de forma automática, a base mantém-se praticamente sempre igual: aceitar, conduzir, entregar, receber dinheiro e melhorar. Para quem procura profundidade de simulação, gestão financeira complexa ou uma enorme variedade de atividades, poderá saber a pouco.

Também existe uma pequena contradição interessante na progressão: os veículos maiores podem parecer uma evolução natural, mas a sua dimensão e menor agilidade podem retirar alguma da diversão imediata que encontramos nos veículos mais pequenos. A condução mais pesada exige outra abordagem e nem sempre isso resulta numa experiência mais divertida.

Ainda assim, Cargo, Please! sabe exatamente aquilo que quer ser. Não tenta competir com Euro Truck Simulator 2 ou com outros simuladores extremamente detalhados. Em vez disso, pega no conceito das entregas, junta condução arcade, progressão, personalização, polícia, cargas perigosas e um mundo aberto simpático, criando uma experiência bastante mais leve e acessível.

É daqueles jogos perfeitos para quem quer simplesmente ligar o PC, pegar numa carrinha e começar a fazer entregas sem ter de estudar o manual de instruções de um camião durante três horas. A fórmula não é revolucionária, mas é divertida, viciante e suficientemente variada para proporcionar boas sessões de jogo.

Veredito: 8

Cargo, Please! não transforma as entregas numa profissão de sonho. Transforma-as numa desculpa para conduzir depressa, fugir à polícia e destruir umas quantas caixas pelo caminho. E, sinceramente, já é um bom começo.