Quem se lembra daquele clássico episódio de Seinfeld passado inteiramente num parque de estacionamento de um centro comercial, porque Kramer não se lembrava onde tinha estacionado o seu carro? Agora imaginem o cenário hipotético em que esse episódio, no lugar de situações comédicas, conta com pequenas sessões de terapia. O resultado final não seria muito diferente de A Dream About Parking Lots.
Em A Dream About Parking Lots controlamos um indivíduo identificado apenas como Dreamer, o sonhador, durante cinco sonhos localizados em diferentes parques de estacionamento, em que o ponto em comum entre eles é o facto de estarmos constantemente à procura de um carro. A única maneira que identificar o carro em questão é através do som e luzes de desbloqueio, que temos de despoletar através da sua chave, que carregamos na mão.
Enquanto realizamos esta interessantíssima atividade, temos oportunidade de conversar com um terapeuta, ao qual o Dreamer está a narrar o sonho e a descrever o que sente. Durante estas conversas, podemos escolher algumas opções de resposta, o que leva a uma ideia de que as sessões de terapia são mais direcionadas ao próprio jogador do que ao misterioso sonhador que encarnamos aqui. Graças a isso, durante breves momentos esta experiência (porque chamar-lhe de jogo é um exagero na minha opinião) consegue ser ligeiramente imersiva. A música clássica de domínio público aqui usada também ajuda ao caso, considerando que até se acaba por enquadrar bem na estética etérea aqui presente.

Infelizmente a imersão que A Dream About Parking Lots tenta oferecer acaba por ser quebrada por vários motivos. Para começar, os diálogos são bastante desinteressantes e em nada conclusivos, mas essa “dou de barato” tendo em conta que se trata de conversa de terapia. O maior problema acaba por ser mesmo a apresentação, que conta com modelos poligonais demasiado simplistas e uma quantidade de filtros gráficos usados sem grande nexo. Tudo isto combinado numa pobríssima optimização técnica, que leva o jogo a nem sequer alcançar um framerate estável em sistemas como a Xbox Series X, onde não só seria possível, como esperado.

A Dream About Parking Lots entrega uma premissa interessante, mas a sua fraca execução leva a que nunca mais o queiramos revistar após os seus cerca de 40 minutos de duração.

Interessado em design e tecnologia desde sempre, encontrei nos videojogos a combinação perfeita entre ambos. Desde os clássicos mais antigos aos lançamentos mais recentes, gosto de explorar todas as diferentes gerações, com um fascínio particular pelos sistemas dos anos 90.
Falo sobre todos estes assuntos e mais alguns no podcast semanal The Games Tome.
