A Dream About Parking Lots – Alguém pediu uma sessão de terapia? | Análise

Quem se lembra daquele clássico episódio de Seinfeld passado inteiramente num parque de estacionamento de um centro comercial, porque Kramer não se lembrava onde tinha estacionado o seu carro? Agora imaginem o cenário hipotético em que esse episódio, no lugar de situações comédicas, conta com pequenas sessões de terapia. O resultado final não seria muito diferente de A Dream About Parking Lots.

Em A Dream About Parking Lots controlamos um indivíduo identificado apenas como Dreamer, o sonhador, durante cinco sonhos localizados em diferentes parques de estacionamento, em que o ponto em comum entre eles é o facto de estarmos constantemente à procura de um carro. A única maneira que identificar o carro em questão é através do som e luzes de desbloqueio, que temos de despoletar através da sua chave, que carregamos na mão.

Enquanto realizamos esta interessantíssima atividade, temos oportunidade de conversar com um terapeuta, ao qual o Dreamer está a narrar o sonho e a descrever o que sente. Durante estas conversas, podemos escolher algumas opções de resposta, o que leva a uma ideia de que as sessões de terapia são mais direcionadas ao próprio jogador do que ao misterioso sonhador que encarnamos aqui. Graças a isso, durante breves momentos esta experiência (porque chamar-lhe de jogo é um exagero na minha opinião) consegue ser ligeiramente imersiva. A música clássica de domínio público aqui usada também ajuda ao caso, considerando que até se acaba por enquadrar bem na estética etérea aqui presente.

Infelizmente a imersão que A Dream About Parking Lots tenta oferecer acaba por ser quebrada por vários motivos. Para começar, os diálogos são bastante desinteressantes e em nada conclusivos, mas essa “dou de barato” tendo em conta que se trata de conversa de terapia. O maior problema acaba por ser mesmo a apresentação, que conta com modelos poligonais demasiado simplistas e uma quantidade de filtros gráficos usados sem grande nexo. Tudo isto combinado numa pobríssima optimização técnica, que leva o jogo a nem sequer alcançar um framerate estável em sistemas como a Xbox Series X, onde não só seria possível, como esperado.

Veredito: 3

A Dream About Parking Lots entrega uma premissa interessante, mas a sua fraca execução leva a que nunca mais o queiramos revistar após os seus cerca de 40 minutos de duração.