Lost Eidolons: Veil of the Witch é um daqueles jogos que não tenta apenas repetir os passos do seu antecessor. Ele arrisca, muda a estrutura e propõe algo mais ousado. Continua a ser um jogo de estratégia com batalhas por turnos, mas agora mergulhado num ambiente muito mais sombrio e numa jogabilidade que mistura tensão, imprevisibilidade e um toque de desespero. É uma experiência mais crua, mais direta e mais emocionalmente intensa.
A história decorre no mesmo universo do primeiro Lost Eidolons (jogo que também tenho um bom número de horas e recomendo), mas não é uma continuação direta. Em vez de seguir a mesma linha épica e política do jogo original, Lost Eidolons: Veil of the Witch foca-se num grupo de novos personagens, cada um a lidar com o peso das suas decisões e com o colapso do mundo à sua volta. A sensação que o jogo transmite é a de um mundo em ruínas, onde as pessoas lutam não por glória, mas simplesmente para sobreviver apenas mais um dia.
Os diálogos refletem bem isso. São mais pessoais, mais carregados de dúvida e raiva, e por vezes até mais desesperados. Os personagens não são heróis perfeitos — são guerreiros cansados, magos perdidos, pessoas que já viram demasiado sofrimento. Há uma honestidade nisso. O jogo não tenta esconder que o seu mundo está despedaçado, e isso dá-lhe um tom quase melancólico, que combina muito bem com o tipo de jogabilidade que propõe.
E é aí que entra a maior diferença em relação ao primeiro Lost Eidolons: a estrutura roguelite. Aqui, cada tentativa de jogar é diferente. As batalhas, os inimigos, as recompensas — tudo muda. Isso cria uma sensação de incerteza constante. Nunca sabes exatamente o que te espera no próximo combate, e essa imprevisibilidade dá ao jogo um ritmo muito próprio. Em vez de um enredo longo e estável, o que tens é uma série de pequenas histórias e desafios que se entrelaçam numa jornada que podes repetir e aperfeiçoar vezes sem conta.

No campo de batalha, o sistema continua baseado em grelhas e movimentos por turnos. Cada unidade que controlas tem um papel específico — há arqueiros, cavaleiros, feiticeiros, curandeiros — e cada escolha que fazes pode decidir o rumo da luta. As batalhas são mais curtas e diretas, sem aquele tempo todo de preparação e planeamento que existia no jogo original. Isso torna tudo mais tenso. Há menos espaço para erro, e cada turno tem peso. Quando uma personagem morre, não é apenas uma perda tática; é um golpe emocional, porque sabes que talvez não a consigas recuperar.
O combate é estratégico, mas também muito visual. As animações dos ataques, as magias, os efeitos no cenário — tudo ajuda a criar uma sensação de impacto e perigo. O mapa não é apenas um campo de batalha estático; é um espaço vivo, com obstáculos, armadilhas e posições que podem mudar completamente a forma como a luta decorre. Aprender a ler o terreno e antecipar os movimentos inimigos é essencial, e é isso que dá sabor à jogabilidade.

Fora das batalhas, o jogo tem um sistema de progressão que mistura estratégia e azar. Como é roguelite, há sempre elementos que mudam. Podes encontrar novos equipamentos, habilidades diferentes ou personagens que aparecem e desaparecem entre tentativas. Isso faz com que cada sessão pareça única. Mesmo quando perdes, há aquela vontade de tentar outra vez, de ver o que o jogo vai trazer na próxima ronda. É um ciclo viciante, porque combina frustração com superação — cada derrota ensina algo novo.
Em termos visuais, Lost Eidolons: Veil of the Witch aposta numa direção artística mais sombria. As cores são mais apagadas, as sombras mais marcadas e o mundo parece sempre envolto em névoa/cinzas. Há uma certa beleza triste nisso se assim posso dizer. Não é um jogo que tenta impressionar com gráficos exuberantes, mas sim com atmosfera. A forma como a luz se reflete nas armaduras, o detalhe das expressões faciais, e o contraste entre magia e destruição dão um ar quase melancólico às cenas.

A banda sonora segue o mesmo caminho. As músicas são discretas, mas poderosas. Acompanhadas por percussões leves e instrumentos de corda, criam uma sensação de urgência e de tragédia iminente. Durante as batalhas, a música intensifica-se, e quando tudo acalma, as melodias voltam a um tom mais suave, quase como se o jogo “respirasse” contigo.
Apesar de todas as qualidades, Lost Eidolons: Veil of the Witch não é um jogo fácil. É exigente, por vezes implacável, e pode frustrar jogadores que preferem algo mais linear e previsível. A aleatoriedade das batalhas pode parecer injusta, e há momentos em que as derrotas chegam por pequenos detalhes fora do teu controlo. Mas esse é também o coração do jogo: aceitar que o caos faz parte da experiência.

Há algo quase filosófico na forma como o jogo criado pela Kakao Games lida com a derrota. Diria que não a trata como um fracasso, mas como uma parte necessária da jornada. Cada vez que recomeças, voltas mais forte, com mais experiência e uma nova forma de ver o mundo. Essa sensação de crescimento — não só das personagens, mas também do jogador — é o que mantém o interesse vivo.

Lost Eidolons: Veil of the Witch é um jogo que se destaca por ousar mudar. Ele não tenta agradar a todos, mas recompensa quem entra no seu ritmo e aceita o desafio. É uma mistura de estratégia, tensão e emoção, envolvida num mundo triste e belo ao mesmo tempo. Não é um jogo de vitórias fáceis — é um jogo de pequenas conquistas, de sobrevivência, e de coragem para continuar mesmo quando tudo parece perdido. É essa mistura de desespero e esperança, de tática e emoção, que faz deste turn based game uma experiência especial. Ele não te vai dar tudo de bandeja, mas irá fazer sentir cada passo, cada ferida e cada vitória como algo teu.

Jogo de tudo um pouco, desde a minha primeira consola de jogos, a Master System II. Desde aí muita coisa mudou, mas a paixão e dedicação aos videojogos permaneceu intacta.
Apesar de jogar de tudo um pouco, desde FPS a RPG´s, sou grande adepto de Fighting games, como o Mortal Kombat e ainda de jogos de desporto automóvel, como o Forza Motorsport. Também não dispenso boas séries e bons filmes. Sou grande fã de animes desde muito cedo, onde tenho DragonBall e Naruto como séries de eleição.
