Tobias Tesar é um dos nomes mais interessantes a acompanhar na nova geração de designers alemães. Ganhou a bolsa Spiel des Jahres para designers emergentes em 2022, e em 2025 chegou ao mercado com vários títulos em simultâneo — Right on Time, Get That Cat, Perfect Murder. One Round? é o seu jogo de festa, publicado pela Devir, e tem uma boa ideia a movê-lo.
A ideia base
Imagina um círculo de palavras. No início da partida, três cartas estão dispostas em círculo, cada uma com um número (33, 66 e 100) e uma palavra escrita pelo grupo. Entre elas, há lacunas. Ao longo do jogo, a equipa vai receber cartas com novos números e tem de as colocar no sítio certo dentro desse círculo, com base numa única palavra de pista dada por um dos jogadores.
A mecânica central é simples de explicar. Quem dá a pista, o Informador, vê o número da carta, pensa numa palavra que funcione como ponte entre os dois conceitos que ficam de cada lado dela (se a carta que saiu é, por exemplo, o 48, terá de fazer a ponte entre as palavras da carta 33 e 66), e enuncia-a em voz alta. A equipa discute e decide onde colocar a carta. Se acertarem, a carta entra no círculo. Se errarem, a carta entra na mesma, mas perdem uma vida. E os jogadores só têm três vidas.

O que torna isto interessante
A pressão de tempo. Tens uma ampulheta de 20 segundos para pensar na tua pista. É pouco e é exatamente esse o ponto. One Round? não quer que passes meia hora a calcular a palavra perfeita. Quer que penses depressa, arrisques e vejas o que acontece quando o grupo interpreta a tua pista de uma forma que nunca tinhas imaginado.
O que acontece com mais frequência é que a palavra certa parece óbvia enquanto a estás a pensar, mas acaba por ser profundamente ambígua no momento em que a dizes em voz alta. Um “Roma” que para ti liga claramente a “pizza” e a “souvenir” pode gerar uma discussão acesa à mesa sobre se “Itália” não seria melhor, e o que é que isso diz sobre “pastéis de nata”. É esse caos controlado que faz a graça.
À medida que o círculo se vai preenchendo, o espaço disponível entre os números aperta. Isso significa que as pistas têm de ser cada vez mais precisas. O jogo começa folgado e vai ficando cirúrgico. Há uma progressão natural de dificuldade que o jogo não precisa de te explicar: ela acontece sozinha.
Modo Tempo Extra e variante de equipas
Se a equipa esgotar as três vidas antes de colocar todas as cartas, o jogo não termina automaticamente — entra antes no Modo Tempo Extra, onde tanto o Informador como a equipa ficam sujeitos ao tempo da ampulheta. É uma segunda vida com a pressão amplificada, e funciona bem como mecanismo de tensão final.
O jogo inclui ainda uma variante de equipas para grupos maiores que preferem um formato mais competitivo, e um caderno com 28 categorias e desafios para quem quiser um ponto de partida temático. É uma opção útil, mas há um argumento forte para ignorar o caderno e deixar cada jogador escrever a sua própria palavra inicial sem saber o que os outros escreveram. O caos que daí resulta não é um erro, acaba por servir a diversão. Numa sessão, acabámos com as palavras “Lixo”, “Incompetente” e “Agente” no círculo. Quando a primeira carta a entrar foi “Política”, podem imaginar como o jogo descambou… e como ninguém se importou minimamente com isso.
É precisamente nessa imprevisibilidade do ponto de partida que reside grande parte da rejogabilidade de One Round?. Duas partidas com os mesmos jogadores raramente se sentem iguais e isso, num jogo de apenas 15 minutos, tem muito valor.

Para quem é?
One Round? funciona com 2 a 12 jogadores, a partir dos 8 anos, em partidas de cerca de 15 minutos. É um jogo de vocabulário e associações, o que significa que funciona melhor com grupos que gostem de palavras e não tenham medo de errar em público. É um jogo que vejo funcionar muito bem em família, incluindo as crianças. Se as crianças forem mais novas pode perder alguma fluidez, mas mantém a estrutura cooperativa que torna a experiência inclusiva.

One Round? é daqueles jogos que não precisam de muito para conquistar uma mesa: precisam é da mesa certa. Com as pessoas certas à volta, é um jogo de festa que faz muito com pouco. É rápido, tenso, divertido e suficientemente simples para não excluir ninguém, mas com a profundidade necessária para que cada partida produza os seus próprios momentos. E a profundidade é criada pelos próprios jogadores, o jogo apenas dá as ferramentas. Para noites de jogos com grupos mistos, é uma escolha segura que dificilmente dececionará. E se decepcionar, a culpa é provavelmente das palavras iniciais escolhidas.

Começou a jogar ainda os jogos se carregavam a partir de uma cassete de fita magnética. Completamente viciado em FIFA, é também fã incondicional de RPGs e Jogos de Estratégia. Junta, aos videojogos, a paixão pelos jogos de tabuleiro.
