Mad Skills BMX 2 – Uma conversão difícil de justificar | Análise

Estávamos no longínquo ano de 2018 quando Mad Skills BMX 2 surgiu para as plataformas móveis iOS e Android no modelo freemium, algo comum na esmagadora maioria dos jogos lançados para smartphone. Para se ter uma noção de há quanto tempo isso foi, basta lembrar que por essa altura a Nintendo Switch era ainda um sistema em afirmação, estando há cerca de um ano no mercado. Pois bem, passados sete anos e toda uma vida útil para a primeira plataforma híbrida da Nintendo, Mad Skills BMX 2 chega então a esta, livre das amarras do pay-to-win. Ou assim seria de esperar, considerando que esta nova versão tem um custo de admissão.

Mas vamos por partes. Afinal, do que se trata este jogo? Numa primeira impressão faz lembrar em o icónico Excitebike, considerando que somos postos à prova em várias pistas com rampas, declives e lombas. No entanto, como o nome indica, aqui vamos à boleia de uma BMX e não de uma mota como no clássico da NES. Isto é um pormenor que faz toda a diferença, porque temos com isso de contar com a lei da inércia para ganhar e manter velocidade.

Mad Skills BMX 2 joga-se essencialmente com dois botões – ZR para saltar e ZL para ganhar impulso nas descidas. Alternativamente também se pode direcionar o analógico esquerdo para cima ou para baixo para efectuar cada uma dessas ações. Talvez este modo até seja o mais natural para quem jogou a versão de smartphone. O timing dos saltos e impulsos é fundamental para dominar cada pista e ganhar a corrida contra o adversário, desbloqueando assim a pista seguinte. Inicialmente até se consegue vencer sem grande dificuldade, mas chegando ao terceiro stage de pistas, havendo oito no total, o jogo torna-se incrivelmente difícil. Deixa de ser desporto radical para passar a ser desporto olimpico, em que “tentativa e erro” são as palavras de ordem. Felizmente existem mais dois botões para nos auxiliar: X para reiniciar a corrida de imediato (acreditem, irão precisar de o fazer dezenas de vezes em certas pistas) e Y para atrelar um foguete à nossa BMX e ganhar um impulso extra, em caso de desespero. Por ultimo, temos ainda o botão B que permite fazer um backflip, a única mad skill existente e que fora de desafios extra que requerem a sua utilização, acaba por ser um tanto inútil.

O grande problema deste jogo no entanto prende-se com o seu sistema de progressão. Como dito no início, Mad Skills BMX 2 foi inicialmente concebido como um jogo freemium – repleto de microtransações e com uma economia de jogo completamente predatória. É verdade que esse aspeto foi ajustado para este lançamento na Nintendo Switch, no entanto, o preço de maior parte das BMX que podemos adquirir, assim como os respetivos upgrades, estão completamente inflacionados. Não havendo opção de comprar mais dinheiro no jogo, não resta alternativa se não uma quantidade generosa de grind para obter o melhor equipamento possível, que como devem ter percebido no parágrafo anterior, é essencial para vencer. Os foguetes também eles faziam parte desta economia pay-to-win, mas agora são apenas atribuídos em lotes de cinco a cada três horas, ou após completar um certo número de pistas.

Na componente audiovisual o jogo também não impressiona. Os gráficos são competentes e a performance na Nintendo Switch é sólida, com uma framerate constante de 60fps, mas os elogios acabam aí. Esteticamente falando, é desprovido de qualquer tipo de identidade, contando com os menus mais genéricos que se pode imaginar. Música? Praticamente inexistente. Para um jogo que ousa retratar um desporto radical, tem uma apresentação que invoca uma sensação de completo aborrecimento.

O único ponto de destaque desta conversão, em comparação com a versão original de smartphone, é o novo modo multijogador local, que permite competição direta entre dois jogadores no mesmo ecrã. No entanto não deixa de ser pouco para um jogo que chega à Nintendo Switch tantos anos depois do seu lançamento original.

Conclusão

Pros

  • Fácil de aprender, difícil de dominar
  • Performance perfeita na Nintendo Switch
  • Novo modo multijogador local

Contras

  • Picos de dificuldade aleatórios
  • Progressão com raízes profundas no pay-to-win
  • Apresentação e som bastante desinspirados

Mad Skills BMX 2 entrega um conceito desafiante, mas uma economia que estende artificialmente a sua duração e uma apresentação que não tem um pingo de originalidade tornam difícil de justificar a existência desta conversão para a consola da Nintendo, para lá do novo modo multijogador.